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ÁRVORE DO CONHECIMENTO Feijão      Equipe editorial Ajuda

Sementes

Autor(es): Murillo Lobo Junior

O uso de sementes de qualidade é um elemento chave para o sucesso dos cultivos do feijoeiro comum, e um seguro contra vários problemas de importância da cultura, pois facilitam aumentos na produtividade e reduzem os custos de produção. Por sementes de qualidade entendem-se sementes de alta germinação e vigor, com alta pureza genética e física.

Instalar os plantios com sementes sadias, com alto vigor e tratadas é parte essencial da redução de riscos de uma lavoura. Infelizmente, no Brasil ainda prevalece o uso de grãos próprios no plantio, em 90% das lavouras, o que contrasta com diversos avanços tecnológicos que vêm sendo incorporados às lavouras, como cultivares melhoradas, novos insumos e sistemas de produção aperfeiçoados. De modo geral, plantas originadas de grãos não resultam em altas produtividades conforme o potencial genético da cultivar.

Além da baixa qualidade fisiológica das sementes, outra causa do baixo rendimento do feijoeiro comum são as doenças, em sua maioria transmitidas por sementes. Quase todas as doenças do feijoeiro podem ser disseminadas por sementes. Entre elas, estão a antracnose (Colletotrichum lindemuthianum), a mancha angular (Phaeoisariopsis griseola), a murcha de curtobacterium (Curtobacterium flaccumfasciens pv. flaccumfasciens), a mancha de Alternaria (Alternaria spp.), o crestamento bacteriano (Xanthomonas axonopodis pv. phaseoli), o mofo branco (Sclerotinia sclerotiorum), a murcha de fusário (Fusarium oxysporum f. sp. phaseoli), as podridões radiculares (Fusarium solani f. sp. phaseoli e Rhizoctonia solani), a mela (Thanatephorus cucumeris) e a podridão cinzenta da haste (Macrophomina phaseolina).

Portanto, iniciar uma lavoura com sementes infectadas com patógenos acarreta na provável alta dependência de fungicidas e no risco de se ter uma lavoura potencialmente já comprometida desde o seu início por doenças importantes como a antracnose (Figura 1).

Fotos: Murillo Lobo Júnior  
   Figura 1a
Figura 1. Infecção em cotilédones e vagens de feijoeiro comum por Colletotrichum lindemuthianum.

 

O tratamento de sementes também aumenta as chances de produtividades mais altas e um maior retorno econômico. Há diversos fungicidas registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para a cultura do feijoeiro, disponíveis na base de dados Agrofit (http://extranet.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons). Os custos médios do tratamento de sementes são estimados em 0,5% do total do custo de produção.

A adequação de áreas para a produção de sementes deve considerar condições ambientais favoráveis à cultura e adversas ao desenvolvimento das doenças. Essa restrição fez com que a produção de sementes de feijoeiro comum migrasse para os plantios da estação seca (maio-setembro), onde os cultivos foram viabilizados na década de 80 com o uso da aspersão por pivô central, em regiões de Cerrado.

Nesse ambiente, a baixa umidade relativa do ar restringe o período de molhamento foliar criando dificuldades para o desenvolvimento das principais doenças da parte aérea. Por outro lado, sob temperaturas amenas e alta umidade do solo encontradas nas áreas irrigadas do Cerrado forma-se um microclima altamente favorável para outras doenças como o mofo branco (Figura 2), que também podem causar danos em nível econômico em outras épocas de plantio. Para produção de sementes em áreas irrigadas por pivô central, é necessário que outras práticas culturais sejam adotadas, para que a produção de sementes nessas áreas não seja inviabilizada.

Fotos: Murillo Lobo Júnior
figura 2
figura 2a
Figura 2. Sintomas do mofo branco (Sclerotinia sclerotiorum) em vagens de feijoeiro comum
detecção do patógeno em teste de sanidade de semente.

 
Mais recentemente, a exploração de várzeas tropicais no Estado do Tocantins tem trazido novos rumos à produção de sementes de qualidade. A irrigação por sub-superfície (subirrigação) durante o plantio na estação seca substitui a aspersão, inibindo o desenvolvimento de patógenos. A produção de sementes de feijão em várzeas tropicais é economicamente viável mesmo com a distância até as regiões tradicionais de cultivo de feijão. Esse sistema abre a perspectiva de abastecimento de muitas regiões com sementes de alta qualidade fisiológica e sanitária. É importante frisar que, mesmo com as vantagens promovidas pelo ambiente nesse local, as boas práticas agrícolas continuam sendo importantes para a preservação desse ambiente privilegiado para a produção de sementes.

Os padrões para produção e comercialização de sementes de feijão comum, estabelecidos na Instrução Normativa Nº 25, de 16 de dezembro de 2005, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, podem ser vistos em documento disponível nas informações complementares (abaixo).

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