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Embrapa Milho e Sorgo. Sistemas de Produção, 1. ISSN 1679-012 Versão Eletrônica - 3 ª edição. Nov./2007. Cultivo do Milho. Editor Técnico: José Carlos Cruz, zecarlos@cnpms.embrapa.br


Trabalhos de monitoramento de doenças realizados pela Embrapa Milho e Sorgo e pelo setor privado, têm demonstrado que a mancha branca, a cercosporiose. a ferrugem polissora, a ferrugem tropical, a ferrugem comum, a helmintosporiose e os enfezamentos pálido e vermelho estão entre as principais doenças da cultura do milho no momento. A importância de cada uma dessas doenças é variável de ano para ano e de região para região, mas não é possível afirmar que alguma delas seja de maior importância em relação às demais. Além das doenças acima mencionadas, novos desafios têm surgido ao longo dos últimos anos, como o aumento na severidade da antracnose foliar em algumas regiões do país e a ocorrência de podridões de causadas por Stenocarpella maydis e S. macrospora, antes mais comuns em áreas de plantio na região Sul do país, em algumas áreas do Centro–Oeste. Normalmente, um programa de pesquisa tende a se concentrar na busca de soluções para problemas identificados até que soluções adequadas sejam encontradas, o que exige um certo número de anos. O agricultor, por outro lado, enfrenta, a cada ano, novos problemas e tende normalmente a considerá-los como prioritários exigindo soluções rápidas e imediatas.

Várias medidas são sugeridas para o manejo de doenças na cultura do milho: 1.) o plantio em época adequada, de modo a se evitar que os períodos críticos para a produção não coincidam com condições ambientais mais favoráveis ao desenvolvimento da doença. 2.) a utilização de sementes de boa qualidade e tratadas com fungicidas 3.) a utilização da rotação com culturas não suscetíveis, 4.) o manejo adequado da lavoura – adubação, população de plantas adequada, controle de pragas e de invasoras e colheita na época correta. Essas medidas trazem um benefício imediato ao produtor por reduzir o potencial de inóculo em sua lavoura, mas, principalmente, contribuem para uma maior durabilidade e estabilidade da resistência genética presentes nas cultivares comerciais por reduzirem a população de agentes patogênicos. A mais atrativa estratégia de manejo de doenças é a utilização de cultivares geneticamente resistentes, uma vez que o seu uso não exige nenhum custo adicional ao produtor, não causa nenhum tipo de impacto negativo ao ambiente, é perfeitamente compatível com outras alternativas de controle e é, muitas vezes, suficiente para o controle da doença.


Doenças Foliares


Cercosporiose (Cercospora zeae-maydis e C. sorghi f. sp.. maydis)

Importância e Distribuição:A doença foi observada inicialmente no Sudoeste do estado de Goiás em Rio Verde, Montividiu, Jataí e Santa Helena, no ano de 2000. Atualmente a doença está presente em praticamente todas as áreas de plantio de milho no Centro Sul do Brasil. A doença ocorre com alta severidade em cultivares suscetíveis, podendo as perdas serem superiores a 80%.

Sintomas: Os sintomas caracterizam-se por manchas de coloração cinza, retangulares a irregulares com as lesões desenvolvendo-se paralelas às nervuras. Pode ocorrer acamamento em ataques mais severos da doença (Fig. 1).


Fig. 1 Cercosporiose (Cercospora zeae-maydis e C. sorghi f. sp.. maydis)

cercosporiose

Foto: Carlos Roberto Casela


E
pidemiologia: A disseminação ocorre através de esporos e restos de cultura levados pelo vento e respingos de chuva. Os restos de cultura são, portanto, fonte local e fonte para outra áreas.

Manejo da Doença: Plantio de cultivares resistentes. Evitar a permanência de restos da cultura de milho em áreas em que a doença ocorreu com alta severidade, para reduzir o potencial de inóculo. Realizar rotação com culturas como soja, sorgo, girassol, algodão e outras, uma vez que o milho é o único hospedeiro da Cercospora zeae-maydis. Para evitar o aumento do potencial de inóculo da Cercospora zeae-maydis deve - se evitar o plantio de milho após milho. Plantar cultivares diferentes em uma mesma área e em cada época de plantio. Realizar adubações de acordo com as recomendações técnica para evitar desequilíbrios nutricionais nas plantas de milho, favoráveis ao desenvolvimento desse patógeno, principalmente a relação nitrogênio/potássio. Para que essas medidas sejam eficientes recomenda-se a sua aplicação regional (em macro - regiões) para evitar que a doença volte a se manifestar a partir de inóculo trazido pelo vento de lavouras vizinhas infectadas.


Mancha de phaeosphaeria (Phaeosphaeria maydis)

Importância e Distribuição: A doença apresenta ampla distribuição no Brasil. As perdas na produção podem ser superiores a 60% em determinadas situações.

Sintomas: As lesões iniciais apresentam um aspecto de encharcamento (anasarca), tornando-se necróticas com coloração palha de formato circular a oval com 0,3 a 2cm de diâmetro. Há coalescência de lesões em ataques mais severos (Fig. 2).

Fig. 2 Mancha branca (Pantoae ananas)

mancha branca

Foto: Carlos Roberto Casela


Epidemiologia: Alta precipitação, alta umidade relativa (>60%) e baixas temperaturas noturnas em torno de 14ºC são favoráveis à doença. Plantios tardios favorecem a doença. Há o envolvimento da bactéria Pantoeae ananas nas fases inciais da doença.

Manejo da Doença: Plantio de cultivares resistentes. Plantios realizados mais cedo reduzem a severidade da doença. O uso da prática da rotação de culturas contribui para a redução do potencial de inóculo.


Ferrugem Polissora (Puccinia polysora Underw.)

Importância e Distribuição Geográfica: No Brasil, foram já determinados danos de 44,6%, à produção de milho pelas ferrugens branca e polissora, sendo a maior parte atribuída a P. polysora e parte a Physopella zeae. A doença está distribuída por toda a região Centro-Oeste, Noroeste de Minas Gerais, São Paulo e parte do Paraná.

