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ÁRVORE DO CONHECIMENTO Milho      Equipe editorial Ajuda

Milho para Silagem

Autor(es): José Carlos Cruz ; Israel Alexandre Pereira Filho ; Miguel Marques Gontijo Neto

A preocupação em produzir alimento volumoso para os rebanhos, particularmente no período seco do ano quando as pastagens naturais tornam-se cada vez mais precárias, tem aumentado a utilização da silagem especialmente entre os pecuaristas que se dedicam à produção de leite. Embora existam várias plantas forrageiras, anuais e perenes, que servem para a produção de silagem, o milho é uma das culturas mais utilizadas neste processo no Brasil por apresentar um bom rendimento de matéria verde, excelente qualidade de fermentação e manutenção do valor  nutritivo da massa ensilada. Outras vantagens que o cereal proporciona são um baixo custo operacional de produção e uma boa aceitabilidade por parte dos animais.
O milho é a forragem mais tradicional por apresentar condições ideais para a produção de uma boa silagem, como o teor de matéria seca por ocasião da ensilagem entre 30% e 35%, mais de 3% de carboidratos solúveis na matéria original e baixo poder tampão. No passado, as tecnologias recomendadas para a produção de milho para silagem visavam basicamente a produção de massa verde, dando ênfase ao uso de cultivares de porte alto e com alta densidade de plantio. Posteriormente, a qualidade da silagem passou a ser avaliada somente através da porcentagem de grãos na matéria seca. Isto foi atribuído devido ao grande número de trabalhos desenvolvidos até a década de 1970, demonstrando que os grãos de milho são mais digestíveis do que as folhas e hastes da planta e, desta forma, aumentando-se sua proporção na silagem. Desta forma, aumentaria também a qualidade da mesma. A partir dos anos oitenta, vários trabalhos de pesquisa mostraram que a digestibilidade da porção volumosa (colmos + folhas) também deveria ser avaliada na determinação da qualidade da cultivar a ser ensilada.
Qualidade da silagem

A produção de silagem de milho de boa qualidade varia de ano para ano em função de uma série de condições, tais como a escolha da cultivar, as condições de clima e solo  e o manejo cultural. Dentre as cultivares de milho comercializadas na safra 2009/10 há indicação de 104 cultivares para a produção de silagem de planta inteira, 29 cultivares para a produção de silagem de grãos úmidos e 17 cultivares indicadas para ambos os tipos de silagem. No caso da silagem, é sabido que algumas cultivares apresentam melhor comportamento do que outras; entretanto, pelo número de cultivares indicadas para silagem, pode-se inferir que essa recomendação está generalizada, o que até certo ponto é compreensível, considerando a alta qualidade natural do milho como planta forrageira. A não recomendação da cultivar para silagem não implica necessariamente que o material não deva ser usado como tal.
O conhecimento do valor nutritivo das silagens utilizadas para ruminantes é de grande importância, principalmente para animais de grande produção, como vacas em lactação. Dietas deficientes em energia reduzem a produção de leite, causam excessiva perda de peso, geram problemas reprodutivos e podem diminuir a resistência a doenças. Por outro lado, o excesso de energia aumenta o custo de alimentação, acumula gordura nos animais e causa problemas metabólicos. O conhecimento do percentual de matéria seca contido na silagem é importante, pois é com base nele que se estabelece o cálculo da dieta, já que o consumo do alimento pelos animais é estabelecido em kg de MS animal-1dia-1. Assim, quanto menor o teor de matéria seca, maior será o consumo. Existe uma faixa de percentagem de matéria seca que é ideal tanto para o consumo como para a produção e conservação da silagem. Considerando que,  embora existam algumas variações no ponto ideal de colheita, recomenda-se o estádio compreendido entre 32% e 35% de matéria seca (MS). o que deverá ocorrer no ponto em que os grãos estiverem no estádio farináceo-duro, começando a apresentar a conformação dentada.
As vantagens de se cortar a planta nesse estádio são:
a) decréscimo na produção de matéria verde, porém com aumento significativo na produção de matéria seca por área;
b) decréscimo nas perdas no armazenamento, principalmente pela redução de efluentes;
c) aumento significativo no consumo voluntário da silagem;
d) menor concentração de ácidos durante a fermentação no silo e pH mais elevado.
Como desvantagem, ocorre, provavelmente, um pequeno aumento nas perdas no campo e na colheita. Normalmente, a elevação do teor de MS (matéria seca) está associado ao aumento do consumo voluntário de MS da silagem de milho.
Escolha da semente

