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ÁRVORE DO CONHECIMENTO Milho      Equipe editorial Ajuda

Cultivares

Autor(es): José Carlos Cruz ; Israel Alexandre Pereira Filho ; Jason de Oliveira Duarte ; João Carlos Garcia

Nas principais regiões produtoras de milho do país, o crescimento da produtividade, desde a metade do século passado, segue o modelo já descrito nos Estados Unidos de utilização de sementes híbridas com maior potencial de rendimento (resultado de  trabalhos de melhoramento genético), maior uso de fertilizantes e defensivos, melhoria no arranjo espacial de plantas (espaçamento e densidade), máquinas agrícolas mais eficientes e adoção do Sistema de Plantio Direto (SPD) na palha. A adoção conjunta de cultivares melhoradas, de insumos e de técnicas de cultivos adequados fez com que o rendimento das lavouras crescesse progressivamente.      

A grande mudança ocorrida na arquitetura de plantas, resultado do abaixamento do porte, maior proporção de grãos em relação à matéria seca no colmo e abaixamento da inserção da espiga, resultou em plantas mais eficientes e produtivas, com menor percentagem de acamamento e adaptadas à colheita mecânica. Por outro lado, o desenvolvimento de genótipos eficientes e responsivos a melhorias de ambiente tornou possível a mudança de patamares de produtividade das cultivares lançadas pela indústria de sementes.

Na safra 2009/10, estão sendo disponibilizadas 325 cultivares de milho convencionais. Entre elas, 49 novas cultivares (2 variedades, 3 híbridos duplos, 8 híbridos triplos e 36 híbridos simples) substituíram 26 cultivares (5 híbridos duplos, 8 híbridos triplos e 13 híbridos simples) que deixaram de ser comercializadas na safra atual, confirmando a dinâmica dos programas de melhoramento, a confiança do setor na evolução da cultura e a importância do uso da semente no aumento da produtividade. Dessa forma, pode-se afirmar que existem cultivares adaptadas a qualquer região do país e a qualquer sistema de produção, sendo, provavelmente, o insumo moderno de uso mais generalizado na cultura do milho.

Para toda cultivar lançada, uma série de informações são fornecidas pela empresa que a comercializa, de forma que os agricultores possam explorar ao máximo seu potencial produtivo. Com o objetivo de informar melhor os produtores e técnicos que trabalham com a cultura do milho, a partir da safra 2000/2001, foi feito um trabalho de levantamento das cultivares e suas respectivas características. Estes dados foram inicialmente obtidos a partir de materiais de divulgação e promoção das empresas do ramo, como boletins e folderes das cultivares de milho, e de outras fontes disponíveis, como a Associação Brasileira de Produtores de Sementes (Abrasem) e o Zoneamento Agrícola. Nas últimas safras, as informações têm sido obtidas diretamente de cerca de 25 empresas produtoras de sementes de milho.

Os tipos de sementes de milho são identificados como híbridos ou variedades, sendo que os híbridos podem ser simples, triplos ou duplos. Os híbridos simples são o resultado do cruzamento de duas linhagens puras e indicados para sistemas de produção que utilizam alta tecnologia, pois possuem o maior potencial produtivo. São também as sementes mais valorizadas comercialmente. O híbrido triplo é o cruzamento entre uma linha pura e um híbrido simples e é indicado para produtores que utilizam de média a alta tecnologia, enquanto o híbrido duplo é o resultado do cruzamento entre dois híbridos simples, sendo indicado também para média tecnologia. Uma variedade de milho é um conjunto de plantas com características comuns, sendo um material geneticamente estável e que, por esta razão, com os devidos cuidados em sua multiplicação, pode ser reutilizada por várias safras sem nenhuma perda de seu potencial produtivo.

Existem ainda no mercado os híbridos simples modificados - HSm - (neste caso, é utilizado como progenitor feminino um híbrido entre duas progênies afins da mesma linhagem e, como progenitor masculino, uma outra linhagem); os híbridos triplos modificados - HTm - (o híbrido triplo pode também ser obtido sob forma de híbrido modificado, em que a terceira linhagem é substituída por um híbrido formado por duas progênies afins de uma mesma linhagem); o híbrido intervarietal (HIV), que é o resultado do cruzamento entre duas variedades; e o top cross, que é o cruzamento de uma linhagem com uma variedade.