Sintomas: Pústulas circulares a ovais, marron claras, distribuídas na face superior das folhas e, com muito menor abundância na face inferior da folha (Fig. 3).


Fig. 3 Ferrugem Polissora (Puccinia polysora Underw.)

ferrugem

Foto: Carlos Roberto Casela


Epidemiologia: A ocorrência da doença é dependente da altitude, ocorrendo com maior intensidade em altitudes abaixo de 700m. Altitudes acima de 1200m são desfavoráveis ao desenvolvimento da doença.

Manejo da Doença: Plantio de cultivares com resistência genética.


Ferrugem Comum (Puccinia sorghi)

Importância e Distribuição: No Brasil a doença tem ampla distribuição com severidade moderada, tendo maior severidade nos estados da região Sul.

Sintomas: As pústulas são formadas na parte área da planta e são mais abundantes nas folhas. Em contraste com a ferrugem polissora, as pústulas são formadas em ambas as superfícies da folha, apresentam formato circular a alongado e se rompem rapidamente (Fig. 4).


Fig. 4 Ferrugem Comum (Puccinia sorghi)

ferrugem comum

Foto: Carlos Roberto Casela


Epidemiologia:
Temperaturas baixas (16 a 230ºC) e alta umidade relativa (100%) favorecem o desenvolvimento da doença.

Manejo da Doença: Plantio de cultivares com resistência genética.


Ferrugem Tropical ou Ferrugem Branca (Physopella zeae)

Importância e Distribuição:No Brasil, encontra-se distribuída no Centro - Oeste, e Sudeste (Norte de São Paulo) . O problema é maior em plantios contínuos de milho, principalmente áreas de pivot.

Sintomas: Pústulas brancas ou amareladas, em pequenos grupos, de 0,3 a 1,0mm de comprimento na superfície superior da folha, paralelamente às nervuras (Fig. 5).


Fig. 5 Ferrugem Tropical ou Ferrugem Branca (Physopella zeae)

ferrugem tropical

Foto: Carlos Roberto Casela


Epidemiologia: Os uredosporos são o inóculo primário e secundário, sendo transportados pelo vento ou em material infectado. Não são conhecidos hospedeiros intermediários de P. zeae. A doença é favorecida por condições de alta temperatura (22-340ºC), alta umidade relativa e baixas altitudes. Por ser um patógeno de menor exigência em termos de umidade o problema tende a ser a maior na safrinha.

Manejo da Doença: Plantio de cultivares resistentes. Os plantios contínuos tendem a agravar o problema causados pelas ferrugens em geral. Recomenda-se a alternância de genótipos e a interrupção no plantio durante um certo período para que ocorra a morte dos uredosporos.


Helmintosporiose (Exserohilum turcicum)

Importância e Distribuição: No Brasil o problema tem sido maior em plantios de safrinha. As perdas podem atingir a 50% em ataques antes do período de floração.

Sintomas: Os sintomas característicos são lesões alongadas, elípticas de coloração cinza ou marrom e comprimento variável entre 2,5 a 15cm. A doença ocorre inicialmente nas folhas inferiores (Fig. 6).


Fig. 6 Helmintosporiose (Exserohilum turcicum)

helmintosporiose

Foto: Carlos Roberto Casela


Epidemiologia: O patógeno sobrevive em folhas e colmos infectados. A disseminação ocorre pelo transporte de conídios pelo vento a longas distâncias. Temperaturas moderadas (18-270ºC) são favoráveis à doença bem como a presença de orvalho. O patógeno tem como hospedeiros o sorgo, o capim sudão, o sorgo de halepo e o teosinto.

Manejo da Doença: O controle da doença é feito através do plantio de cultivares com resistência genética. A rotação de culturas é também uma prática recomendada para o manejo desta doença.


Helmintosporiose (Bipolaris maydis )

Importância e Distribuição: Esta doença encontra-se bem distribuída no Brasil, porém com severidade baixa a média.

Sintomas: A Raça 0 produz lesões alongadas, delimitadas pelas nervuras com margens castanhas com forma e tamanho variáveis. O patógeno ataca apenas as folhas. A Raça T produz lesões de coloração marron de formato elíptico, margens amareladas ou cloróticas (Fig. 7)


Fig. 7 Helmintosporiose (Bipolaris maydis)

helmintosporiose

Foto: Carlos Roberto Casela


Epidemiologia: A sobrevivência ocorre em restos culturais infectados e grãos. Os conídios: são transportados pelo vento e por respingos de chuva. A temperatura ótima para o desenvolvimento da doença é de 22 a 30ºC. A doença é favorecida por alta umidade relativa. A ocorrência de longos períodos de seca e dias de muito sol entre dias chuvosos são desfavoráveis à doença.

Manejo da Doença: Plantio de cultivares resistentes e rotação de culturas.


Mancha Foliar de Diplodia (Diplodia macrospora)

Importância e Distribuição: Esta doença está presente nos Estados de: Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Bahia e Mato Grosso e na região Sul do país. Apesar de amplamente distribuída, a doença tem ocorrido com baixa severidade até o momento.

Sintomas: As lesões são alongadas, grandes, semelhantes as de H. turcicum. Diferem desta por apresentar, em algum local da lesão, pequeno círculo visível contra a luz (ponto de infecção). Podem alcançar até 10 cm de comprimento (Fig. 8).

Fig. 8 Mancha Foliar de Diplodia (Diplodia macrospora)

mancha foliar

Foto: Carlos Roberto Casela


Epidemiologia: A disseminação ocorre através dos esporos e os restos de cultura levados pelo vento e por respingos de chuva. Os esporos e os restos de cultura levados pelo vento. Os restos de cultura são fonte local e fonte de disseminação da doença para outra áreas.

Manejo da doença: plantio de cultivares resistentes e rotação de culturas.


