Link para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Link para o Portal do Governo Brasileiro
Pragas

  Buscar  

 

   Busca Avançada

Embrapa Milho e Sorgo. Sistemas de Produção, 1. ISSN 1679-012 Versão Eletrônica - 3 ª edição. Nov./2007. Cultivo do Milho. Editor Técnico: José Carlos Cruz, zecarlos@cnpms.embrapa.br


A ocorrência de doenças, plantas daninhas e insetos pragas, juntos ou individualmente podem afetar significativamente o potencial produtivo da planta de milho. Também os insetos pragas em especial, podem afetar de maneira total ou parcial esse potencial produtivo. É possível encontrar em determinada região ou determinado ano agrícola, a presença de espécies de pragas que têm a capacidade de reduzir o número ideal de plantas, seja por danificar e matar a semente logo após o plantio, ou a plântula antes ou após a emergência. A planta também pode ser morta pelo efeito sinérgico do ataque dos insetos praga e pela competição com outros fatores, como plantas daninhas, doenças ou estresses abióticos como escassez de água, por exemplo. Em função da espécies de insetos e da época de ataque pode não ocorrer a morte da planta, e sim uma redução parcial de sua capacidade de produção. No entanto, como pode haver ataques por mais de uma espécie, o somatório das perdas pode atingir valores significativos, a ponto de comprometer a rentabilidade do agronegócio. O manejo de pragas tem sido considerado como fator fundamental para reduzir as perdas ocasionadas pelas pragas levando em consideração além dos aspectos econômicos, também os aspectos ambientais, notadamente quando ainda se considera a utilização de um inseticida químico como parte das táticas do manejo.

As pragas iniciais atacam as sementes, raízes e plântulas (Plantas jovens) do milho após a semeadura. O tipo de ataque reduz o número de plantas na área cultivada e o potencial produtivo da lavoura. Esses insetos são de hábito subterrâneo ou superficiais e a maioria das vezes passam despercebidos pelo agricultor, dificultando o emprego de medidas para o seu controle.

Os danos causados pelas pragas da fase vegetativa e reprodutiva do milho variam de acordo com o estádio fenológico da planta, condições edafoclimáticas, sistemas de cultivo e fatores bióticos localizados. Nessas fases, a cultura é atacada por várias espécies-praga.

A definição de manejo integrado de pragas (MIP) adotada por um painel organizado pela FAO enuncia: "Manejo Integrado de Pragas é o sistema de manejo de pragas que no contexto associa o ambiente e a dinâmica populacional da espécie, utiliza todas as técnicas apropriadas e métodos de forma tão compatível quanto possível e mantém a população da praga em níveis abaixo daqueles capazes de causar dano econômico".

Os fundamentos, tanto do Controle Integrado como do Manejo Integrado de Pragas, baseiam-se em quatro elementos: na exploração do controle natural, dos níveis de tolerância das plantas aos danos causados pelas pragas, no monitoramento das populações para tomadas de decisão e na biologia e ecologia da cultura e de suas pragas. Estas premissas implicam no conhecimento dos fatores naturais de mortalidade, nas definições das densidades populacionais ou da quantidade de danos causados pelas espécies-alvo equivalentes aos níveis de dano econômico (NDE) e de controle (NC), que fica imediatamente abaixo do NDE. Outra variável importante seria a determinação do nível de equilíbrio (NE) das espécies que habitam o agroecossistema em questão. Em função da flutuação da densidade da espécie-alvo e de sua posição relativa a esses três níveis (NE, NDE E NC) ao longo do tempo, as espécies podem ser classificadas em pragas-chave (densidade populacional sempre acima do NDE), pragas esporádicas (densidade na lavoura raramente atinge o NDE) e não-pragas (a densidade da espécie em questão nunca atinge o NDE). Mais recentemente tem sido proposto também o nível de não-controle (NNC), ou seja, a densidade populacional de uma ou mais espécies de inimigos naturais capaz de reduzir a população da espécie -alvo a níveis não econômicos, dispensando assim, a utilização de medidas de controle.


Pragas Iniciais

Vários insetos atacam as sementes, raízes e plântulas (Plantas jovens) do milho após a semeadura. O tipo de ataque reduz o número de plantas na área cultivada e o potencial produtivo da lavoura. Esses insetos são de hábito subterrâneo ou superficiais e a maioria das vezes passam despercebidos pelo agricultor, dificultando o emprego de medidas para o seu controle. A importância desses insetos variam de acordo com o local, ano e sistema de cultivo. As principais espécies, sua importância para a cultura, sintomas de danos e métodos de controle disponíveis são descritos a seguir:


Pragas que atacam sementes e raízes

Larva alfinete (Diabrotica spp.)

Importância econômica - No Brasil, a espécie predominante é a D. speciosa, cujos adultos (Fig. 1) alimentam-se das folhas de hortaliças, feijoeiro, soja, girassol, bananeira, algodoeiro e milho. As larvas, atacam as raízes do milho e tubérculos de batata. O prejuízo causado por essa larva tem sido expressivo nos Estados do Sul e em algumas áreas das regiões Sudeste e Centro-Oeste.

Fig. 1 Pragas que atacam sementes e raízes

pragas sementes e raizes

Foto: Ivan Cruz / Paulo Afonso Viana


Sintomas de danos -
a larva alimenta das raízes do milho (Fig. 2) e interfere na absorção de nutrientes e água, e também reduz a sustentação das plantas. O ataque, ocasiona o acamamento das plantas em situações de ventos fortes e de alta precipitação pluviométrica. Mais de 3,5 larvas por planta são suficientes para causar danos ao sistema radicular.


Fig. 2 Pragas que atacam sementes e raízes

pragas sementes e raizes 2

Foto: Ivan Cruz / Paulo Afonso Viana


Métodos de controle - No Brasil, o controle dessa larva é pouco realizado na cultura do milho e tem-se baseado quase que exclusivamente no emprego de inseticidas químicos (Tabela 1) aplicados via tratamento de sementes, granulados e pulverização no sulco de plantio. Excesso e baixa umidade do solo são desfavoráveis a larva. O método de preparo de solo influência a população desse inseto. A ocorrência da larva é maior em sistema de plantio direto do que em plantio convencional. Os agentes de controle biológico mais eficientes são através dos inimigos naturais, Celatoria bosqi, Centistes gasseni, e dos fungos Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae.


Tabela 1. Inseticidas registrados para o controle de insetos-praga na cultura do milho. 2002

Praga

Ingrediente ativo

Nome comercial

Form.

C.TOX.

Dose (p.c./ha)

Fabricante

Agrotis ipsilon

carbaryl

Carbaryl Fersol 480 SC

SC

II

2,0 - 3,0 l

Fersol



Carbaryl Fersol Pó 75

DP

III

15,0 - 20,0 kg

Fersol


carbofuran

Furadan 350 TS

SC

I

2,0 - 3,0 l/100 kg sem.

FMC



Ralzer 350 SC

SC

I

2,0 - 3,0 l/100 kg sem.

Fersol


terbufos

Counter 150 G

GR

I

13,0 kg

Basf



Counter 50 G

GR

I

40,0 kg

Basf


chlorpyrifos

Lorsban 480 BR

EC

II

1,0 l

Dow AgroSciences



Vexter

EC

II

1,0 l

Dow AgroSciences


cypermethrin

Galgotrin

EC

II

0,06 l

Chemotécnica Sintyal


lambdacyhalothrin

Karate Zeon 250 CS

CS

III

0,01 l

Syngenta


permethrin

Pounce 384 CE

EC

II

0,01 - 0,013 l

FMC

Astylus variegatus

carbofuran

Furadan 350 TS

SC

I

2,0 - 3,0 l/100 kg

sem.

Cornitermes snyderi

carbofuran

Furadan 350 TS

SC

I

2,0 - 3,0 l/100 kg sem.

FMC



Furazin 310 TS

SC

I

2,25 l/100 kg sem.

FMC


carbosulfan

Marshal TS

SC

II

2,0 - 2,8 l/100 kg sem.

FMC



Marzinc 250 TS

DS

II

2,0 kg/100 kg sem.

FMC

Daubulus maidis

imidaclorprid

Gaucho FS

SC

IV

0,8 l

Bayer


thiomethoxan

Cruiser

DP

III

0,15 - 0,2 kg/100 kg sem.

Syngenta

Deois flavopicta

carbofuran

Diafuran 50

GR

I

20,0 kg

Hokko


carbosulfan

Marshal TS

FS

II

2,4 - 2,8 l/100 kg sem.

FMC


imidacloprid

Gaucho FS

FS

IV

0,6 l/100 kg sem.

Bayer


thiamethoxan

Cruiser 700 WS

WS

III

0,15 - 0,20 kg/100 kg sem.

Syngenta


thiodicarb

Semevin 350

SC

III

2,0 l/100 kg sem.

Aventis

Diabrotica speciosa

chlorpyrifos

Astro

EW

III

2,6 l

Bayer



Lorsban 10 G

GR

IV

11,0 kg

Dow AgroSciences



Sabre

EW

III

2,6 l

Dow AgroSciences


fipronil

Regente 800 WG

WG

II

0,1 kg

Aventis


imidacloprid

Gaucho

WP

IV

0,7 kg/100 kg sem.