Os híbridos só têm alto vigor e produtividade na primeira geração (F1), sendo necessária a aquisição de sementes híbridas todos os anos. Se os grãos colhidos forem semeados, o que corresponde à uma segunda geração (F2), haverá redução, dependendo do tipo do híbrido, de 15% a 40% na produtividade, perda de vigor e grande variação entre plantas. As sementes das variedades melhoradas são de menor custo e de grande utilidade em regiões onde, devido às condições socioeconômicas e de baixo acesso à tecnologia, a utilização de milho híbrido torna-se inviável. As variedades são também muito importantes em sistemas de produção agroecológicos ou orgânicos, pois, embora não restrinjam o uso de híbridos, as variedades são preferidas por permitirem ao produtor produzir sua própria semente a um preço bem menor.

Na Tabela 1 são apresentadas as distribuições percentuais dos diferentes tipos de cultivares nas últimas safras. A maioria das empresas produz apenas híbridos, sendo que algumas produzem apenas híbridos triplos e simples. As variedades são produzidas por empresas públicas, sendo que apenas uma empresa privada produz variedade. Nos últimos anos, tem-se verificado um crescente aumento da disponibilidade de híbridos simples no mercado, que na safra 2009/10 já representa mais de 50% das cultivares disponíveis. Os híbridos triplos e os simples somados representam 73,2% do mercado. Deve ser enfatizado que a cultura do milho no Brasil apresenta uma taxa de utilização de sementes de 85%.

Tabela 1. Distribuição percentual dos diferentes tipos de cultivares de milho no Brasil

Tipo de cultivar
2000/ 01
2001/ 02
2002/ 03
2003/ 04
2004/ 05
2005/ 06
2006/ 07
2007/ 08
2008/09
2009/10
H. Simples
29,6
31,8
34,8
35,7
37,6
40,0
44,0
44,0
46,7
50,5
H.Triplos
38,3
32,4
31,3
29,7
28,4
25,3
24,0
25,1
24,5
22,7
H. Duplos
22,8
22,1
20,5
22,4
22,7
22,3
20,7
20,5
19,5
17,5
Variedades
9,2
13,6
13,4
12,2
11,3
12,4
11,3
10,4
9,3
9,3
Total cultivares
206
176
207
233
230
237
279
278
302
325
Eliminada/ novas
-
87/57
13 / 25¹
9 / 35
35 / 32
22 / 29
5/47
37/36
22/46²
49/26

Fonte: CRUZ & PEREIRA FILHO, 2009.

¹Na safra 2002/03 foram também consideradas 18 cultivares não relacionadas em 2001/02.
²Na safra 2008/09 foram também consideradas 12 cultivares não relacionadas em 2007/08.

Em termos de quantidade de sementes (toneladas) vendidas, também já existe uma predominância dos híbridos simples no mercado. Dados mais recentes da Associação Paulista dos Produtores de Sementes e Mudas
(APPS) indicam que, na safra 2007/08, a quantidade de sementes de milho híbrido simples foi de 57,48% de toda a semente vendida. Em relação ao período da safrinha, a tendência foi similar: na safrinha de 2008, a quantidade de sementes vendida de milho híbrido simples foi de 56,02% de todas as sementes vendidas.

Além das cultivares convencionais, as sementes transgênicas passaram de 19 na safra anterior para 104 na safra atual, demonstrando um grande incremento. Como uma mesma cultivar convencional pode ser comercializada com mais de uma versão transgênica, 76 cultivares normais (19 híbridos triplos e 57 híbridos simples) também são comercializadas na forma transgênica, havendo caso de uma mesma cultivar convencional apresentar até três versões transgênicas diferentes. Na safra atual, novos eventos transgênicos foram liberados oficialmente e, como consequência, resultaram em 104 versões transgênicas. Estas cultivares são resultantes de três eventos transgênicos para o controle de lagartas (56 cultivares contêm o evento MON 810 - marca registrada YieldGard®, 24 apresentam o evento TC 1507 - marca registrada Herculex I e 12 apresentam o Agrisure TL - conhecido como Bt11) e um evento transgênico que confere resistência ao herbicida glifosato aplicado em pós-emergência (marca registrada Roundup Ready 2, com 12 cultivares).