Antracnose do Milho (Colletotrichum graminicola)

Importância e Distribuição: O aumento desta doença está associado ao cultivo mínimo e ao plantio direto e também pela não utilização da rotação de cultura. A doença está presente nos estados de GO, MG, MT, MS, SP, PR e SC.

Sintomas: Na fase foliar, a doença caracteriza-se pela presença de lesões de formas variadas, sendo às vezes difícil o seu diagnóstico. Nas nervuras, é comum a presença de lesões elípticas com frutificações (acérvulos do patógeno) (Fig. 9).

Fig. 9 Antracnose do Milho (Colletotrichum graminicola)

antracnose

Foto: Carlos Roberto Casela


Epidemiologia: A taxa de aumento da doença é uma função da quantidade inicial de inóculo presente nos restos de cultura, o que indica a importância do plantio direto e plantio em sucessão para o aumento do potencial de inóculo. Um outro fator a influir na quantidade de doença é a taxa de reprodução do patógeno, que vai depender das condições ambientais a da própria raça do patógeno presente.

Manejo da doença: Plantio de cultivares resistentes. A rotação de cultura é essencial para a redução do potencial de inóculo presente nos restos de cultura.



Podridões do Colmo e das Raízes

As principais podridões do colmo na cultura do milho podem ocorrer antes do fase de enchimento dos grãos, em plantas jovens e vigorosas ou após a maturação fisiológica dos grãos, em plantas senescentes. No primeiro caso as perdas se devem à morte prematura das plantas com efeitos negativos no tamanho e no peso dos grãos como consequência na redução na absorção de água e nutrientes. Pode ocorrer o tombamento das plantas. No segundo caso, as perdas na produção se devem ao tombamento das plantas o que dificulta a colheita mecânica e expõe as espigas à ação de roedores e a o apodrecimento, pelo contacto com o solo. O tombamento das plantas é função do peso e altura da espiga; da quantidade do colmo apodrecida; da dureza da casca e da ocorrência de ventos.

As podridões do colmo geralmente se iniciam pelas raízes, passando para os entrenós inferiores e, posterioremente para os entrenós superiores ou diretamente pelo colmo, através de ferimentos. Estresses durante a fase de enchimento de grãos predispõem as plantas às podridões. São considerados fatores estressantes, as doenças foliares, os danos nas folhas ou no colmo causados por insetos, a umidade excessiva ou deficiente do solo, o baixo teor de K em relação ao de N, os períodos prolongados de nebulosidade, a alta densidade de semeadura e a ocorrência de chuvas com intensidade acima do normal, 2 a 3 semanas após o florescimento. De um modo geral, as podridões do colmo não ocorrem uniformemente na área mas ao acaso. É possível encontrar plantas sadias ao lado de plantas apodrecidas.

Por serem os microorganimos causadores das podridões do colmo capazes de sobreviver nos restos de cultura e no solo, a adoção do Sistema Plantio Direto pode pode aumentar significativamente a quantidade de inóculo no solo tornando as lavouras de milho nesse sistema de cultivo mais sujeitas à ocorrência das podridões em alta intensidade.

Quanto às podridões de raizes, as perdas econômicas estão diretamente relacionadas ao teor de umidade no solo e geralmente são causadas por um complexo de microorganismos.


Podridão por Diplodia

Etiologia: Pode ser causada pelos fungos Diplodia maydis ou Diplodia macrospora, os mesmos agentes causais da podridão branca das espigas. D. macrospora pode também causar lesões foliares em milho D.maydis se difere de D. macrospora:. por apresentar conídios duas vezes menores que os de D. macrospora. e . por não causar lesões foliares.

Sintomas: Plantas infectadas por qualquer um desses fungos apresentam, externamente, próximo aos entrenós inferiores, lesões marrom-claras, quase negras nas quais é possível observar a presença de pequenos pontinhos negros (picnídios). Internamente, o tecido da medula adquire coloração marrom, pode se desintegrar permanecendo intactos somente os vasos lenhosos sobre os quais é possível observar também, a presença de picnídios.

Epidemiologia: As podridões do colmo por Diplodia são favorecidas por temperaturas entre 28 e 30oC e alta umidade, principalmente na forma de chuva. Esses fungos sobrevivem no solo nos restos de cultura, na forma de picnídios e nas sementes, na forma de picnídios ou de micélio. Apresentam como único hospedeiro, o milho o que torna a rotação de cultura uma medida eficiente no controle dessa doença. A disseminação dos conídios pode ocorrer pela ação da chuva ou do vento.

Manejo da doença: Utilização de cultivares resistentes e rotação de culturas. principalmente em áreas onde se utiliza o Sistema Plantio Direto. Evitar altas densidades de semeadura. Realizar adubações de acordo com as recomendações técnicas para evitar desequilibrios nutricionais nas plantas de milho.

As práticas da aração e gradagem quando associadas à rotação de culturas, reduzem significativamente a quantidade de inóculo do patógeno no solo e consequentemente a intensidade da doença nas próximas semeaduras.


Podridão por Fusarium

Etiologia: é uma doença causada por várias especies de Fusarium entre elas F. moniliforme e F. moniliforme var. subglutinans que também causam a podridão rosada das espigas.

Sintomas: Em plantas infectadas, o tecido dos entrenós inferiores geralmente adquire coloração avermelhada que progride de forma uniforme e contínua da base em direção à parte superior da planta. Embora a infecção do colmo possa ocorrer antes da polinização, os sintomas só se tornam visíveis logo após a polinização e aumentam em severidade à medida que as plantas entram em senescência. A infeção pode se iniciar pelas raízes e é favorecida por ferimentos causados por nematóides ou pragas subterrâneas.

Epidemiologia: Esse patógeno é um fungo de solo capaz de sobreviver nos restos de cultura na forma de micélio e apresenta várias espécies vegetais como hospedeiras o que torna a medida de rotação de cultura pouco eficiente. Frequentemente pode ser encontrado associado às sementes. A disseminação dos conídios se dá através do vento ou da chuva.

Manejo da doença: Uso de cultivares resistentes. Evitar altas densidades de semeadura. Realizar adubações de acordo com as recomendações técnicas para evitar desequilibrios nutricionais nas plantas de milho.