Bayer


phorate

Granutox 150 G

GR

II

17 kg

Basf


terbufos

Counter 50 G

GR

I

40 kg

Basf



Counter 150 G

GR

I

13 kg

Basf

Dichelops furcatus

imidacloprid

Gaucho FS

SC

IV

0,35 l/100 kg sem.

Bayer


thiamethoxan

Cruiser 700 WS

DP

III

0,3 kg/100 kg sem.

Syngenta

Diloboderus abderus

thiodicarb

Futur 300

SC

III

2,0 l/100 kg sem.

Aventis



Semevin 350

SC

III

2,0 l/100 kg sem.

Aventis

Elasmopalpus lignosellus

carbaryl

Carbaryl Fersol 480 SC

SC

II

2,0 - 2,3 l

Fersol



Carbaryl Fersol Pó 75

DP

III

15,0 - 20,0 kg

Fersol



Sevin 480 SC

SC

II

1,9 - 2,25 l

Aventis


carbofuran

Carbofuran Sanachem 350 TS

SC

I

2,0 - 3,0 l/100 kg sem.

Dow AgroSciences



Carboran Fersol 350 SC

SC

I

2,0 l/100 kg sem.

Fersol



Diafuran 50

GR

I

30 kg

Hokko



Furandan 350 SC

SC

I

3,0 - 4,0 l

FMC



Furadan 350 TS

SC

I

2,0 - 3,0 l/100 kg sem.

FMC



Furadan 50 G

GR

III

30,0 kg

FMC



Furazin 310 TS

SC

I

2,25 l/100 kg sem

FMC



Ralzer 350 SC

SC

I

2,0 - 3,0 l/100 kg sem.

Fersol



Ralzer 50 GR

GR

I

30,0 kg

Fersol


carbosulfan

Marshal TS

SC

II

2,4 - 2,8 l/100 kg sem.

FMC



Marzinc 250 TS

DP

II

2,0 kg/100 kg sem.

FMC


chlorpyrifos

Lorsban 480 BR

EC

II

1,0 l

Dow AgroSciences



Vexter

EC

II

1,0 l

Dow AgroSciences


furathiocarb

Promet 400 CS

SL

III

1,6 l/100 kg sem.

Syngenta


thiodicarb

Futur 300

SC

III

2,0 l/100 kg sem.

Aventis



Semevin 350

SC

III

2,0 l/100 kg sem.

Aventis

Frankliniella williamsi

imidacloprid

Gaucho FS

SC

IV

0,8 l/100 kg sem.

Bayer

Helicoverpa zea

carbaryl

Carbaryl Fersol 480 SC

SC

II

2,0 - 2,3 l

Fersol



Carbaryl Fersol Pó 75

DP

III

15,0 - 20,0 kg

Fersol



Sevin 480 SC

SC

II

1,90 - 2,25 l

Aventis


parathion-methyl

Bravik 600 CE

EC

I

0,45 - 0,67 l

Action


trichlorphon

Dipterex 500

SL

II

0,8 - 2,0 l

Bayer



Trichorfon 500 Milena

SL

II

1,0 - 2,0 l

Milenia

Mocis latipes

carbaryl

Carbaryl Fersol 480 SC

SC

II

2,0 - 2,3 l

Fersol



Carbaryl Fersol Pó 75

PD

III

15,0 - 20,0 kg

Fersol



Sevin 480 SC

SC

II

1,9 - 2,,25 l

Aventis


chlorpyrifos

Lorsban 480 BR

EC

II

0,6 l

Dow AgroSciences



Vexter

EC

II

0,6 l

Dow AgroSciences


malathion

Malathion 500 CE Sultox

EC

III

2,5 l

Action


parathion-methyl

Bravik 600 CE

EC

I

0,45 - 0,675 l

Action



Folisuper 600 BR

EC

I

0,25 - 0,65 l

Agripec


trichlorphon

Dipterex 500

SL

II

0,8 - 2,0 l

Bayer



Triclorfon 500 Milenia

SL

II

1,0 - 2,0 l

Milenia

Procornitermes triacifer

benfuracarb

Laser 400 SC

SC

II

1,75 - 2,5 l/100 kg sem.

Iharabras



Oncol Sipcam

SC

II

1,75 - 2,5 l/100 kg sem.

Sipcam


carbofuran

Furadan 350 TS

SC

I

2,0 - 3,0 l/100 kg sem.

FMC



Furazin 310 TS

SC

I

2,25 l/100 kg sem.

FMC


carbosulfan

Marshal TS

SC

II

2,0 - 2,8 l/100 kg sem.

FMC



Marzinc 250 TS

DS

II

2,0 kg/100 kg sem.

FMC


imidacloprid

Gaucho FS

FS

IV

0,25 l/100 kg sem.

Bayer


terbufos

Counter 50 G

GR

I

40 kg

Basf



Counter 150 G

GR

I

13 kg

Basf

Rhopalosiphum maidis

imidacloprid

Gaucho FS

SC

IV

0,8 l/100 kg sem.

Bayer

Scaptocoris castanea

terbufos

Counter 50 G

GR

I

40 kg

Basf



Counter 150 G

GR

I

13 kg

Basf

Spodoptera

alpha-cypermethrin

Fastac 100 SC

SC

III

0,05 l

Basf

frugiperda

beta-cyfluthrin

Bulldock 125 SC

SC

II

0,04 l

Bayer



Full

EC

II

0,1 l

Bayer



Novapir

EC

II

0,1 l

Cheminova



Turbo

EC

II

0,1 l

Bayer


carbaryl

Carbaryl Fersol 480 SC

SC

II

2,0 - 2,3 l

Fersol



Carbaryl Fersol Pó 75

DP

III

15,0 - 20,0 kg

Fersol Ltda.



Sevin 480 SC

SC

II

1,9 - 2,25 l

Aventis


carbofuran

Carbofuran Sanachem 350 TS

SC

I

2,0 - 3,0 l

Dow AgroSciences



Carboran Fersol 350 SC

SC

I

2,0 kg/100 kg sem.

Fersol



Diafuran 50

GR

I

20,0 - 30,0 kg

Hokko



Furadan 350 TS

SC

I

2,0 - 3,0 l/100 kg sem.

FMC



Furadan 50 G

GR

III

20,0 - 30,0 kg

FMC



Ralzer 350 SC

SC

I

2,0 - 3,0 l/100 kg sem.

Fersol



Ralzer 50 GR

GR

I

20,0 - 30,0 kg

Fersol


chlorfenapyr

Pirate

SC

III

0,5 - 0,75 l

Basf


chlorfluazuron

Atabron 50 CE

EC

I

0,15 - 0,3 l

Ishihara


chlorpyrifos

Astro

EW

III

0,3 - 0,5 l

Bayer



Clorpirifós Fersol 480 CE

EC

II

0,4 - 0,6 l

Fersol



Clorpirifos Sanachem 480 CE

EC

I

0,4 - 0,6 l

Dow AgroSciences



Klorpan 480 CE

EC

II

0,4 - 0,6 l

Agripec



Lorsban 480 BR

EC

II

0,4 - 0,6 l

Dow AgroSciences



Nufos 480 CE

EC

III

0,4 - 0,6 l

Cheminova



Pyrinex 480 CE

EC

II

0,4 l

Agricur



Sabre

EW

III

0,3 - 0,5 l

Dow AgroSciences



Vexter

EC

II

0,4 - 0,6 l

Dow AgroSciences


cyfluthrin

Baytroid CE

EC

III

0,3 l

Bayer


cypermethrin

Arrivo 200 CE

EC

III

0,05 - 0,08 l

FMC



Cipermetrina Nortox 250 CE

EC

I

0,04 - 0,065 l

Nortox



Cipertrin

EC

II

0,05 - 0,06 l

Prentiss



Commanche 200 CE

EC

III

0,05 - 0,06 l

FMC.



Cyptrin 250 CE

EC

I

0,05 - 0,06 l

Agripec



Galgotrin

EC

II

0,05 l

Chemotécnica Sintyal



Ripcord 100

EC

II

0,1 l

Basf


deltamethrin

Decis 25 CE

EC

III

0,2 l

Aventis



Decis 4 UBV

UL

III

1,3 - 2,0 l

Aventis



Decis 50 SC

SC

IV

0,05 - 0,075 l

Aventis



Decis Ultra 100 CE

EC

I

0,04 - 0,05 l

Aventis



Keshet 25 CE

EC

I

0,2 l

Agricur


deltamethrin + triazophos

Deltaphos

EC

I

0,25 - 0,35 l

Aventis


diflubenzuron

Dimilin

WP

IV

0,1 kg

Uniroyal


enxofre

Kumulus DF

WG

IV

1,0 kg

Basf


esfenvalerate

Sumidan 25 CE

EC

I

0,6 - 0,8 l

Sumitomo


etofenprox

Trebon 300 CE

EC

III

0,07 - 0,1 l

Sipcam


fenitrothion

Sumibase 500 CE

EC

II

1,0 - 2,0 l

Sumitomo



Sumithion 500 CE

EC

II

1,0 - 1,5 l

Sumitomo


fenpropathrin

Danimen 300 CE

EC

I

0,1 - 0,12 l

Sumitomo


furathiocarb

Promet 400 CS

SL

III

1,6 l/100 kg sem.