A escolha de cultivares de porte alto com elevada produção de massa seca total como era utilizado no passado, mostrou-se inadequada principalmente devido à pequena percentagem de grãos presentes na massa. Vários estudos mostram a importância da espiga na produção e na qualidade da planta do milho. Estes estudos mostram que, sendo responsável por aproximadamente 50% da produção total de matéria seca, a produção de grãos está geralmente correlacionada à produção de matéria seca total na planta.  Há um consenso entre extensionistas e pesquisadores que define a planta ideal para ensilagem como sendo aquela que apresenta alta percentagem de grãos na silagem, que contenha fibras de melhor digestibilidade e, obviamente, apresente alta produtividade de massa.
A cultivar deve, ainda, possuir características agronômicas favoráveis, de forma a ser compatível com sistemas de produção eficientes e competitivos. É importante conhecer o nível protéico da forragem ou silagem de milho, que normalmente varia de 6% a 9%, com média ao redor de 7% - 7,5%. O teor de Fibra em Detergente Neutro (FDN) representa a quantidade total de fibra no alimento, a qual está negativamente correlacionada ao consumo de MS porque a fibra fermenta mais lentamente e permanece por períodos mais prolongados no rúmen, se comparada a outros componentes da ração. Assim, quanto menor o nível de Fibra em Detergente Neutro (FDN), maior o consumo de matéria seca. Resultado de pesquisa mostra que animais leiteiros que receberam silagem de milho com menor percentagem de Fibra em Detergente Neutro (FDN) e de melhor digestibilidade, aumentaram o consumo de MS e,  consequentemente,  a produção de leite.
Os níveis de Fibra em Detergente Neutro (FDN) variam conforme a espécie vegetal e o estádio vegetativo. Normalmente, os níveis de  Fibra em Detergente Neutro (FDN) nas leguminosas são mais baixos do que nas gramíneas. Dentro da mesma espécie vegetal, as plantas mais novas apresentam níveis de Fibra em Detergente Neutro (FDN) mais baixos, o que é facilmente detectado com o maior consumo pelos animais. Os níveis de Fibra em Detergente Neutro (FDN) nas silagem de milho variam bastante, porém é considerado um bom nível ao redor de 50%. Atualmente, com base em pesquisas, estabeleceu-se, por exemplo, que o consumo total de Fibra em Detergente Neutro (FDN), nas vacas em lactação, deve ficar em 1,2% do seu peso vivo em que 75% devem ser oriundos dos volumosos (silagem). Uma análise dos últimos artigos encontrados em literatura confirmam a grande variação nos teores de  Fibra em Detergente Neutro (FDN), sendo verificado uma amplitude de 36,67% a 75%. A Fibra em Detergente Ácido (FDA) indica a digestibilidade da silagem, já que contém a maior proporção de lignina, fração de fibra indigestível. A Fibra em Detergente Ácido (FDA) indica a quantidade de fibra que não é digestível. A Fibra em Detergente Ácido é um indicador do valor energético da silagem: quanto menor a Fibra em Detergente Ácido (FDA), maior o valor energético. Na média, um bom nível de Fibra em Detergente Ácido na silagem de milho fica ao redor de 30%.
De forma semelhante ao que ocorre com os teores de Fibra em Detergente Neutro (FDN), uma análise dos últimos artigos encontrados na literatura, confirmam a grande variação nos teores de Fibra em Detergente Ácido, sendo verificado uma amplitude de 20,63% a 54,3%. De acordo com os trabalhos apresentados e as informações disponíveis, a escolha do material para silagem deve ser criteriosa, levando-se em conta o ciclo e o tipo de cultivar, sua produção de grãos e massa seca, sua proporção de grãos e boa qualidade da fração verde. Dificilmente todas essas características serão encontradas em uma única cultivar. Neste caso, aconselha-se optar por aquelas que apresentem alta produtividade de massa e boa percentagem de grãos, assegurando um processo de fermentação melhor e garantindo ingestão voluntária compatível com o elevado desempenho animal esperado.
Manejo cultural