Podridão por Colletotrichum

Etiologia: Essa podridão, também denominada de antracnose do colmo, é causada pelo fungo Colletotrichum graminicola. Esse fungos pode infectar todas as partes da planta de milho, resultando diferentes sintomas nas folhas, no colmo, na espiga, nas raízes e no pendão.

Sintomas: Embora esse patógeno possa infectar as plantas nas fases iniciais de seu desenvolvimento, os sintomas são mais visíveis após o florescimento. A podridão do colmo é caracterizada pela formação, na casca, de lesões encharcadas, estreitas, elípticas na vertical ou ovais. Posteriormente tornam;-se marrom-avermelhadas e, finalmente marrom-escuras a negras. As lesões podem coalescer, formando extensas áreas necrosadas de coloração escura-brilhante. O tecido interno do colmo apresenta, de forma contínua e uniforme, coloração marrom-escura podendo se desintegrar, levando a planta à morte prematura e ao acamamento (Fig. 10).

Fig. 10 Podridão por Colletotrichum

podridão

Foto: Alexandre da Silva Ferreira


Epidemiologia: C. graminicola pode sobreviver em restos de cultura ou em sementes, na forma de micélio e conídios. A disseminação dos conidios se dá por respingos de chuva. A infecção do colmo pode ocorrer pelo ponto de junção das folhas com o colmo ou através de raízes. A antracnose é favorecida por longos períodos de altas temperaturas e umidade principalmente na fase de plântula e após o florescimento.

Manejo da doença: Utilização de cultivares resistentes não só à podridão do colmo por C. graminicola mas também às doenças foliares. A rotação de culturas é imprescindível no Sistema Plantio Direto. Tratamento de sementes com fungicidas. Realizar adubações de acordo com as recomendações técnica para evitar desequilíbrios nutricionais nas plantas de milho. Aração e gradagem são práticas que, associadas à rotação de cultura, reduzem significativamente a quantidade de inóculo do patógeno no solo e consequentemente a intensidade da doença nas próximas semeaduras.


Podridão por Macrophomina

Etiologia: É causada pela fungo Macrophomina phaseolina.

Sintomas: A infeção das plantas se inicia pelas raízes. Embora essa infecção possa ocorrer nos primeiros estádios de desenvolvimento da planta, os sintomas são visíveis nos entrenós inferiores, após a polinização. Internamente, o tecido da medula se desintegra permanecendo intactos somente os vasos lenhosos sobre os quais é possível observar a presença de numerosos pontinhos negros que conferem internamente ao colmo, uma cor cinza típica (Fig. 11).


Fig. 11 Podridão por Macrophomina

podridão por macro

Foto: Alexandre da Silva Ferreira


Epidemiologia: A podridão por Macrophomina é favorecida por altas temperaturas (37 oC) e baixa umidade no solo. A sobrevivência de M. phaseolina no solo bem como sua disseminação ocorre na forma de esclerócios. Esse fungo apresenta um grande número de hospedeiros inclusive o sorgo e a soja o que torna a rotação de cultura uma medida de controle pouco eficiente.

Manejo da doença: Utilização de cultivares resistentes Promover uma irrigação adequada em anos de pouca chuva. Evitar altas densidades de semeadura. Realizar adubações de acordo com as recomendações técnicas para evitar desequilibrios nutricionais nas plantas de milho


Podridão por Pythium

Etiologia: É causada pelo fungo Pythium aphanidermatum.

Sintomas: Essa podridão é do tipo aquosa assemelhando-se às podridões por bactéria. Difere dessas por ficar típicamente restrita ao primeiro entrenó acima do solo enquanto que as bacterioses atingem vários entrenós (Fig. 12). As plantas antes de tombarem, geralmente sofrem uma torção. Plantas tombadas permanecem verdes por algum tempo visto que os vasos lenhosos permanecem intactos.

Fig. 12 Podridão por Pythium

podridão por phytium

Foto:Fernando Tavares Fernandes


Epidemiologia: Esse fungo sobrevive no solo, apresenta elevado número de espécies vegetais hospedeiras e é capaz de infectar plantas de milho jovens e vigorosas, antes do florescimento. Essa podridão é favorecida por temperaturas em torno de 32 oC e alta umidade no solo proporcionada por prolongados períodos de chuva ou irrigação excessiva.

Manejo da doença: Manejo adequado da água de irrigação.


Podridões bacterianas

Etiologia: Várias espécies de bactérias do gênero Pseudomonas e Erwinia causam podridões do colmo em plantas de milho.

Sintomas: As podridões causadas por bactérias são do tipo aquosa e quando causadas por Erwinia exalam tipicamente um odor desagradável. Em geral iniciam-se nos entrenós próximos ao solo e rapidamente atingem os entrenós superiores.
Essas podridões podem também se iniciar pela parte superior do colmo causando a "podridão do cartucho por
Erwinia". Os sintomas típicos dessa doença são as murcha e a seca das folhas do cartucho decorrentes de uma podridão aquosa na base desse cartucho. As folhas se desprendem facilmente e exalam um odor desagradável (Fig. 13). Na bainha das outras folhas pode-se observar a presença de lesões encharcadas (anasarcas). Pode ocorrer o apodrecimento dos entrenós inferiores ao cartucho e a murcha do restante da planta. Ferimentos no cartucho causados por insetos podem favorecer a incidência dessa podridão.


Fig. 13 Podridões bacterianas

podridão bacterina

Foto:Fernando Tavares Fernandes


Epidemiologia:
Essas podridões são favorecidas por altas temperaturas associadas a altos teores de umidade.

Manejo da doença: Manejo adequado da água de irrigação e melhoria no sistema de drenagem do solo.


Podridão de raizes

Etiologia: Pode ser causada por várias espécies de Fusarium e de Pythium além daqueles microorganismos causadores de podridões do colmo.