Syngenta


lambda-cyhalothrin

Karate 50 CE

EC

II

0,15 l

Syngenta



Karate Zeon 250 CS

CS

III

0,03 l

Syngenta



Karate Zeon 50 CS

CS

III

0,15 l

Syngenta


lufenuron

Match CE

EC

IV

0,3 l

Syngenta


malathion

Malathion 500 CE Sultox

EC

III

2,5 l

Action


methomyl

Lannate BR

SL

I

0,6 l

Du Pont



Lannate Express

SL

II

0,6 l

Du Pont



Methomex 215 LS

SL

II

0,6 l

Agricur


methoxyfenozide

Intrepid 240 SC

SC

IV

0,15 - 0,18 l

Dow AgroSciences



Valient

SC

IV

0,15 - 0,18 l

Bayer


monocrotophos

Agrophos 400

SL

I

0,6 - 0,9 l

Agripec


novaluron

Gallaxy 100 CE

EC

IV

0,15 l

Agricur



Rimon 100 CE

EC

IV

0,15 l

Agricur


parathion-methyl

Bravik 600 CE

EC

I

0,45 - 0,675 l

Action



Folidol 600

EC

II

0,45 - 0,675 l

Bayer



Folidol ME

CS

III

0,7 l

Bayer



Folisuper 600 BR

EC

I

0,25 - 0,65 l

Agripec



Mentox 600 CE

EC

II

0,65 l

Prentiss



Paracap 450 MCS

CS

III

0,7 l

Cheminova



Parathion Metílico Pikapau

DP

I

0,65 l

Químicas São Vicente


permethrin

Ambush 500 CE

EC

II

0,05 l

Syngenta



Corsair 500 CE

EC

II

0,1 l

Aventis.



Permetrina Fersol 384 CE

EC

I

0,1 - 0,13 l

Fersol



Piredan

EC

II

0,065 l

Du Pont



Pounce 384 CE

EC

II

0,065 l

FMC



Talcord 250 CE

EC

II

0,1 l

Basf



Valon 384 CE

EC

II

0,065 l

Dow AgroSciences


profenofos

Curacron 500

EC

III

0,5 l

Syngenta


pyridaphenthion

Ofunack 400 CE

EC

III

0,5 l

Sipcam


spinosad

Credence

SC

III

0,037 - 0,1 l

Dow AgroSciences



Tracer

SC

III

0,037 - 0,1 l

Dow AgroSciences


tebufenozide

Mimic 240 SC

SC

IV

0,3 l

Dow AgroSciences


thiodicarb

Futur 300

SC

III

2,0 l /100 kg sem.

Aventis.


thiodicarb

Futur 300

SC

III

2,0 l /100 kg sem.

Aventis.



Larvin 800 WG

WG

II

0,1 - 0,15 l

Aventis.



Semevin 350

SC

III

2,0 l/100 kg sem.

Aventis


triazophos

Hostathion 400 BR

EC

I

0,3 - 0,5 l

Aventis.


trichlorphon

Dipterex 500

SL

II

0,8 - 2,0 l

Bayer



Triclorfon 500 Milena

SL

II

1,0 - 2,0 l

Milenia


triflumuron

Alsystin 250 PM

WP

IV

0,1 kg

Bayer



Alsystin 480 SC

SC

IV

0,05 l

Bayer.



Brigadier

WP

II

0,1 kg

Bayer



Certero

SC

IV

0,05 l

Bayer



Rigel

SC

IV

0,05 l

Cheminova


zeta-cypermethrin

Fury 180 EW

EW

II

0,04 l

FMC



Fury 200 EW

EW

III

0,08 - 0,1 l

FMC



Fury 400 CE

EC

II

0,05 - 0,08 l

FMC

Syntermes molestus

benfuracarb

Laser 400 SC

SC

II

1,75 - 2,5 l/100 kg sem.

Iharabras



Oncol Sipcam

SC

II

1,75 - 2,5 l/100 kg sem.

Sipcam


carbofuran

Furadan 350 TS

SC

I

2,0 - 3,0 l/100 kg sem.

FMC



Furazin 310 TS

SC

I

2,25 l/100 kg sem.

FMC


carbosulfan

Marshal TS

SC

II

2,0 - 2,8 l/100 kg sem.

FMC



Marzinc 250 TS

DS

II

2,0 kg/100 kg sem.

FMC


imidacloprid

Gaucho

WS

IV

1 kg/100 kg sem.

Bayer



Gaucho FS

FS

IV

0,4 l/100 l água

Bayer


terbufos

Counter 50 G

GR

I

40 kg

Basf



Counter 150 G

GR

I

13 kg

Basf


thiodicarb

Futur 300

SC

III

2,0 l/100 kg sem.

Aventis



Semevin 350

SC

III

2,0 l/100 kg sem.

Aventis

Fonte: MAPA Agrofit


Larva-arame (Conoderus spp., Melanotus spp)

Importância econômica - esse grupo de inseto causa danos esporádicos em várias culturas. Para o milho, os danos são mais severos em lavouras semeadas em áreas de pastagens, situação em que o solo não é preparado anualmente, proporcionando uma condição favorável para o desenvolvimento da larva.

Sintomas de danos - as larvas danificam as sementes após a semeadura e o sistema radicular da planta de milho e de outras gramíneas. Geralmente, constrói galerias e destrói a base do colmo das plantas (Fig. 3).


Fig. 3 Larva-arame (Conoderus spp., Melanotus spp)

larva arame

Foto: Ivan Cruz


Métodos de controle - ainda não existem informações sobre o nível de controle para esse grupo de inseto. A biologia dessas espécies não é bem conhecida e os hábitos são variados. Embora o controle químico tenha sido realizado em áreas experimentais, não há inseticidas registrados para o controle desse inseto. Em áreas que apresentam histórico de ataque da larva-arame, medidas de controle deverão ser utilizadas preventivamente na semeadura. Inseticidas utilizados no controle da larva-alfinete, também apresentam boa performance para a larva-arame. A umidade do solo é um fator importante no manejo dessa praga. Em sistemas irrigados, a suspensão da irrigação e a conseqüente drenagem da camada agricultável do solo, força a larva aprofundar-se, reduzindo o dano no sistema radicular.


Bicho-bolo, coró ou pão de galinha (Diloboderus abderus, Eutheola humilis, Dyscinetus dubius, Stenocrates sp, Liogenys, sp.)

Importância econômica - para o milho, a importância econômica dessa praga é maior para lavouras de safrinha, instaladas em semeadura direta sobre a resteva da soja. Geralmente a população do inseto é alta em áreas cultivadas anteriormente com gramíneas como é o caso de pastagem.

Sintomas de danos - As larvas danificam as sementes após o plantio prejudicando sua germinação (Fig. 4). Também alimentam-se das raízes provocando o definhamento e morte das plantas. O nível de dano para esse inseto ocorre a partir de 5 larvas/m2.

Fig. 4 Bicho-bolo, coró ou pão de galinha (Diloboderus abderus, Eutheola > humilis, > > Dyscinetus dubius, Stenocrates sp, Liogenys, sp.)

bicho bolo

Foto: Ivan Cruz


Métodos de controle - agentes de controle biológico natural de larvas do bicho-bolo são nematóides, bactérias, fungos, principalmente Metarhizium e Beauveria sp e parasitóides da ordem Diptera. O preparo de solo com implementos de disco é uma alternativa de controle cultural da larva. Com essa prática, ocorre o efeito mecânico do implemento sobre as larvas que possuem corpo mole e são expostas a radiação solar e aos inimigos naturais, especialmente pássaros. O controle químico pode ser utilizado via tratamento de sementes (Tabela 1). Experimentalmente, a pulverização de inseticidas no sulco de semeadura tem se mostrado viável para o controle dessa larva.


Percevejo castanho (Scaptocoris castanea e Atarsocoris brachiariae)

Importância econômica - essa praga ataca várias culturas, podendo causar danos na soja, algodão, pastagens, feijão e no milho. Em áreas localizadas, o percevejo ataca o milho, acarretando sérios prejuízos. A ocorrência deste inseto é esporádica o que dificulta o estabelecimento de um programa de manejo para impedir os danos desta praga.

Sintomas de danos - as ninfas e os adultos (Fig. 5) alimentam nas raízes e sugam a seiva. O ataque severo causa o definhamento e morte da planta. Os sintomas de ataques variam com a intensidade e época do ataque e muitas vezes são confundidos com deficiência nutricional ou doença da planta.


Fig. 5 Percevejo castanho (Scaptocoris castanea e Atarsocoris brachiariae)

percevejo castanho

Foto: Ivan Cruz


Métodos de controle - O método cultural pode ser empregado para o manejo desse inseto. A aração e a gradagem expõem os insetos aos predadores e causam o esmagamento das ninfas e adultos. A aração com arado de aiveca é o que apresenta maior eficiência no controle do percevejo castanho. O fungo Metarhizium anisopliae é um agente de controle biológico da praga. Devido ao hábito subterrâneo do percevejo, o controle químico (Tabela 1) é difícil de ser realizado e a recomendação de uso de inseticidas tem sido preventivo.