Comparando-se com a safra 2008/09, que foi a primeira em que o Brasil comercializou oficialmente milhos geneticamente modificados, isto é, sementes de milhos transgênicos, houve um grande avanço, o que indica necessidade de ajuste no sistema de produção. Foram comercializados, então, 19 híbridos transgênicos (4 híbridos triplos e 15 híbridos simples), que apresentam o gene Bt marca YieldGard®. Todas as versões transgênicas são também comercializadas em suas versões convencionais e, obviamente, apresentam as mesmas características agronômicas, diferindo apenas na característica que lhe é conferida pelo evento transgênico. As cultivares, convencionais e transgênicas, que estão no comércio na safra 2009/10 e suas principais características e recomendações podem ser vistas em tabelas no site http://www.cnpms.embrapa.br/milho/cultivares/index.php onde são relacionadas anualmente as cultivares de milho  disponíveis no mercado. Uma das tabelas lista todas as cultivares e suas características agronômicas, especificando: se a cultivar é transgênica ou convencional; se é híbrida ou variedade; qual o seu ciclo; a soma térmica, em °C, necessária da emergência ao florescimento masculino ou o número de dias da emergência à maturação fisiológica; e informação sobre a época de plantio mais indicada para cada cultivar. Algumas empresas especificam apenas o plantio de verão (V) ou safra normal (N) e a safrinha. Um maior número de empresas, entretanto, fornece mais informações, separando o plantio em cedo (C), normalmente em agosto e setembro; normal (N), em outubro e novembro; tardio (T), em dezembro e janeiro; e safrinha (S), principalmente em fevereiro e março. Quanto à finalidade a que se destinam, além da produção de grãos, o milho pode ser plantado para silagem da planta inteira (SPI), silagem de grãos úmidos (SGU) e para a produção de milho verde (MV). Também são listadas cultivares de milho pipoca, de milho doce e uma cultivar de milho ceroso para a indústria de amido.

Em relação à cor do grão, verifica-se que varia de branca e creme a avermelhada (AV), podendo também ser alaranjada (AL), amarelada (AM), amarela/alaranjada (AM/AL), amarela/laranja (AM/LR), alaranjada (AL), laranja (LR) ou laranja/avermelhada (LR/AV). Quanto à textura do grão, verifica-se uma predominância de grãos semiduros e duros no mercado, atendendo à expectativa da indústria, que valoriza mais estes tipos. Os grãos semidentados e os dentados são minoria e não são bem aceitos pela indústria. Grãos dentados são uma característica desejada e frequentes em materiais para produção de milho verde e silagem. A Tabela 3 fornece, ainda, informações sobre a resistência ao acamamento - alta (A), média (M) e baixa(B) - e sobre o nível tecnológico recomendado para cada cultivar, também dividido em alto (A), médio (M) e baixo (B) e suas variações, como médio a alto (M/A).

A outra Tabela fornece informações sobre o comportamento das cultivares de milho em relação às principais doenças, de acordo com os critérios: AT - Altamente Tolerante; T - Tolerante; MT - Medianamente Tolerante; BT - Baixa Tolerância; AR - Altamente Resistente; MR - Medianamente Resistente; MS - Medianamente Suscetível; S - Suscetível; AS - Altamente Suscetível; e SI - Sem Informação.

Escolha da semente

Aspectos relacionados às características da cultivar e do sistema de produção deverão ser levados em consideração para que a lavoura se torne mais competitiva. Os aspectos a serem considerados são os seguintes:

1 - adaptação às condições edafoclimáticas (condições de solo e clima) de cada região - atualmente, o Zoneamento Agroclimático indica as cultivares recomendadas para cada Estado, tanto no plantio da safra como na safrinha;

2 - aceitação comercial do tipo de grão pelo mercado consumidor, principalmente quanto à cor e à textura do grão;

3 - estabilidade e potencial de rendimento de grãos; 

4 - resistência ou tolerância às principais doenças que ocorrem na região;

5 - nível de tecnologia disponível para a cultivar a ser utilizada;

6 - ciclo adequado aos diferentes sistemas de produção.