Sintomas: Os sintomas típicos dessa podridão no sistema radicular são raízes com coloração escuras e apodrecidas. Os sintomas na parte aérea são enfezamento, clorose, mau enchimento dos grãos e murcha (Fig. 14).


Fig. 14 Podridão de raízes

podridão raizes

Foto:Fernando Tavares Fernandes


Manejo da doença: Manejo adequado da água de irrigação e melhoria no sistema de drenagem do solo.



Doenças causadas por molicutes e por vírus

Rayado Fino (Maize Rayado Fino Virus)

Importância e Distribuição: A virose rayado fino, também, denominada de risca, pode reduzir a produção de grãos em até 30% e ocorre nas principais regiões produtoras de milho. Essa doença é transmitida e disseminada por uma cigarrinha de cor palha, tamanho de 0,5cm, denominada Dalbullus maidis (Fig. 15).


Fig. 15 Dalbullus maidis

dalbullus

Fonte: Ortega/CIMMYT (1987)


Sintomas:
Os sintomas característicos são riscas formadas por numerosos pontos cloróticos coalescentes ao longo das nervuras que são facilmente observados quando as folhas são colocadas contra a luz (Fig. 16).


Fig. 16 Sintoma de rayado fino

rayado

Foto: José Magid Waquil


Epidemiologia: O virus do rayado fino ocorre sistemicamente na planta de milho que é transmitido de forma persistente propagativa pela cigarrinha Dalbullus maidis que ao se alimentar em plantas doentes adquire o virus que o transmite para plantas sadias. O período latente entre a aquisição desse virus e sua transmissão varia de 7 a 37 dias. A incidência e a severidade dessa doença são influenciadas por grau de susceptibilidade da cultivar, por semeaduras tardios e por população elevada de cigarrinha coincidente com fases iniciais de desenvolvimento da lavoura de milho. O milho é principal hospedeiro tanto do virus como da cigarrinha.

Controle: O método mais eficiente e econômico para controlar o virus rayado fino é a utilização de cultivares resistentes. Práticas culturais recomendadas que reduzem a incidência dessa doença no milho são: eliminação de plantas voluntárias de milho, fazer o pousio por um período de dois a três meses sem a presença de plantas de milho, alterar a época de semeadura evitando, as semeaduras tardias e sucessivas de milho.


Mosaico comum do milho

Maize Dwarf Mosaic Virus (MDMV)

Sugar Cane Mosaic Virus (SCMV)

Johnson Grass Mosaic Virus (JGMV)

Sorghum Mosaic Virus (SrMV)

Importância e Distribuição: O mosaico comum do milho ocorre, praticamente, em toda região onde se cultiva o milho. Calcula-se que essa doença pode causar uma redução na produção de 50%.

Sintomas: Os sintomas caracterizam-se pela formação nas folhas de manchas verde claro com áreas verde normal dando um aspecto de mosaico (Fig. 17). As plantas doentes são, normalmente, menores em altura e em tamanho de espigas e de grãos.


Fig. 17 Mosaico comum do milho

mosaico comum

Foto: José Magid Waquil


Agente Causal:
O mosaico comum do milho é causado por um complexo viral pertencente ao grupo Potyvirus. Dentre eles incluem-se o "Maize Dwarf Mosaico Virus" (MDMV), O "Sugar Cane Mosaico Virus" (SCMV), o "Johnson Grss Mosaico Virus" (JGMV) e o "Sorghum Mosaico Virus" (SrMV).

Epidemiologia: A transmissão do mosaico comum do milho é feita por várias espécies de pulgões. Os vetores mais eficientes são as espécies Ropalosiphum maidis, Schizophis graminum e Myzus persicae. Os insetos vetores adquirem os vírus em poucos segundos ou minutos e os transmitem, também, em poucos segundos ou minutos. A transmissão desses vírus pode ser feita, também, mecanicamente. Mais de 250 espécies de gramíneas são hospedeiras dos vírus do mosaico comum do milho.

Controle: A utilização de cultivares resistentes é o método mais eficiente para controlar essa virose. A eliminação de outras plantas hospedeiras pode contribuir na redução da incidência dessa doença. A aplicação de inseticidas para o controle dos vetores não tem sido um método muito efetivo no controle do mosaico comum do milho.


Enfezamentos
Pálido (Spiroplasma)
Vermelho (Phytoplasma)

Importância e Distribuição: Os enfezamentos do milho, causados por Spiroplasma e por Phytoplasma, são considerados doenças importantes para a cultura do milho por afetarem a produtividade desse cereal e por sua ocorrência generalizada nas principais regiões produtoras de milho. Essas doenças são transmitidas e disseminadas por uma cigarrinha de cor palha, tamanho de 0,5cm, denominada Dalbulus maidis (Fig. 15).


Sintomas:

Enfezamento pálido: Os sintomas característicos são estrias esbranquiçadas irregulares na base das folhas que se estendem em direção ao ápice (Fig. 18). Normalmente, as plantas são raquíticas devido ao encurtamento dos entrenós, pode haver uma proliferação de espigas pequenas e sem grãos. Quando há produção de grãos, eles são pequenos, manchados e frouxos na espiga. As plantas podem secar precocemente.


Fig. 18 Sintoma de enfezamento pálido

enfezamento

Foto: José Magid Waquil


Enfezamento vermelho: Os sintomas típicos dessa doença são o avermelhamento das folhas, a proliferação de espigas, perfilhamento na base da planta e nas axilas foliares e encurtamento dos entrenós (Fig. 19).


Fig. 19 Perfilhamento na base da planta e nas axilas foliares e encurtamento dos entrenós.

perfilhamento

Foto: José Magid Waquil


Agente Causal: O enfezamento pálido é causado por procarionte pertencente ao gênero Spiroplasma denominado pelo nome comum espiroplasma. O enfezamento vermelho é causado por procarionte pertencente ao gênero Phytoplasma denominado pelo nome comum fitoplasma.