Larva Angorá (Astylus variegatus)

Importância econômica - essa praga ataca várias espécies de plantas cultivadas e é considerada uma praga secundária da cultura do milho. Somente alta população do inseto causa prejuízos para cultura de baixa densidade de sementes como a do milho.

Sintomas de danos - as larvas (Fig. 6) alimentam-se preferencialmente das sementes do milho após a semeadura e de raízes, reduzindo a germinação e o número de plantas na lavoura.


Fig. 6 Larva Angorá (Astylus variegatus)

larva angorá

Foto: Ivan Cruz


Métodos de controle - método cultural como a aração e gradagem, ocasiona a morte de larvas. O controle químico (Tabela 1) deve ser realizado em áreas com histórico de ocorrência da praga. O tratamento de sementes com inseticidas evita o dano da praga.


Cupim (Procorniterms sp., Cornitermes sp., Syntermes sp. e Heterotermes sp.)

Importância econômica - os cupins são insetos sociais, organizados em castas e que se alimentam de celulose. São insetos que atacam inúmeras culturas. Entre a grande variação existente para esse grupo de inseto, os cupins de hábitos subterrâneos dos gêneros Proconitermes e Syntermes (Fig. 7), são os mais importantes para a cultura do milho.


Fig. 7 Cupim (Procorniterms sp., Cornitermes sp., Syntermes sp. e Heterotermes sp.)

cupim

Foto: Ivan Cruz


Sintomas de danos - esses insetos atacam as sementes após a semeadura do milho, destruindo-as antes da germinação, acarretando falhas na lavoura. As raízes também são atacadas, causando descortiçamento das camadas externas, e as plantas amarelecem, murcham e morrem.

Métodos de controle - os cupins subterrâneos são difíceis de controlar. Pode-se reduzir a infestação e os danos na lavoura com o emprego de inseticidas (Tabela 1) aplicados no sulco de plantio ou através de tratamento de sementes.



Pragas que atacam as plântulas (Plantas jovens) Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus)

Importância econômica - é uma praga esporádica com grande capacidade de destruição num intervalo curto de tempo. Seus danos estão associados a à estiagem logo após a emergência das plantas, condições que aumenta a susceptibilidade da planta pelo atraso no desenvolvimento da planta e favorece a explosão populacional de lagartas na lavoura. Maiores danos são observados em solos leves e bem drenados, sendo sua incidência menor sob plantio direto.

Sintomas de danos - as lagartas recém eclodidas iniciam raspando as folhas e dirigem para a região do coleto da planta (Fig. 8), onde cava uma galeria vertical. A destruição do ponto de crescimento provoca inicialmente murcha e posteriormente morte das folhas centrais proporcionando provocando o sintoma conhecido como "coração morto" (Fig. 9).


Fig. 8 Pragas que atacam as plântulas (Plantas jovens)

pragas plantulas

Foto: Ivan Cruz


Fig. 9
Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus)

lagarta elasmo

Foto: Ivan Cruz


Métodos de controle - em áreas de risco, deve ser usado o tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos à base de tiodicarb, carbofuran ou imidacloprid (Tabela 1). Sob condições de estresse hídrico mesmo esse tratamento não é efetivo, recomendando-se a aplicação de um inseticida de ação de contato e profundidade como os a base de clorpirifós. A alta umidade do solo contribui para reduzir os problemas causados pela lagarta-elasmo no milho.


Tripes (Frankliniela williamsi)

Importância econômica - reclamações por produtores são freqüentes nos Estados do Paraná e Mato Grosso do Sul. Os danos causados pelos tripes têm sido verificados nos períodos de estiagem logo após a emergência das plântulas, podendo, sob altas infestações, causar até morte das plantas com perdas econômicas significativas.

Sintomas de danos - devido à raspadura do limbo foliar, as folhas apresentam-se amarelecidas, esbranquiçadas ou prateadas. A infestação pode ser confirmada pela verificação de pequenos insetos amarelados (Fig. 10) no interior do cartucho e sob altas infestações ocorre murcha das folhas.


Fig. 10 Tripes (Frankliniela williamsi)

tripes

Foto: Ivan Cruz


Métodos de controle - inicialmente, o tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos dá boa proteção às plantas (Tabela 1), entretanto, sob condições de altas refinfestação pode ser necessário pulverizações.


Percevejos - barriga-verde (Dichelops furcatus, D. melacanthus), verde (Nezara viridula)

Importância econômica - os percevejos são pragas tipicamente da soja, mas com o plantio do milho em sucessão ou mesmo em rotação passaram a causar danos também ao milho logo após a emergência das plantas. Os danos ocorrem na fase inicial de desenvolvimento da cultura, podendo causar perdas parciais ou totais das lavouras.

Sintomas de danos - os adultos e ninfas ao se alimentarem na base das plântulas (Fig. 11) de milho, introduzem seus estiletes através da bainha até as folhas internas causando lesões que posteriormente, após a abertura das folhas, mostram vários furos de distribuição simétrica no limbo foliar, apresentando halos amarelados ao redor dos furos. Outros sintomas são a deformação das plantas podendo levá-las a morte e/ou intenso perfilhamento que são totalmente improdutivos.


Fig. 11 Percevejos - barriga-verde (Dichelops furcatus, D. melacanthus), verde (Nezara viridula)

percevejo

Foto: Ivan Cruz


Métodos de controle - pode ser feito com o tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos (Tabela 1) ou através de pulverizações logo após a emergência das plantas quando constado a presença dos insetos.


Cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis)

Importância econômica - os danos diretos causados pela sucção de seiva dos adultos e ninfas pode reduzir principalmente o desenvolvimento do sistema radicular, mas os principais prejuízos causados por essa espécie é devido a transmissão de fitopatógenos como o vírus do rayado fino e dois milicutes Spiroplasma kunkelli (enfezamento pálido) e fitoplasma (enfezamento vermelho). Os prejuizos causados por essas doenças pode chegar a mais de 80% dependendo do patógeno, dos fatores ambientais e da sensibilidade dos híbridos cultivados. A incidência da doença está associada à alta densidade populacional de insetos infectivos o que ocorre no final do verão (plantios tardios).

Sintomas de danos - a presença do inseto (Fig. 12) pode ser constatada diretamente pelo exame do cartucho das plantas ou através de amostragem com rede entomológica passada no topo das plantas. A incidência das doenças só é confirmada depois do aparecimento dos sintomas:

Rayado fino - folhas com riscas amareladas (paralelas às nervuras) com aparência pontilhada,

Enfezamento pálido - no início, plantas podem apresentar folhas com deformações e posteriormente inicia-se pela descoloração (clorose) das bordas da base das folhas que pode progredir para toda a planta, nanismo acentuado com os últimos internódios pouco desenvolvido dando à planta a aparência de uma palmeira o que é facilmente confundido com plantas "dominadas".

Enfezamento vermelho - dependendo do estádio de infecção das plantas pode não se observar o nanismo, mas geralmente ele está presente, com últimos internódios pouco desenvolvidos e folhas com avermelhamento generalizado. Na fase reprodutiva, nota-se manchas descoloridas nos grãos incompletamente cheios o que dá à espiga certa flexibilidade ao ser torcida nas mãos.

Fig. 12 Cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis)

cigarrinha do milho

Foto: Embrapa Milho e Sorgo


Métodos de controle - os mais eficientes são os culturais evitando-se a multiplicação do vetor em plantios sucessivos, erradicação de plantas voluntárias na área antes do plantio e uso de cultivares menos susceptíveis aos patógenos. Evitar o plantio de milho pipoca e milho doce em áreas com histórico recente de alta incidência dos enfezamentos dado à alta susceptibilidade da maioria dessas cultivares. Finalmente pode também ser utilizado o tratamento de semente com inseticidas sistêmicos (Tabela 1).


Pulgão-do-milho (Rhopalosiphum maidis)

Importância econômica - este é a espécie de inseto de ocorrência mais endêmica no milho, mas raramente constitui problema para a cultura pela ação eficiente dos inimigos naturais (predadores e parasitóide). Ele ataca as partes jovens da planta, preferencialmente o cartucho, mas pode infestar também o pendão e gemas florais. Seus danos diretos ocorrem somente quando a densidade populacional é muito alta e a planta esteja sofrendo de estresse hídrico. Os maiores danos ocorrem sob condições favoráveis para transmissão do vírus do mosaico. Neste caso, mesmo sob densidades muitas vezes não detectáveis pode ocorrer perdas significativas, pois o principal vetor é a forma alada e o vírus é de transmissão estiletar, ou seja transmite de plantas doentes para sadias simplesmente por via mecânica, através da picada de prova.

Sintomas de danos - sob altas populações é visível a colônias sobre as plantas (Fig. 13) e sob estresse hídrico as folhas mostram-se murchas e com bordas necrosadas. O sintoma da doença aparece no limbo foliar na forma de um mosaico de coloração verde claro num fundo verde escuro.