A escolha de cada cultivar deve atender a necessidades específicas, pois não existe uma cultivar superior que consiga atender a todas as situações. Na escolha da cultivar, o produtor deve fazer uma avaliação completa das informações geradas pela pesquisa, pela assistência técnica, por empresas produtoras de sementes, por experiências regionais e pelo comportamento de safras passadas.

Adaptação à região

De fato, um dos primeiros aspectos a serem considerados na escolha da semente é sua adaptação à região. Entretanto, este aspecto é minimizado, pois normalmente as empresas de sementes já direcionam suas cultivares de acordo com as suas regiões de adaptação, com as principais doenças, com o sistema de produção predominante, com as exigências do mercado e com o perfil dos agricultores. O problema é quando o agricultor adquire sua semente em locais diferentes daqueles onde será implantada a lavoura.

Textura e coloração dos grãos

As cultivares de milho podem ser agrupadas de acordo com a textura do grão. Os milhos comuns podem apresentar grãos com as seguintes texturas:

1 - dentado ou mole ("dent"): os grãos de amido são densamente arranjados nas laterais dos grãos, formando um cilindro aberto que envolve parcialmente o embrião. Na parte central, os grãos de amido são menos densamente dispostos e farináceos. O grão é caracterizado pela depressão ou "dente" na sua parte superior, resultado da rápida secagem e da contração do amido mole;

2 - grão duro ou cristalino ("flint"): os grãos apresentam reduzida proporção de endosperma amiláceo em seu interior, notando-se que a parte dura ou cristalina é a predominante e envolve por completo o amido amilácio. A textura dura é devida ao denso arranjo dos grãos de amido com proteína. Existem, ainda, os grãos semiduros e os semidentados, que apresentam características intermediárias. Os grãos mais duros apresentam a vantagem de boa armazenagem e de qualidade de germinação. Milhos de grãos mais duros, preferidos pela indústria alimentícia, em algumas situações alcançam preço um pouco superior no mercado, enquanto que os de grãos dentados não são aceitos ou comprados por um preço menor. No entanto, em materiais para produção de milho verde e silagem, grãos dentados são uma característica desejada e frequente.

Verifica-se no mercado uma predominância de grãos semiduros (em torno de 54%) e duros (em torno de 28%). Materiais dentados são minoria (em torno de 5%) e geralmente são utilizados para a produção de milho verde ou para produção de silagem. Em relação à cor do grãos, verifica-se uma predominância no mercado de cultivares de grãos alaranjados (AL) ou laranja (LR), variando de cerca de 56% a 65%; grãos avermelhados (AV) e avermelhados/alaranjados (AV/AL) variando de 5,4% a 7,3%; e grãos amarelados (AM) e amarelados/alaranjados (AM/AL) variando de 26,8% a 35,4%.

Estabilidade e produtividade

O potencial produtivo de uma cultivar é um dos primeiros aspectos considerados pelos agricultores na compra da semente. Entretanto, sua estabilidade de produção, que é determinada em função do seu comportamento em cultivos em diferentes locais e anos, também deverá ser considerada. Cultivares estáveis são aquelas que, ao longo dos anos e dentro de determinada área geográfica, têm menor oscilação de produção, respondendo à melhoria do ambiente (anos mais favoráveis) e não tendo grandes quedas de produção nos anos mais desfavoráveis. As sementes das variedades melhoradas são de menor custo e, com os devidos cuidados na multiplicação, podem ser reutilizadas por alguns anos sem diminuição substancial da produtividade. São, ainda, de grande utilidade em regiões onde, devido às condições socioeconômicas e de baixo acesso à tecnologia, a utilização de milho híbrido torna-se inviável. O preço de um saco de 20 Kg de semente variedade varia de R$ 45 a R$ 55. No segmento da agricultura familiar e em sistemas de produção orgânica, as variedades são amplamente utilizadas e recomendadas.