Epidemiologia: Molicutes Spiroplasma e Phytoplasma ocorrem somente em células do floema de plantas doentes de milho que são transmitidos de forma persistente propagativa pela cigarrinha Dalbulus maidis que ao se alimentar em plantas doentes adquire os molicutes que os transmite para as plantas sadias. O período latente entre a aquisição do patógeno e sua transmissão pela cigarrinha varia entre 12 e 28 dias para Spiroplasma enquanto para Phytoplasma a variação é de 22 a 26 dias. A incidência e severidade dessas doenças são influenciadas por grau de susceptibilidade da cultivar, por semeaduras tardias, temperaturas elevadas e densidade elevada de cigarrinhas coincidente com fases iniciais de desenvolvimento da lavoura de milho.

Controle: O controle dessas doenças mais eficiente é a utilização de cultivares resistentes. Outras práticas recomendadas para o manejo dessas doenças são: evitar semeaduras sucessivas de milho, fazer o pousio por período de dois a três meses sem a presença de plantas de milho e alterar a época de semeadura evitando-se a semeadura tardia do milho.



Doenças Causadas Por Nematóides

Mais de 40 espécies de 12 gêneros de nematóides têm sido citadas como parasitas de raízes de milho, em todas as áreas do mundo onde este cereal é cultivado. No Brasil, as espécies mais importantes, devido à patogenicidade, à distribuição e à alta densidade populacional, são Pratylenchus brachyurus, Pratylenchus zeae, Helicotylenchus dihystera, Criconemella spp., Meloidogyne spp. e Xiphinema spp. Resultados de pesquisa demonstram que o controle químico de nematóides na cultura do milho permitiu o aumento da produção de grãos em 39%, em área naturalmente infestada por Pratylenchus zeae e Helicotylenchus dihystera. Há também em grãos de milho relatos de aumento de produtividade de 699 kg/ha, em parcelas experimentais, devido ao controle químico de Pratylenchus sp. e Helicotylenchus sp.

A ocorrência de nematóides do gênero Meloidogyne parasitando o milho e causando prejuízos significativos em condições naturais, foi relatada no Brasil em 1986, tendo sido identificado como Meloidogyne incognita raça 3, em raízes de plantas de milho que não se desenvolveram. Contudo, o milho está entre as culturas mais recomendadas para a rotação em áreas infestadas por Meloidogyne spp. Atualmente, devido à necessidade de se controlar o nematóide do cisto (Heterodera glycines) na cultura da soja, o milho tem sido uma alternativa para a rotação de cultura, pois não é parasitado por este nematóide. Por outro lado, estas duas culturas podem ser parasitadas por nematóides do gênero Meloidogyne, notadamente por M. incognita e M. javanica.


Sintomas

As injúrias por nematóides variam com o gênero e a população do nematóide envolvido, condições do solo e a idade da planta de milho. Os sistemas radiculares parasitados por nematóides são menos eficientes na absorção de água e nutrientes da solução do solo. Conseqüentemente, uma planta parasitada tem seu crescimento reduzido, apresenta sintomas de deficiências minerais e a produção é reduzida. Uma cultura de milho atacada por nematóides apresenta, em sua parte aérea, os seguintes sintomas: plantas enfezadas e cloróticas, sintomas de murcha durante os dias quentes, com recuperação à noite, espigas pequenas e mal granadas. Esses sintomas dão à cultura do milho uma aparência de irregularidade, podendo aparecer em reboleiras ou em grandes extensões. Quando esses sintomas, observados na parte aérea, são causados por nematóides, as raizes apresentam os seguintes sintomas:

  1. Encurtamento e engrossamento das raízes : Trichodorus spp., Longidorus spp. e Belonolaimus spp.Sistema radicular práticamente destituido de radicelas: Xiphinema spp., Tylenchorhynchus spp., Helicotylenchus spp., Belonolaimus spp. e Macroposthonia spp.Sistema radicular praticamente destituído de radicelas e com lesões radiculares e raízes apodrecidas : Pratylenchus spp., Xiphinema spp., Hoplolaimus spp. e Helicotylenchus spp.

  2. Sistema radicular com pequenas galhas : Meloidogyne spp.


Fator de Reprodução (FR) do nematóide

É necessário conhecer muito bem o Fator de Reprodução (FR) das espécies de nematóides que parasitam as cultivares de milho disponíveis regionalmente. O FR expressa se a cultivar é excelente, boa, fraca ou não hospedeira do nematóide presente na área de cultivo do milho, em relação à população inicial presente no solo infestado por este nematóide. Isto é, o FR representa a população do nematóide no estádio final da cultura / população inicial do nematóide presente na ocasião de semeadura. Consequentemente, a cultivar de milho a ser utilizada em plantios comerciais ou em rotação com a cultura da soja deve apresentar FR < 1, se possível igual a zero ou próximo de zero.

Na avaliação da reação de 107 genótipos de milho a Meloidogyne incognita raças 1, 2, 3 e 4 e a M. arenaria raça 2; incluindo populações de polinização aberta, linhagens, cruzamentos intervarietais e híbridos comerciais; os resultados mostraram que todos os genótipos foram bons hospedeiros desses nematóides. O FR para Meloidogyne incognita raça 1 variou de 8,5 a 24,3 e para a raça 3 variou de 5,3 a 34,8; enquanto que para M. arenaria raça 2, variou de 16,2 a 31,9. Estes resultados mostram a existência de variabilidade genética entre os genótipos avaliados. Ademais, em outro ensaio de resistência à Meloidogyne incognita raça 3, empregando-se 29 cultivares de milho recomendadas para o Estado de São Paulo; todas as cultivares mostraram-se suscetíveis ao nematóide (FR > 1). Contudo, entre as cultivares avaliadas as que apresentaram menor FR foram: BR 206 (4,9), BR 205 (5,1), IAC Taiúba (5,9), XL 660 (8,0) e Agromen 2012 (9,5); sendo portanto as alternativas possíveis para o plantio em áreas infestadas por M. incognita raça 3.