Fig. 13. Pulgão-do-milho (Rhopalosiphum maidis)

pulgão do milho

Foto: Ivan Cruz


Métodos de controle - - para o controle da doença, os métodos culturais, na forma de eliminação dos hospedeiros nativos do patógeno e do vetor (gramíneas em geral), têm sido os mais eficientes. No inicio de desenvolvimento das plantas, o tratamento de sementes oferece proteção (Tabela 1). Durante o ciclo da planta os inimigos naturais têm ação primordial na manutenção do equilíbrio. Raramente tem sido necessário tomar outras medidas de controle.


Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

Importância econômica - a lagarta-do-cartucho atacando plantas mais jovens de milho pode causar a sua morte, especialmente quando a cultura é instalada após a dessecação no sistema de plantio direto. Nessas condições, a lagarta já está presente na área e quando o milho emerge as lagartas podem causar danos nas plantas ainda jovens, aumentando significativamente sua importância no estabelecimento da população de plantas ideal na lavoura.

Sintomas de danos - embora a esta espécie ataca tipicamente o cartucho da planta (Fig. 14) , o que pode ocorrer desde a emergência até o pendoamento, todavia, quando o ataque ocorre no início de desenvolvimento da cultura, a lagarta pode perfurar a base da planta, atingindo o ponto de crescimento e provocar o sintoma de "coração morto", típico da elasmo.

Fig. 14. Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

lagarta do cartucho

Foto: Ivan Cruz


Métodos de controle - o tratamento de sementes tem sido o método mais recomendado para controle das pragas iniciais do milho (Tabela 1). Os inseticidas sistêmicos dão controle até cerca de 17 dias após o plantio sob condições satisfatórias de suprimento de água. Sob estresse hídrico os tratamento de semente não apresentam a mesma eficiência e devem ser suplementados por pulverizações dirigidas para o sitio de ataque do inseto.


Cigarrinha-das-pastagens (Deois flavopicta)

Importância econômica - o milho, o arroz e o sorgo não são considerados hospedeiros dessa espécie por não permitirem o fechamento do seu ciclo biológico. Portanto, a infestação do milho pela cigarrinha é resultado da imigração de adultos proveniente de áreas de pastagens, principalmente daquelas formadas com capins do gênero Brachiaria.

Sintomas de danos - é relativamente fácil observar a presença dos insetos (Fig. 15) alimentando-se nas folhas que após serem picadas, mostram áreas de clorose, amarelecimento e necrose, podendo causar a morte de toda planta. A sensibilidade das plantas é tanto maior quanto mais nova forem.


Fig. 15 Cigarrinha-das-pastagens (Deois flavopicta)

cigarrinha das pastagens

Foto:Ivan Cruz


Métodos de controle - evitar sempre que possível, o cultivo de milho em áreas próximas a pastagens de brachiárias. O tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos também pode reduzir significativamente os danos causados às plantas(Tabela 1).


Broca-da-cana (Diatraea saccharalis)

Importância econômica - tem sido mais problema em plantas mais desenvolvidas, mas essa praga pode também infestar as plantas recém emergidas. Neste caso, as plantas atacadas são totalmente improdutivas sendo os prejuízos proporcionais à redução da população de plantas.

Sintomas de danos - os danos pela broca-da-cana em plantas novas são semelhantes aos causados pela lagarta-elasmo, folhas raspadas no inicio da infestação e posteriormente o sintoma de "como o coração morto" e/ou perfilhamento das plantas sobreviventes (Fig. 16).


Fig. 16 Broca-da-cana (Diatraea saccharalis)

broca da cana

Foto: Ivan Cruz


Métodos de controle - neste caso os métodos recomendados são os mesmos anteriormente citados. Experimentalmente, o tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos ou pulverização dirigida para a base da planta utilizando inseticidas de efeito de profundidade e/ou de ação translaminar possibilita um bom controle da praga.


Lagarta-rosca (Agrotis ipsilon)

Importância econômica - predomina em áreas de solos pesados, mal cultivado ou seja áreas "sujas". Os danos resultam da redução da população de plantas produtivas cujos prejuízos são proporcionais a taxa de infestação.

Sintomas de danos - as larvas atacam a região do coleto, cortando as plantas na base (Fig. 17) o que provoca morte ou perfilhamento. Em áreas muito infestadas nota-se muitas plantas cortadas, mas os insetos não são facilmente visíveis já que têm atividade preferencialmente noturna.


Fig. 17 Lagarta-rosca (Agrotis ipsilon)

lagarta rosca

Foto: Ivan Cruz


Métodos de controle - os culturais envolvem a antecipação da eliminação de plantas daninhas principalmente via dessecante o que pode reduzir a infestação, pois as mariposas preferem ovipositar em plantas ou restos culturais ainda verdes. O tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos também é recomendado em áreas com histórico de incidência dessa praga. Em áreas menores é recomendado também a distribuição de iscas preparadas a base de farelo, melaço e um inseticida sem odor como o trichlorfon (Tabela 1).



Pragas da fase vegetativa e reprodutiva

Os danos causados pelas pragas na fase vegetativa e reprodutiva do milho variam de acordo com o estádio fenológico da planta, condições edafoclimáticas, sistemas de cultivo e fatores bióticos localizados. Nessas fases, a cultura é atacada por várias espécies-praga conforme é mostrado a seguir.


Na Fase Vegetativa: Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

Importância econômica - esse inseto é considerado a principal praga da cultura do milho no Brasil. O ataque na planta ocorre desde a sua emergência até o pendoamento e espigamento. As perdas devido ao ataque da lagarta pode reduzir a produção em até 34%.

Sintomas de danos - no início do ataque, as lagartas raspam as folhas deixando áreas transparentes. Com o seu desenvolvimento, a lagarta localiza-se no cartucho da planta destruindo-o (Fig. 18 e 19). O estádio da planta de milho mais sensível ao ataque é o de 8-10 folhas. A época ideal de realizar medidas para o controle é quando 17% das plantas estiverem com o sintoma de folhas raspadas.

Fig. 18. Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

lagarta do cartucho

Foto: Ivan Cruz


Fig. 19. Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

lagarta do cartucho 2

Foto: Ivan Cruz


Métodos de controle - o predador Doru luteipes e os parasitóides Trichogramma spp., Telenomus sp., Chelonus insularis e Campoletis flavicincta, são importante agentes de controle biológico dessa praga. Várias doenças também atacam a lagarta, como os fungos Nomuraea rileyii, Botrytis rileyi, Beauveria globulifera; virus, Baculovirus; bactérias, Bacillus thuringiensis e outros agentes de menor importância como nematóides e protozoários. Existem um grande número de inseticidas (Tabela 1) registrados para o controle da lagarta que podem serem aplicados via pulverização, e em alguns casos, através de água de irrigação (insetigação). Esses inseticidas diferem em seletividade, ou seja, causam impacto diferenciado sobre os inimigos naturais.


Curuquerê-dos-capinzais (Mocis latipes)

Importância econômica - essa praga é de importância secundária para a cultura do milho. Porém, em determinados locais pode ocorrer alta infestação da praga, demandando controle imediato para evitar elevada perda no rendimento de grãos.

Sintomas de danos - A lagarta alimenta das folhas do milho deixando somente a nervura central (Fig. 20). A infestação geralmente desenvolve em gramíneas ao redor da lavoura e quando ocorre competição por alimento, as lagartas emigram para o milho. Para evitar danos, é necessário realizar vistorias frequentes na fase vegetativa da lavoura, principalmente em áreas vizinhas às pastagens.

Fig. 20.Curuquerê-dos-capinzais (Mocis latipes)

curuquere

Foto: Ivan Cruz


Métodos de controle - O método químico é o mais utilizado e eficiente para o controle dessa lagarta. Porém, nem sempre é necessário aplicar o inseticida em toda área da lavoura, uma vez que a infestação inicia pelas bordas da cultura e a pulverização localizada sobre a área infestada é bastante eficiente. Apesar do tamanho, a lagarta é muito sensível a ação da maioria dos inseticidas recomendados para o controle da lagarta-do-cartucho A aplicação do inseticida pode ser realizada tanto por pulverização convencional ou via água de irrigação por aspersão.


Broca da cana-de-açúcar (Diatraea saccharalis)

Importância econômica - essa praga tem constituído um problema sério para a cultura do milho no Brasil Central. Em altas infestações, o ataque desse inseto pode causar perdas de até 21% na produção.

Sintomas de danos - essa praga tem causado danos diretos e indiretos, afetando o enchimento dos grãos, bem como provocando o quebramento do colmo devido a infecção por microorganismos e ao próprio dano causado pela broca na haste da planta (Fig. 21). Quando o ataque é intenso, a planta pode secar precocemente e se tornar improdutiva.