Os híbridos simples são potencialmente mais produtivos que os outros tipos, apresentando maior uniformidade de plantas e de espigas. São também os mais caros, custando, muitas vezes, acima de R$ 300 o saco de 60 mil sementes, normalmente suficiente para o plantio de um hectare. Os híbridos triplos são também bastante uniformes e seu potencial produtivo é intermediário entre os híbridos simples e os duplos. O mesmo ocorre com o preço de suas sementes. Os híbridos duplos são um pouco mais variáveis em características da planta e da espiga que os simples e os triplos. O custo da semente dos duplos é mais baixo que o preço da semente dos simples e dos triplos.

Resistência ou tolerância às principais doenças

As doenças podem ocorrer de forma epidêmica, podendo atingir até 100% das plantas na lavoura. Em áreas de plantio direto, os problemas poderão ser agravados, principalmente com cercosporiose, helmintospirose e podridões do colmo e das espigas. Atualmente, o problema com doenças é sério em algumas regiões do país, especialmente onde a cultura permanece no campo durante todo o ano, como em áreas irrigadas ou onde o plantio de safrinha é significante. Nestas situações, é fundamental a escolha de cultivares tolerantes às principais doenças (Tabela 7.4) para evitar redução de produtividade. A sanidade dos grãos também deve merecer atenção na escolha da cultivar. Tal característica é função, principalmente, da resistência genética da cultivar aos fungos que atacam o grão e está normalmente associada a um bom empalhamento. Baixa percentagem de espigas doentes e grãos ardidos são características que podem estar incorporadas ao insumo semente e representam valor agregado, pois melhor qualidade de grãos poderá significar maior preço no mercado.

Ciclo

As cultivares são classificadas em normais, semiprecoces, precoces e superprecoces. Algumas cultivares são classificadas, pela empresa produtora, como hiperprecoces. No mercado, há ampla predominância de cultivares precoces (72,5%), que são as mais plantadas tanto na safra como na safrinha. Entretanto, em situações especiais, para escapar de estresses climáticos, como geada em plantios tardios ou na safrinha nos estados mais ao Sul, ou em condições de período chuvoso reduzido, como em algumas regiões do Nordeste, e mesmo em sistemas de sucessão de culturas em agricultura irrigada, quando há necessidade de liberar a área para o plantio de uma outra cultura, as cultivares hiperprecoces ou superprecoces - que representam cerca de 24% do mercado - são utilizadas preferencialmente. Esta classificação quanto ao ciclo não é muito precisa. Provavelmente por esta razão, para efeito de Zoneamento Agrícola de riscos climáticos, houve uma grande mudança para a safra 2009/10. Para efeito de simulação, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento classifica as cultivares em três grupos de características homogêneas: Grupo I (n < 110 dias); Grupo II (n maior ou igual a 110 dias e menor ou igual a 145 dias); e Grupo III (n >145 dias), onde n expressa o número de dias da emergência à maturação fisiológica.

Qualidade do colmo e da raiz

Com o aumento do nível tecnológico na cultura do milho, um dos fatores que deve ser considerado é a resistência da planta ao acamamento e ao quebramento. Embora estas características também sejam afetadas pelo manejo da lavoura, elas variam com a cultivar. Lavouras que serão colhidas mecanicamente deverão ser plantadas com cultivares que apresentam boa qualidade de colmo, evitando, dessa forma, perdas na colheita. Além dos aspectos relacionados, as cultivares também se diferenciam em outras características morfo e fisiológicas, como: arquitetura de planta; sincronismo de florescimento; empalhamento; decumbência (percentagem de dobramento de espigas após a maturação); tolerância a estresses de seca e temperatura; tolerância às pragas; tolerância ao alumínio tóxico; e eficiência no uso de nutrientes. Todas estas outras características também devem ser consideradas na escolha da cultivar.

Considerações gerais

Com todas essas considerações, conclui-se que a escolha da cultivar é uma tarefa complexa. O agricultor deverá levar em consideração todas as informações que conseguir junto às empresas produtoras de sementes, assistência técnica e pesquisa, de forma a ajustar a cultivar escolhida ao seu sistema de produção, principalmente levando em consideração que todos os anos novas cultivares são lançadas no mercado.

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