O milho tem sido uma cultura amplamente recomendada para rotação em áreas infestadas com Meloidogyne javanica. No entanto, mesmo não mostrando sintomas de galhas evidentes, algumas cultivares podem permitir acentuada multiplicação deste nematóide. Em avaliação de 36 genótipos de milho em relação à patogenicidade de Meloidogyne javanica todos eles apresentaram o FR < 1, indicando que estes genótipos diminuiram a população inicial deste nematóide no solo. Adicionalmente, há informação de que a cultivar Hatã é resistente a M. javanica. Contudo, recentemente em 18 genótipos de milho avaliados todos comportaram-se como bons hospedeiros de Meloidogyne javanica, com o FR variando de 2,2 a 6,9.


Controle

A utilização de cultivares resistentes é a medida mais eficiente e econômica de controle dos nematóides que parasitam a cultura do milho. A rotação de cultura com espécie botânica não hospedeira do nematóide presente na área de cultivo do milho também é recomendada. Ademais, a utilização de plantas armadilha como Crotalaria spectabilis, as quais atraem e aprisionam larvas de nematóides, é especificamente recomendada para o controle de Meloidogyne spp. Não obstante, a Crotalaria juncea possui alto potencial de multiplicação dos nematóides Pratylenchus spp. e Helicotylenchus spp., enquanto que a rotação com mucuna preta (Mucuna aterrima) diminui as populações iniciais de Pratylenchus spp. O controle químico dos nematóides parasitas do milho depende da disponibilidade de produtos registrados no MAPA, bem como da análise econômica da utilização desta tecnologia


Qualidade sanitária de grãos

Introdução

Os grãos de milho podem ser danificados por fungos em duas condições específicas, isto é, em pré-colheita (podridões de espigas com a formação de grãos ardidos) e em pós-colheita dos grãos durante o beneficiamento, armazenamento e transporte (grãos mofados ou embolorados). No processo de colonização dos grãos, muitas espécie denominadas de fungos toxigênicos, pode além dos danos físicos (descolorações dos grãos, reduções nos conteúdos de carboidratos, de proteínas e de açúcares totais) podem produzir substâncias tóxicas denominadas de micotoxinas. É importante ressaltar que, a presença do fungo toxigênico não implica necessariamente na produção de micotoxinas, as quais estão intimamente relacionada à capacidade de biossíntese do fungo e das condições ambientais predisponentes, como em alguns casos, da alternância das temperaturas diurna e noturna.


Produção de grãos ardidos

Os grãos ardidos em milho são o reflexo das podridões de espigas, causadas principalmente pelos fungos presentes no campo: Diplodia maydis (Stenocarpela maydis), Diplodia macrospora (Stenocarpela macrospora), Fusarium moniliforme, F. subglutinans, F. graminearum, F. sporotrichioides e Gibberella zeae. Ocasionalmente, no campo, há produção de grãos ardidos pelos fungos Penicillium oxalicum. e Aspergillus flavus e A. parasiticus. Os fungos F. graminearum, F. sporotrichioides e Diplodia maydis são mais freqüente nos Estados do sul do Brasil; e F. moniliforme, F. subglutinans e Diplodia macrospora nas demais regiões produtoras de milho. A seguir serão descritas as principais podridões de espigas ocorrentes no Brasil.


Podridão Branca da Espiga

A podridão branca da espiga é causada pelos fungos Diplodia maydis (Stenocarpela maydis) e Diplodia macrospora (Stenocarpela macrospora). As espigas infectadas apresentam os grãos de cor marrom, de baixo peso e com crescimento micelial branco entre as fileiras de grãos. No interior da espiga ou nas palhas das espigas infectadas, há a presença de numerosos pontinhos negros (picnídios), que são as estruturas de frutificação do patógeno. Uma característica peculiar entre as duas espécies de Diplodia é que apenas a D. macrospora ataca as folhas do milho. A precisa distinção entre estas espécies só é possível mediante análises microscópicas, pois comparativamente os esporos de D. macrospora são maiores e mais alongados do que os de D. maydis. Os esporos destes fungos sobrevivem dentro dos picnídios no solo e nos restos de cultura contaminados, e nas sementes na forma de esporos e de micélio dormente, sendo estas as fontes primárias de inóculo para a infecção das espigas. A infecção pode se iniciar em qualquer uma das extremidades das espigas. Entretanto, as espigas mal empalhadas ou com palhas frouxas ou que não se dobram após a maturidade fisiológica são as mais suscetíveis. A alta precipitação pluviométrica na época da maturação dos grãos favorece o aparecimento desta doença. A evolução da podridão praticamente cessa quando o teor de umidade dos grãos atinge 21 a 22%, em base úmida. O manejo integrado par o controle desta podridão de espiga envolve a utilização de cultivares resistentes; de sementes livres dos patógenos; da destruição de restos culturais de milho infectados; e da rotação de culturas, visto que o milho é o único hospedeiro destes patógenos.


Podridão Rosada da Espiga

Essa podridão é causada por Fusarium moniliforme ou por Fusarium subglutinans . Esses patógenos apresentam elevado número de plantas hospedeiras, sendo, por isso, considerados parasitas não especializados. A infecção pode se iniciar pelo topo ou por qualquer outra parte da espiga, mas sempre asssociada a alguma injúria (insetos, pássaros). Com o desenvolvimento da doença, uma massa cotonosa avermelhada pode recobrir os grãos infectados ou a área da palha atingida. Em alguns grãos, pode haver o aparecimento de estrias brancas no pericarpo causadas pela ação do fungo. Quando a infecção ocorre através do pedúnculo da espiga, todos os grãos podem ser infectados, mas a infecção só se desenvolverá naqueles que apresentarem alguma injúria no pericarpo. O desenvolvimento dos patógenos nas espigas é paralisado quando o teor de umidade dos grãos atinge 18 a 19%, em base úmida. Embora esses fungos sejam freqüentemente isolados das sementes, estas não são a principal fonte de inóculo. Como estes fungos possuem a fase saprofítica ativa, sobrevivem e se multiplicam na matéria orgânica, no solo, sendo essa a fonte principal de inóculo.