Fig. 21. Broca da cana-de-açúcar (Diatraea saccharalis)

broca da cana 2

Foto: Ivan Cruz


Métodos de controle - na cultura da cana-de-açúcar, o controle desse inseto tem sido realizado com sucesso através de inimigos naturais. Os principais parasitóides são o Metagonistylum minense e o Trichogramma spp., podendo o parasitismo da lagarta chegar a atingir 20%. Para regiões onde o milho é plantado na safra e na safrinha, e onde várias outras culturas hospedeiras da broca são cultivadas durante quase todo o ano, aumenta a importância desse método de controle. Não existem inseticidas registrados no MAPA para o controle dessa praga atacando o milho. Experimentalmente, os inseticidas lufenuron (15 g i.a./ha) e acephate (750 g i.a./ha) aplicados antes da broca penetrar no colmo, possibilita um controle eficiente da praga. Eliminação de restos culturais de plantas hospedeiras, ajuda a reduzir a infestação na próxima safra.


Fig. 22. Cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis)

cigarrinha do milho

Foto: Embrapa Milho e Sorgo


Importância econômica - essa cigarrinha é o vetor das doenças denominadas enfezamentos pálido e vermelho. O inseto também é vetor do vírus do raiado fino. As perdas na lavoura de milho variam de 9 a 90%, dependendo da susceptibilidade das cultivares utilizadas, do patógeno envolvido e das condições ambientais. Essa inseto tem trazido sérios prejuízos para a cultura do milho no Brasil Central.

Sintomas de danos - os sintomas das plantas infectadas aparecem depois de 4 a 7 semanas da alimentação do inseto. Os danos diretos causados pela cigarrinha decorrem da sucção de seiva, ocasionando mudança na coloração da folha (avermelhada ou amarelada), murcha e morte das plantas. Os danos são mais acentuados em plantios de verão realizados tardiamente e em cultivos de safrinha.

Métodos de controle - o principal método de controle para essa praga tem sido o emprego de cultivares resistentes. Tem-se observado diferenças significativas entre os híbridos comerciais disponíveis no mercado quanto a susceptibilidade às doenças transmitidas pela cigarrinha. Medidas culturais como a eliminação das plantas voluntárias, plantio mais cedo, evitar plantio sucessivos e contínuos, reduzem a população da praga. O controle químico pode ser realizado com inseticidas (Tabela 1) aplicados no sulco de plantio ou através do tratamento de sementes.


Pulgão-do-milho (Rhopalosiphum maidis)

Importância econômica - esse inseto é uma praga secundária do milho e somente causa prejuízos em alta infestação.

Sintomas de danos - A praga vive em colônias (Fig. 23) e elimina dejeções líquidas onde se desenvolve um fungo negro (fumagina). O inseto alimenta nos tecidos jovem e vive em colônias situadas no interior do cartucho, no pendão e nas gemas das plantas. O inseto suga a seiva das plantas e transmite viroses, principalmente mosaico. A infestação do pulgão no estádio de pré-florescimento prejudica a formação de grãos, originando espigas pequenas que quando torcida manualmente, apresentam o aspecto de "grãos frouxos".

Fig. 23. Pulgão-do-milho (Rhopalosiphum maidis)

pulgão do milho

Foto: Ivan Cruz


Métodos de controle - vários inimigos naturais parasitam e predam o pulgão do milho mantendo sua população sob controle. Fatores climáticos como vento e chuvas frequentes são desfavoráveis ao inseto. O controle químico somente é justificável em altas populações, principalmente quando coincide com o pré-florescimento, podendo nesse caso acarretar perda econômica na lavoura devido ao ataque da praga (Tabela 1).



Na fase reprodutiva

Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

Importância econômica o inseto é considerado a principal praga da cultura do milho no Brasil. O ataque na planta ocorre desde a sua emergência até o pendoamento e espigamento. As perdas devido ao ataque da lagarta na espiga pode ser alta, especialmente quando o ataque é na inserção com a planta, pois pode haver queda da espiga ou até mesmo falta de enchimento dos grãos. Muitas vezes a falta de controle ou o controle inadequado do inseto na fase vegetativa (fase de cartucho), faz com que se tenha a presença na espiga de lagartas bem desenvolvidas com grande capacidade de destruição.

Sintomas de danos - Na espiga a lagarta pode atacar os estilo-estigmas ("cabelo do milho"), os grãos em formação, na ponta da espiga ou em outras parte como a porção mediana ou basal. Orifícios na palha é um bom indicativo da presença da praga; Espigas caídas e/ou danos no ponto de inserção da espiga com o colmo também são sintomas do ataque da lagarta (Fig. 24 e 25).


Fig. 24. Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

lagarta do cartucho

Foto: Ivan Cruz


Fig. 25 Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

lagarta do cartucho 2

Foto: Ivan Cruz


Métodos de controle - o controle da praga quando o ataque é na espiga é muito difícil com métodos convencionais em função da dificuldade de colocação do inseticida químico (Tabela 1) no local onde se encontra a praga, mesmo quando ela está exposta nos estilos-estigma. Fica praticamente impossível quando a praga encontra-se protegida pela palha. O controle biológico especialmente com os predadores Doru luteipes e Orius spp. tem sido importante na manutenção dessa praga em níveis populacionais baixo na espiga de milho.


Lagarta-da-espiga (Helicoverpa zea)

Importância econômica - tipicamente o inseto coloca seus ovos nos estilos-estigmas (Fig. 26), local onde as lagartas recém-nascidas iniciam os seus danos, podendo ocasionar falhas na produção de grãos. Á medida que a larva desenvolve ela dirige-se para a ponta da espiga para alimentar-se dos grãos em formação. Os prejuízos estimados para essa praga é cerca de 8% nos rendimentos.


Fig. 26 Lagarta-da-espiga (Helicoverpa zea)

lagarta da espiga

Foto: Ivan Cruz


Sintomas de danos - estilo-estigmas danificados e grãos na ponta da espiga danificados (Fig. 27), podem representar os sintomas de ataque da praga. Deve-se considerar que também a lagarta-do-cartucho pode também estar presente na espiga e ocasionar sintoma de dano semelhante.


Fig. 27. Lagarta-da-espiga (Helicoverpa zea)

lagarta da espiga 2

Foto: Ivan Cruz


Métodos de controle - pela localização da praga o controle convencional através da pulverização tem baixa eficiência (Tabela 1). Um controle efetivo pode ser conseguido através da liberação de vespas do gênero Trichogramma, comercialmente disponíveis no mercado brasileiro. De maneira geral, onde ainda existe o equilíbrio biológico o controle natural através de Trichogramma, ou da tesourinha, Doru luteipes ou de espécies de Orius tem sido suficiente para manter a praga com nível populacional insuficiente para causar dano econômico.



Manejo integrado de pragas (MIP)

A definição de MIP adotada por um painel organizado pela FAO enuncia: "Manejo Integrado de Pragas é o sistema de manejo de pragas que no contexto associa o ambiente e a dinâmica populacional da espécie, utiliza todas as técnicas apropriadas e métodos de forma tão compatível quanto possível e mantém a população da praga em níveis abaixo daqueles capazes de causar dano econômico".

Os fundamentos, tanto do Controle Integrado como do Manejo Integrado de Pragas, baseiam-se em quatro elementos: na exploração do controle natural, dos níveis de tolerância das plantas aos danos causados pelas pragas, no monitoramento das populações para tomadas de decisão e na biologia e ecologia da cultura e de suas pragas. Estas premissas implicam no conhecimento dos fatores naturais de mortalidade, nas definições das densidades populacionais ou da quantidade de danos causados pelas espécies-alvo equivalentes aos níveis de dano econômico (NDE) e de controle (NC), que fica imediatamente abaixo do NDE. Outra variável importante seria a determinação do nível de equilíbrio (NE) das espécies que habitam o agroecossistema em questão. Em função da flutuação da densidade da espécie-alvo e de sua posição relativa a esses três níveis (NE, NDE E NC) ao longo do tempo, as espécies podem ser classificadas em pragas-chave (densidade populacional sempre acima do NDE), pragas esporádicas (densidade na lavoura raramente atinge o NDE) e não-pragas (a densidade da espécie em questão nunca atinge o NDE). Mais recentemente tem sido proposto também o nível de não-controle (NNC), ou seja, a densidade populacional de uma ou mais espécies de inimigos naturais capaz de reduzir a população da espécie -alvo a níveis não econômicos, dispensando assim, a utilização de medidas de controle.

 

Monitoramento

O monitoramento é o primeiro passo para se praticar o MIP. Sem monitorar a densidade populacional da espécie-alvo no campo não há como se aplicar os princípios do MIP. Assim, recomenda-se iniciar o monitoramento mesmo antes de se iniciar o plantio. A freqüência e o método de amostragem depende da fase de desenvolvimento da cultura e do nível de precisão que se pretende conduzir o manejo. Quanto maior a freqüência e tamanho da amostra melhor, entretanto, deve-se considerar também os custos dessas amostragens.


Monitoramento de pragas de solo - deve-se examinar amostras de solo de 30 cm x 30 cm por 15 cm de profundidade utilizando-se uma peneira e procurando por insetos. Para a larva-arame, medias de controle devem ser adotadas se dois ou mais insetos forem detectadas por amostra. A média de uma larva pôr amostra é suficiente para causar dano significativo. Neste caso, o tratamento do solo com inseticidas é necessário.