Também é fundamental explorar ao máximo o potencial produtivo da cultivar escolhida, através de sistema de manejo adequado e da escolha correta do local a ser instalada a lavoura. Além disso, deve-se levar em consideração que a área média por propriedade usada para a produção de milho para silagem é relativamente pequena. Portanto, deve-se investir na sua melhoria. A eficiência do rendimento e a boa qualidade da forragem estão diretamente ligadas ao manejo da cultura do milho, principalmente quanto à cultivar a ser  utilizada, espaçamento, densidade e época de semeadura, profundidade de plantio, adubação de plantio e cobertura,. Aspectos como irrigação, controle de plantas daninhas, pragas e doenças também são fundamentais.
O potencial de rendimento de uma lavoura de milho pode ser definido como o rendimento obtido quando tal lavoura é cultivada em ambiente ao qual está adaptada. O manejo cultural bem conduzido responde por 50% do potencial produtivo de uma cultivar de milho. Cada parâmetro citado pode, de maneira isolada ou em interação, atuar nos diversos estádios de desenvolvimento da planta de milho, interferindo em menor ou maior escala no processo produtivo, seja para qual for a utilidade. O sucesso de um bom manejo implica em reconhecer e entender as interações que ocorrem entre os fatores de produção da planta de milho.
Época de plantio

A época de semeadura mais adequada é aquela que coincide o período de floração com os dias mais longos do ano e a etapa de enchimento de grãos com o período de temperaturas mais elevadas e alta disponibilidade de radiação solar. A época de semeadura afeta várias características da planta, ocorrendo um decréscimo mais acentuado no número de espigas (prolificidade) e no rendimento de grãos. A redução na produção de grãos em maior proporção com o atraso na época de plantio pode resultar em aumento nas demais estruturas da planta e afetar a qualidade do milho para silagem Os dados da Tabela 1 exemplificam essa situação. O rendimento de matéria seca sofre influência da época de plantio, sendo que a semeadura mais tardia reduz a quantidade de matéria seca.
Tabela 1. Influência da época de semeadura na produção de matéria seca e composição da planta.
Épocas
20/09 05/10
20/10
05/11

20/11

Matéria verde ( Kg ha-1 )
34.920
48.359
50.973
59.973
57.471
Matéria seca  ( Kg ha-1 )
16.080
17.360
16.160
14.180
12.780
% colmo
 25 22 24,3 32,534,6
% folha
 20,8 15,816,3
 21,6 24,7
% espigas
 54,4 62,2 59,2 46,0 40,1
Grãos ( Kg ha- 1 )
7,455
9.711
9.214
7.227
7.273
Altura planta( m )
1,72
 2,322,53
 2,872,97
Altura espiga ( m )
1,13
 1,23 1,321,57
1,62
% Acamamento
 1,5 4,51,7
 11,833,3 
Fonte: Keplin, L.A.S., citado por Nússio, 1992.
A melhor época de plantio de milho para silagem deve ser a mesma recomendada para o melhor desempenho da cultivar em uso para grãos. Produtores acabam plantando milho para silagem mais tarde para evitar ensilar na época das chuvas, mas estudos na Embrapa Milho e Sorgo e na Universidade Federal de Lavras (UFLA), revelaram perdas de 24 kg a 30 Kg de grãos/ha/dia de atraso após a época ideal de plantio. Plantios tardios acarretam menor porcentagem de grãos, plantas estioladas, menor porcentagem de espigas viáveis e falhas de polinização, maior presença de mato, pragas e doenças pelas altas temperaturas com umidade, requeima, alta possibilidade de seca no florescimento ou enchimento. Todos estes fatores afetam diretamente a produtividade e a qualidade da silagem. O ideal é utilizar uma cultivar de ciclo longo de enchimento ou maturação para ampliar a janela de colheita.
Densidade de plantio