Podridão Rosada da Ponta da Espiga

Esta podridão de espiga é conhecida também pelo nome de podridão de giberela (Gibberella zeae), sendo mais comum em regiões de clima ameno e de alta umidade relativa. A ocorrência de chuvas após a polinização propicia a ocorrência desta podridão de espiga. Esta doença inicia-se com uma massa cotonosa avermelhada na ponta da espiga e pode progredir para a base da espiga. A palha pode ser colonizada pelo fungo e tornar-se colada na espiga. Ocasionalmente, esta podridão pode iniciar-se na base e progredir para a ponta da espiga, confundindo o sintoma com aquele causado por Fusarium moniliforme ou F. subglutinans. Chuvas freqüentes no final do desenvolvimento da cultura, principalmente em lavoura com cultivar com espigas que não dobram, aumentam a incidência desta podridão de espiga. Este fungo sobrevive nas sementes na forma de micélio dormente. A forma anamórfica de G. zeae é denominada de Fusarium graminearum.

A produção de grãos ardidos em ensaio com 78 cultivares de milho está relacionada na Tabela 1.


Produção de Micotoxinas

Atualmente, os grãos ardidos, constituem-se, num dos principais problemas de qualidade do milho, devido a possibilidade da presença de micotoxinas, tais como aflatoxinas (Aspergillus flavus e A. parasiticus), fumonisinas (Fusarium moniliforme e F. subglutinans), zearalenona (Fusarium graminearum e F. poae), vomitoxinas (Fusarium moniliforme), toxina T-2 (Fusarium sporotrichioides), entre outras. As perdas qualitativas por grãos ardidos são motivos de desvalorização do produto e uma ameaça à saúde dos rebanhos e humana. Como padrão de qualidade têm-se, em algumas agroindústrias, a tolerância máxima de 6% para grãos ardidos em lotes comerciais de milho.

O gênero Fusarium tem uma faixa de temperatura ótima para o seu desenvolvimento situada entre 20 a 25 ºC. Contudo, suas toxinas são produzidas à temperaturas baixas, isto significa que o Fusarium produz as micotoxinas sob o efeito de choque térmico, principalmente com alternância das temperaturas, principalmente a diurna e a noturna. Para a produção de zearalenona a temperatura ótima está em torno de 10-12 °C.


Tabela 1- Porcentagem de grãos ardidos em cultivares de milho, oriundos da safrinha 2001, de ensaio conduzido pela Coopervale, Palotina, PR. Embrapa Milho e Sorgo, Sete Lagoas, MG, 2001.

Tratamento

Cultivar

Ardidos*

Tratamento

Cultivar

Ardidos*

1

AG-9050

6,2

40

AS-2001 7

1,0

2

AG-9010

3,3

41

AGN-3180

3,4

3

AS-1544

0,2

42

BR-3123

0,7

4

AGN-3050

1,2

43

PL-6440

4,9

5

A-2005

0,3

44

CD-302

1,9

6

DKB-440

2,2

45

CDX-T 195

2,7

7

DKB-770

2,4

46

DKB-350

1,5

8

DKB-909

3,4

47

MASTER

1,1

9

DKB-901

2,0

48

EXCELER

0,6

10

FLASH

0,9

49

P-3021

3,4

11

D-766

2,1

50

Z-8330

3,0

12

AG-6016

0,9

51

Z-8440

1,1

13

AGN-3150

3,2

52

CO-32

2,3

14

PL-6001

4,9

53

Z-8550

2,4

15

DOMINIUM

5,1

54

BRS-3133

1,5

16

SHS-5050

1,4

55

BRS-3101

2,8

17

SHS-5070

3,0

56

BRS-3150

0,4

18

XB-7070

1,3

57

XB-7011

0,9

19

AG-3010

1,4

58

DKB-747

6,3

20

AGN-3100

2,5

59

AS-523

1,6

21

AGN-2012

8,2

60

AS-32

2,8

22

AG-7575

3,6

61

OC-705

5,2

23

A-2288

11,6

62

CDX-D 60

2,2

24

A-2560

2,8

63

BRS-2114

1,6

25

CD-3121

1,1

64

BRS-2110

3,4

26

DKB-929

2,3

65

XB-8010

2,3

27

FORT

2,5

66

A-2555

2,1

28

TORK

1,1

67

P-X 1409 K

2,2

29

DCO-9560

2,1

68

P-X 1409 P

10,9

30

Z-8420

0,3

69

P-X 1399 H

3,9

31

AS-1533

1,1

70

P-X 1379 F

2,6

32

Z-8486

3,5

71

P-30K75

0,8

33

Z-8460

7,1

72

P-30F88

6,5

34

D-657

1,7

73

P-30F80

0,4

35

AG-8080

0,8

74

DK-333 B

6,5

36

AS-2001 3

6,2

75

P-X 1389 G

1,9

37

AS-3477

0,0

76

Z-8501

1,9

38

AS-2001 1

3,5

77

BRS-3060

0,4

39

AS-3466

0,5

78

PL-6880

2,3

Fonte: Embrapa Milho e Sorgo (2002).

*Peso da amostra de grãos/peso dos grãos ardidos


Controle da produção de grãos ardidos

A prevenção contra a infecção dos grãos de milho por fungos promotores de grãos ardidos deve levar em consideração um conjunto de medidas: a) utilizar cultivares de milho com grãos mais resistentes aos fungos dos gêneros Fusarium e Diplodia; b) realizar rotação de culturas com espécies de plantas não suscetíveis aos fungos dos gêneros Fusarium e Diplodia; c) interromper o monocultivo do milho; d) promover o controle das plantas daninhas hospedeiras de fungos do gênero Fusarium; e) usar sementes de alta qualidade sanitária; f) evitar altas densidades de plantio; g) utilizar cultivares de milho com espigas decumbentes; h) evitar colher espigas atacadas por insetos e pássaros; i) não colher espigas de plantas acamadas; j) não retardar a colheita e k) realizar o enterrio de restos culturais de milho infectados com fungos causadores de grãos ardidos.

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