Para a simples detecção da presença de insetos no campo, pode-se proceder da seguinte maneira: tomar cerca de 200 g de sementes sem tratamento e enterrar em locais, com identificação, dentro da área a ser cultivada e cobrir com um pedaço de plástico transparente; alguns dias depois, desenterrar o material e procurar por insetos. No caso de cupins subterrâneos, examinar pedaços de colmo ou sabugos de milho da cultura anterior ou pode-se enterrar pedaços desses materiais ou mesmo rolo de papel higiênico (sem cor e perfume) em pontos estratégicos e após alguns dias examinar o material visando detectar a presença de insetos.


Monitoramento de pragas iniciais e do período vegetativo - Sendo realizado o tratamento de sementes, esse levantamento pode ser iniciado a partir da terceira semana após a semeadura do milho. A detecção de cigarrinhas pode ser feitao através de exame direto ou utilizando-se rede entomológica. Para se estimar densidades com maior precisão pode-se usar o método do saco plástico. Neste caso, se em áreas e/ou condições de risco de incidência de enfezamentos e viroses, recomenda-se fazer o controle quando detectado a presença dos insetos. No caso da incidência da lagarta-do-cartucho, lagarta-elasmo, broca-da-cana ou lagarta-rosca, deve-se estimar a incidência contando-se o número de plantas atacadas em 10 m de fileira e adotar medidas de controle em função do nível de dano. Para o controle da lagarta-do-cartucho, existem recomendações de amostragemns seqüencial.

Algumas estratégias de manejo


Tratamento de sementes

O tratamento de sementes é uma prática que tem sido largamente difundida nos últimos anos visando o controle de pragas subterrâneas e iniciais da cultura do milho em áreas que apresentam histórico de problemas oriundos de ataque de determinados grupos de insetos (ver sessões de pragas subterrâneas e iniciais). Os danos causados por essas pragas, resultam em falhas na lavoura devido a sua alimentação, nas sementes após a semeadura, nas raízes após a germinação, e da parte aérea de plantas recém-emergidas. Tem-se como ponto primordial para se obter alta produtividade na lavoura, o estabelecimento de um número ideal de plantas por área para que tal fato se suceda. Em lavoura com baixo estande, a utilização dos demais insumos não contribuirão para que o agricultor obtenha a rentabilidade esperada da lavoura.

No tratamento de sementes, a quantidade relativamente pequena de ingrediente ativo aplicado sobre a semente, protege as sementes no solo até a sua germinação, bem como as raízes e a parte aérea da planta logo após a sua emergência. O seu emprego, muitas vezes reduz a necessidade de pulverizações de plantas recém-emergidas com inseticidas de custos elevados e que na aplicação, geralmente, não atinge o alvo, devido a pequena área foliar das plantas em pós-emergência. Portanto, a prática contribui para reduzir o impacto negativo no ecossistema, uma vez que não afeta diretamente os inimigos naturais que estão se estabelecendo nesta fase de desenvolvimento da cultura. A técnica ainda apresenta a vantagem do uso ser relativamente fácil e em alguns casos, de baixo custo. Atualmente, existe uma variação bastante grande nos preços de inseticidas, na toxicidade e na eficiência no do tratamento de sementes. Tem-se observado que determinados grupos de inseticidas possibilitam melhor controle de lagartas (elasmo, lagarta-rosca), outros apresentam melhor desempenho para insetos sugadores (percevejo castanho, percevejo barriga verde, percevejo preto), térmitas (cupins) e finalmente, larvas de coleóopteros (bicho-bolo, larva-arame, larva-alfinete). Para cada caso, a escolha do inseticida deve estar em consonância com os registros no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

O período de proteção das sementes e das plantas recém-emergidas proporcionado pelo tratamento de sementes dependerá da interação de vários fatores. Pode-se destacar os relacionados com a própria semente (tamanho, formato, textura, permeabilidade), com a natureza dos inseticidas (modo e espectro de ação, formulação, dose) e com as características do ambiente (pressão de infestação da praga, textura, temperatura e umidade do solo). Associado a esses fatores, também é importante levar em consideração a qualidade da aplicação, como o tipo de equipamento utilizado e a qualificação e capacitação do pessoal envolvido.

Dependendo da toxicidade do inseticida, o tratamento de sementes pode ser realizado na própria fazenda, ou deve ser realizado em Centros de Tratamentos de Sementes ou em revendas especializadas com máquinas apropriadas e com pessoal treinado. Nas fazendas, geralmente são utilizados tambores rotativos (Fig. 28), construídos especificamente para essa finalidade. No entanto, independente do equipamento ou inseticida utilizado, todos os cuidados devem ser tomados para evitar possíveis contaminações ou intoxicações do operador.


Fig. 28 Tambor rotativo para tratamento de sementes.

tambor rotativo

Foto: Acervo Embrapa Milho e Sorgo


No caso da semente de milho, a eficiência na distribuição da semente tratada no sulco de semeadura pode ser melhorada com a adição de grafite em pó. Isso se deve ao fato, que a semente tratada com inseticida apresenta uma alteração em sua forma original, muitas vezes trazendo como conseqüência maior dificuldade de escoamento dentro do compartimento da semeadora. Nesse caso, o uso de grafite melhora o escoamento das sementes tratadas, especialmente em sistemas de distribuição através de discos. Aos contrário, o excesso de grafite, colocado nos sistemas de dedos (garras), tem funcionado de maneira contrária. A quantidade recomendada de grafite varia de acordo com o tamanho da semente. Sementes maiores demandam uma maior quantidade. Em média, recomenda-se cerca de 2 a 4 gramas de grafite em pó por quilo de semente tratada.

Como recomendação final, sugere-se que as sementes tratadas não sejam armazenadas e que se faça a semeadura em poucos dias após o tratamento. Os inseticidas geralmente não afetam a germinação de sementes de alta qualidade. Entretanto, sementes de qualidade inferior, podem ter o vigor afetado e conseqüuentemente reduzir o número de plantas na lavoura. Deve-se também, evitar que as sementes fiquem descobertas no sulco de plantio, pois são tóxicas para pássaros e outros animais.


Seletividade de inseticidas

No passado a escolha de determinado inseticida para uso contra as pragas da agricultura era baseada na capacidade do produto químico de atuar rapidamente e sobre diferentes espécies de praga. Geralmente eram produtos de amplo espectro de ação, e, invariavelmente altamente tóxico. Por apresentarem custo relativamente baixo, tais produtos químicos eram considerados como um seguro para a produção de alimentos. Eram utilizados independente da necessidade. No entanto, com o passar dos anos foi fácil verificar os efeitos danosos dos produtos para a natureza como um todo. E, especialmente em relação ao método de controle em si, começaram-se a aparecer raças resistentes de pragas e até mesmo novas pragas, anteriormente presentes, porém em nível populacional baixo em virtude da ação de diferentes agentes de controle natural. Atualmente, o conceito do controle químico tem mudado. Há uma preocupação crescente não só pela sociedade como um todo, mas também pelo próprio agricultor, com o uso indiscriminado de produtos químicos. Tem-se buscado inclusive pelas empresas produtoras de inseticidas, produtos que sejam menos danosos ao ambiente - tem-se portanto, buscado a seletividade dos produtos. Tal seletividade pode ser alcançada através do produto em si, por exemplo, produtos que atuem somente sobre determinados grupos ou sobre determinadas fases da fisiologia dos insetos (inseticidas fisiológicos). A seletividade também pode ser alcançada através de aplicações dirigidas. Por exemplo, a aplicação de inseticidas para o controle da lagartas no cartucho da planta de milho posicionando o bico de pulverização de modo a aplicar o produto somente na área desejada utilizando o trator é mais seletiva do que a aplicação via água de irrigação (que é uma aplicação em área total). De maneira semelhante, o tratamento de sementes é mais seletivo do que a pulverização, em função da formulação do produto e do modo de utilização. A seletividade também pode ser em relação a determinados inimigos naturais. Por algum mecanismo do inseto, ele pode não ser afetado drasticamente por determinado produto químico. Tais produtos devem ser preferidos em programas de manejo.


Aplicação de Inseticidas via Água de Irrigação

Define-se como insetigação, a aplicação de inseticidas via água de irrigação. Na insetigação o sistema de irrigação por aspersão, tem sido o método mais utilizado para a aplicação dos inseticidas. A técnica iniciou-se na América do Norte na década de 60 visando o controle de pragas foliares com a utilização dos inseticidas azinphos methyl e carbaryl para o controle de insetos-praga na cultura do milho. No Brasil, a insetigação começou a ser utilizada na década de 80, havendo uma grande escassez de informações técnicas para as nossas condições. Atualmente, com a expansão de áreas agrícolas irrigadas, tem-se utilizado aplicações de inseticidas via irrigação por aspersão, muita das vezes, sem se conhecer parâmetros técnicos necessários para se obter a melhor eficiência e redução de riscos oriundos de qualquer utilização de defensivos agrícola.

A insetigação tem sido utilizada com sucesso para o controle de diversas pragas e culturas, entretanto existem exemplos de insucessos, indicando que o método não se aplica para todas as condições. As doses dos inseticidas aplicados na insetigação são as mesmas utilizadas em pulverizações pelos utilizando-se os métodos convencionais (tratorizada ou costal). As primeiras avaliações de inseticidas na insetigação, baseiaram-se nos princípios ativos que apresentavam eficiência comprovada através de pulverização para o controle de determinada praga.