Outro aspecto importante na produção de silagem de milho é a densidade de plantio. Dentro das técnicas de manejo cultural, é um dos parâmetros mais importantes. De maneira generalizada, a causa dos baixos rendimentos de milho, tanto para grãos quanto para forragem, é função do baixo número de plantas por área. Além disso, a densidade de plantio pode também afetar a qualidade da silagem, uma vez que afeta a proporção entre as partes da planta (espiga, colmos e folhas).
Resultados de pesquisa  mostram que os percentuais de colmo crescem quando ocorre aumento na população de plantas/ha. Considerando que a maior concentração de fibra (Fibra em Detergente Neutro; FDN) está presente no colmo, consequentemente o excesso de população de plantas, que propicia maior percentagem de colmos, resultará em menor digestibilidade e consumo do material produzido. Normalmente, a recomendação da densidade de plantas para milho, grãos ou forragem segue os mesmos valores, uma vez que a densidade que proporcionar maior rendimento de grãos por hectare fornecerá também maior rendimento de forragem ou silagem de boa qualidade nutritiva.
Esse princípio se baseia no fato de que, para uma determinada cultivar, quanto maior a produção de grãos melhor será a qualidade da forragem. A melhor população de plantas para silagem é a mesma recomendada para uma melhor produção de grãos. A participação de colmo na matéria seca da silagem gira em torno de 25% com a pior fração de digestibilidade (51,7%). Isto significa que, com aumento da população de plantas, a porcentagem de colmo pode passar de 30%, aumentando também o valor total das fibras e comprometendo o consumo e a digestibilidade da silagem. Além disso, pode aumentar o desgaste do solo com nutrientes, aumentar o nível de acamamento, doenças e requeima. Aliado a este fato, podem ainda ocorrer condições climáticas desfavoráveis, como a ocorrência de seca, onde a produtividade e a qualidade ficarão muito mais comprometidas, encarecendo o custo total da silagem produzida. Estudos mostram que, com boa adubação ou em solos férteis, não se deve aumentar mais do que 10% a população de plantas por hectare para não comprometer a qualidade final da silagem. Não adianta aumentar a população em demasia buscando ganhos de produtividade e perder significativamente em qualidade.
Também como ocorre em  lavouras para a produção de grãos, o plantio com o espaçamento reduzido, que tem promovido o aumento da produtividade de grãos, melhora a qualidade da silagem, aumentando a porcentagem de NDT e reduzindo a porcentagem de participação de fibras na matéria seca. Entretanto, vale a pena ressaltar que não se deve aumentar mais do que 10% a população de plantas para não comprometer a qualidade da silagem, senão ocorrerá aumento significativo nas porcentagens de Fibra em Detergente Neutro (FDN) e Fibra em Detergente Ácido (FDA), reduzindo o consumo e a digestibilidade da silagem, respectivamente.
Se o produtor possui ensiladeira de área total ou automotriz, reduzindo o espaçamento e trabalhando com ensiladeiras convencionais de uma ou duas linhas, aumenta-se significativamente o custo de corte, transporte e óleo diesel, além de promover maior compactação do solo.
Manejo do solo e adubação
Outro aspecto importante a ser considerado na produção de forragem de milho é a adubação. Na produção de silagem a exportação de nutrientes é muito maior, pois, além dos  grãos, são também retirados da área grande parte de colmos e folhas. Isto é especialmente relevante no caso do  potássio, pois apenas cerca de 20% desse nutriente se localiza nos grãos. Consequentemente, no caso da produção de forragem, a extração de potássio é cerca de cinco vezes maior no caso da produção de grãos. Cerca de 80% do K (potássio), 50% do Ca (cálcio) e do Mg (magnésio), entre outros nutrientes que ficam na palhada, são bastante extraídos com a prática da silagem e acabam empobrecendo o solo e comprometendo a produtividade, a qualidade e o custo final da silagem.
Para silagem, existem regras diferentes do que correções e adubações para grãos, ou seja, devemos elevar a saturação de bases (V%) para 70%, o potássio para 5% da CTC (Capacidade de Troca Catiônica) do solo e trabalhar com adubações que variam de 30% a 50% a mais do que a utilizada para grãos. Devemos fazer análises de solo de 0 cm - 20 cm e de 20 cm - 40 cm para conhecer melhor o perfil do solo para silagem. Outro grave problema é a exaustiva retirada de massa vegetal da área, comprometendo a quantidade de matéria orgânica e a estrutura física do solo, gerando desuniformidade na emergência das plantas e, consequentemente, reduzindo a fertilidade natural, além de favorecer o aparecimento de erosões e, mais frequentemente,  provocar a compactação da área. Este úlltimo fato é agravado pelo tráfego de máquinas e equipamentos que normalmente ocorre na ocasião da colheita, quando o solo geralmente apresenta um teor de umidade mais propício à compactação.
Torna-se necessário um programa de rotação de culturas, com o desenvolvimento de uma cultura de inverno ou safrinha nas áreas de silagem que podem aumentar a produtividade e melhorar a estrutura física e a fertilidade natural do solo, de acordo com a época de colheita da silagem e da região do plantio, tais como: Tremoço Branco, Milheto, Guandu, Crotalária, Girassol, Canola, Sorgo, Aveia, Triticale, Brachiárias, etc.
Manejo fitossanitário
O  manejo de insetos-praga, doenças e plantas daninhas na produção de silagem é similar ao utilizado para a produção de grãos.
Colheita