Vários parâmetros são relevantes para se obter uma boa eficiência na insetigação e evitar riscos, destacando-se as condições ambientais (velocidade do vento, umidade relativa, precipitação pluviométrica), tipo e umidade do solo, seleção de inseticidas (solubilidade em água, dose), volume, qualidade e velocidade do fluxo de água e compatibilidade de produtos. Na utilização da insetigação, deve-se precaver contra aplicações indiscriminadas de inseticidas, cuidados no manuseio de inseticidas que na maioria são inflamáveis, utilizar equipamentos de segurança adequados, evitar deriva e não entrar na área logo após ser tratada.

O emprego dessa técnica tem sido pesquisada na Embrapa Milho e Sorgo para o controle da lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda, lagarta-da-espiga, Helicoverpa zea, lagarta elasmo, Elasmopalpus lignosellus e larva alfinete, Diabrotica speciosa. Os resultados indicam que essas pragas podem ser controladas empregando os inseticidas aplicados via água de irrigação por aspersão mostrados na Tabela 2.


Tabela 2
. Inseticidas com melhores performance para o controle de insetos-pragas de milho aplicados via irrigação por aspersão. EMBRAPA/CNPMS.

Insetos-praga

Inseticida (i.a.)

Dose (i.a./ha)

Lâmina de água (mm)

Lagarta-do-cartucho

chlorpyrifos
fenvalerate
carbaryl
diazinon
lambdacyalothrin
spinosad

288
200
1105
480
10
48

6 mm

Lagarta elasmo

chlorpyrifos

480

10 mm

Larva alfinete

chlorpyrifos
imidacloprid

480
140

10 mm

Lagarta-da-espiga

cyfluthrin
fenitrothion

15
750

10 mm

Fonte: Paulo Afonso Viana


Os inseticidas mostrados na Tabela 3 podem ser aplicados utilizando equipamentos convencionais de irrigação (tipo lateral portátil) ou através de pivô. Para o equipamento convencional a calda inseticida pode ser injetada no sistema de irrigação através de bomba dosadora ou de um equipamento portátil de injeção desenvolvido na Embrapa Milho e Sorgo, denominado "vaquinha" (Fig. 29). Para o pivô central, utiliza-se a bomba dosadora. Independentemente do método de injeção adotado, a qualidade dos resultados obtidos na aplicação depende do cálculo correto de variáveis como taxa de injeção, quantidade do inseticida a ser injetada, volume do tanque de injeção e dose do inseticida a ser aplicada na área irrigada.


Fig. 29 Equipamento portátil de injeção desenvolvido na Embrapa Milho e Sorgo denominado "vaquinha".

equipamento portátil

Foto: Paulo Afonso Viana


Desde o início de sua utilização, a insetigação, tem adaptado tecnologias existentes, tanto na parte de equipamentos ou dos químicos a serem aplicados. No futuro, novas formulações de inseticidas deverão ser desenvolvidas para essa modalidade de aplicação, visando obter maior eficiência no controle das pragas. Pesquisas deverão ser conduzidas objetivando reduzir a quantidade de inseticidas aplicados nas lavouras, com reflexos diretos nos custos de produção e de contaminação ambiental. A indústria deverá desenvolver equipamentos para alta eficiência tanto para irrigação como para aplicação de produtos químicos. Melhoria de eficiência de controle de pragas poderá também ser obtida com novos aspersores, tanques e depósitos para a mistura da calda inseticida, microprocessador controlando irrigação e injeção.


Controle Biológico: Papel dos inimigos naturais no controle das pragas

Em função da importância de insetos-praga da ordem Lepidoptera (mariposas, especialmente) como pragas da cultura do milho no Brasil e também em relação ao aparecimento de populações resistentes aos inseticidas, como é o caso da lagarta-do-cartucho, as pesquisas com controle biológico têm aumentado no país. Deve-se considerar que, em certas circunstâncias, os inimigos naturais podem diminuir consideravelmente a população da praga no campo.

São importantes inimigos naturais das principais pragas do milho quatro espécies de vespas (chamados parasitóides, ou seja, insetos cujas larvas se desenvolvem dentro dos ovos ou das lagartas da praga) e, talvez, o mais importante, e facilmente percebido no campo, a chamada "tesourinha", presente no cartucho da planta ou na espiga. Todos esses inimigos naturais atuam nas primeiras fases de desenvolvimento da praga, e, portanto, evitando danos significativos à planta.

Dos parasitóides dois atuam exclusivamente sobre os ovos da praga, impedindo a eclosão da larva: Trichogramma spp. (Fig. 30) e Telenomus remus (Fig. 31). São insetos facilmente criados no laboratório, a um custo inferior ao do produto químico padrão. Esses inimigos naturais já estão sendo liberados em áreas comerciais, em diferentes regiões do Brasil, com sucesso. O ciclo total dessas vespas varia entre 10 e 12 dias.


Fig. 30 Trichogramma spp.

tricograma

Foto: Ivan Cruz


Fig. 31 Telenomus remus

telenomus

Foto: Ivan Cruz


A vespa Chelonus insularis (Fig. 32) é de ocorrência comum no Brasil. A fêmea coloca seus ovos no interior dos ovos da praga, permitindo no entanto a eclosão das larvas. A larva parasitada não provoca danos significativos ao milho. O ciclo biológico total do parasitóide é de 28 dias, distribuídos em período de incubação de 1,8 dias, período larval de 20,4 dias e período pupal de 6,2 dias. A larva parasitada sai precocemente do cartucho, dirigindo-se para o solo, onde constrói uma câmara. Após a construção desta câmara a larva do parasitóide perfura o abdômen da lagarta-do-cartucho e dentro da câmara, constrói seu casulo e transforma-se em pupa.


Fig. 32 Vespa Chelonus insularis

vespa

Foto: Ivan Cruz


Campoletis flavicincta (Fig. 33) é uma outra vespa medindo cerca de 7 mm de comprimento, que coloca seus ovos no interior do corpo de lagartas de S. frugiperda recém-nascidas. Uma só fêmea pode parasitar mais de 200 lagartas. O ciclo biológico completo do inseto é de 16,5 dias. Dentro da lagarta-do-cartucho o parasitóide passa cerca de 9,6 dias. A larva parasitada reduz significativamente o alimento ingerido. Próximo à saída da larva do parasitóide, o inseto parasitado sai do cartucho da planta e dirige-se para as folhas mais altas da planta. Neste local fica praticamente imóvel até ser morto pelo parasitóide que perfura seu abdômen.


Fig. 33 Campoletis flavicincta

campoletis

Foto: Ivan Cruz


A tesourinha Doru luteipes (Fig. 34) tem presença constante na cultura de milho. Tanto os imaturos quanto os adultos alimentam-se de ovos e de lagartas pequenas da praga. Um adulto do predador pode consumir cerca de 21 larvas pequenas por dia. Os ovos da tesourinha são colocados dentro do cartucho da planta, sendo que uma postura possui em média, 27 ovos. O período de incubação dura cerca de sete dias. As ninfas, a semelhança dos adultos são também predadoras. A fase ninfal dura em torno de 40 dias. Os adultos podem viver quase um ano. A presença do predador em até 70% das plantas de milho é suficiente para manter a praga sob controle.


Fig. 34 Tesourinha Doru luteipes

tesourinha

Foto: Ivan Cruz


Existem vários outros inimigos naturais da lagarta-do-cartucho que de certa forma contribuem para diminuir a população da praga na cultura do milho. No entanto, os mencionados aqui já são criados em laboratório e apresentam com grande potencial para serem utilizados em liberações inundativas ou inoculativas.

A conscientização de que os inimigos naturais podem ser aliados importantes no manejo de pragas tem forçado a busca de inseticidas e/ou aplicações mais seletivas. No caso específico da cultura de milho, o predador Doru luteipes por sua importância no controle biológico da praga, além de todas as suas formas biológicas estarem intimamente ligadas ao cartucho da planta, é o mais sujeito a ação dos produtos químicos. Por essa razão, tem-se avaliado o impacto dos diferentes produtos químicos sobre suas fases. Sabe-se que os adultos são mais tolerantes a vários produtos, especialmente biológicos e fisiológicos. No entanto ovos e formas imaturas são bem mais sensíveis. A sensibilidade desse e de outros inimigos naturais bem como os critérios para a escolha de um produto químico para uso no manejo integrado de S. frugiperda em milho, foram abordados por Cruz (1997).

  Hiperbólica
 

Pasta de documentos

Adicionar
Visualizar

 

Informes
Embrapa Arroz e Feijão
Cotações Correpar
Agritempo

Topo | Página Inicial | Voltar
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa
Todos os direitos reservados, conforme Lei n. 9.610.
Política de Privacidade. sac@embrapa.br
2005-2010
Embrapa
Parque Estação Biológica - PqEB s/n°.
Brasília, DF - Brasil - CEP 70770-901 | SAC
Fone: (61) 3448-4433 - Fax: (61) 3347-1041