A época de colheita da lavoura para a silagem ou o ponto ideal de colheita para a produção de silagem é assunto que já foi bastante discutido entre produtores e técnicos, mas até hoje é considerado um dos principais gargalos na produção de silagem. É muito frequente situações desfavoráveis de produção de silagem de milho devido à antecipação do momento ideal para a colheita quando a planta ainda não apresenta teor de matéria seca desejado e os grãos ainda não acumularam quantidade suficiente de amido. Embora existam informações técnicas sobre o efeito do teor de matéria seca sobre a produção e qualidade da silagem e mesmo sobre o seu efeito na nutrição animal, os agricultores ainda têm dificuldades de efetuar essa colheita no momento oportuno por uma série de razões, exigindo principalmente dos órgãos de fomento e assistência técnica uma melhor estratégia de abordagem para a resolução desse problema.  
Quando o milho para silagem é colhido antes de completar seu ciclo, isto é, antes do milho atingir sua maturidade fisiológica, a data da colheita afeta a produção de massa seca total e a composição relativa das diferentes partes da planta, principalmente a percentagem de grãos na massa seca total. O corte antecipado do milho para silagem resulta em perdas significativas na produção total de matéria seca e na percentagem de grãos na planta e também será menor será a qualidade da silagem. A antecipação do corte do milho para silagem, em função da menor quantidade de grãos, eleva os teores de fibras e reduz sensivelmente os teores de energia da silagem. Embora o teor de matéria seca reduzido (abaixo de 30%) seja indesejável, a colheita do milho com teores de MS acima de 35% - 37% também não é desejável, pois aumenta a resistência da massa de silagem à compactação durante a sua produção, reduzindo a densidade. Altos teores de MS (acima de 40%) também exigem maior potência do equipamento que realiza a colheita para manter o tamanho da partícula uniforme.
Além desses fatores, quando o grão atinge a maturidade fisiológica, a digestibilidade do amido decresce, principalmente em cultivares que apresentam textura de grãos do tipo duro. O teor de matéria seca é considerado um dos mais importantes fatores que contribuem para a obtenção de uma boa silagem. Para se conseguirem silagens com adequado teor de matéria seca, as plantas devem ser cortadas com os grãos entre a textura pastosa e farinácea dura. Existe uma faixa de percentagem de matéria seca que é ideal tanto para o consumo como para a produção e conservação da silagem, que, no caso do milho, fica em torno de 30% a 35%. Teor de MS (matéria seca) inferior a 25% propicia ambiente favorável à proliferação e ao desenvolvimento de bactérias produtoras de ácido butírico e também a perdas de princípios nutritivos, por lixiviação, e intensa degradação de proteínas. No ponto farináceo-duro, a silagem produzida tem como principal característica alto consumo, o que, sem dúvida, eleva o seu valor nutritivo.
É interessante notar que a digestibilidade da matéria seca e o  valor de Nutrientes Digestíveis Totais (NDT), como indicativos do valor nutritivo do alimento, sofrem pequenas alterações com a evolução da maturação fisiológica. Esse fato pode ser explicado pela maior participação percentual do colmo na qualidade da planta nos estádios iniciais de maturação. Nos estádios mais avançados, este é gradativamente substituído pela fração de grãos, que assume maior participação na matéria seca da planta, caracterizada pela maior densidade energética e maior teor de matéria seca, enquanto que o colmo passa a perder qualidade rapidamente devido ao espessamento e à lignificação da parede celular. Um exemplo prático da vantagem de se colher o milho no momento certo é apresentado na tabela 1, cujos resultados foram obtidos em uma mesma propriedade que plantou a mesma cultivar (AG 1051, uma das cultivares mais plantadas em Minas Gerais) em ambas as safras, participando do Concurso de Produtividade de Milho promovido pela Emater-MG na região central de Minas Gerais.
Na safra 2006/07, o milho foi colhido com teor de matéria seca (MS) de 20,22%, portanto bem abaixo do recomendado. A produtividade de massa verde (MV) foi de cerca de 70 t/ha, mas a massa seca produzida foi de apenas 14,27 t/ha. Por outro lado, na safra 2008/09, quando o milho foi colhido com o teor de MS (matéria seca) de 33,17%, portanto dentro da faixa recomendada, a MV foi menor (cerca de 65 t/ha), mas a MS, que é o que interessa, foi de 21,74 t/ha, portanto 7 t/ha a mais. Além disso, a qualidade da silagem colhida com o teor de MS  (matéria seca) adequado resultou em silagem de melhor qualidade.
Tabela 2. Produção de massa verde e seca e teor de matéria seca em silagem de milho
Safra
Área (ha)
 Plantas/ha
 Espigas
 MV
Teor  MS (%)
 MS/ha
2006/07
35
 67.434 65.543 70.60420,22
 14.276
2008/09
 62 57.500 62.625 65.550 33,17 21.743
 Fonte: Keplin, L.A.S., citado por Nússio, 1992.
Na maioria das situações, o produtor faz a opção pelo corte antecipado da planta mais verde por quatro motivos:
(i) ensiladeira corta mais fácil;
(ii) a compactação no silo é facilitada;
(iii) os animais consomem mais e
(iv) perde-se menos grãos nas fezes.
Outra razão seria devido ao fenômeno de clorose das folhas inferiores das plantas devido à adubação inadequada, principalmente com nitrogênio e enxofre. Esse fenômeno daria uma falsa impressão que a planta está secando, o que levaria muitos agricultores a iniciar a colheita de forma antecipada. Para melhorar o corte do milho no ponto ideal de colheita, o agricultor deverá trabalhar a colheitadeira, fazendo a afiação das facas, no mínimo duas vezes ao dia, bem como fazer a aproximação das facas com contrafacas de maneira a se obter tamanhos regulares de partículas e a máxima quebra dos grãos.
Geralmente, as regulagens de corte recomendadas para as ensiladeiras disponíveis no mercado variam entre 4 mm e 6 mm, proporcionando partículas com tamanho entre 1 cm e 3 cm e com boa eficiência na quebra de grãos. Eventualmente, regulagens até menores são recomendadas se os teores de MS forem mais elevados.


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