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Pós-colheita

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Vários fungos e bactérias patogênicos são capazes de infectar os bulbos de cebola durante a fase de cultivo e após a colheita, e ocasionar desde perdas cosméticas e superficiais nas escamas externas até a deterioração completa dos bulbos. Embora a maior parte destas doenças apareçam somente no período de pós-colheita, a infecção pode ocorrer em diferentes estádios de desenvolvimento da cultura.

Em relação às doenças causadas por fungos, em regiões tropicais é comum a incidência do mofo-preto (Aspergillus) e mofo-verde (Penicillium) como causadores de perdas pós-colheita em cebola, enquanto a podridão-aquosa (Botrytis allii) é mais importante em regiões de clima mais ameno.

Outras doenças de pós-colheita em cebola causadas por fungos são antracnose (Colletotrichum circinans), podridão-rosada (Pyrenochaeta terrestris), podridão-basal (Fusarium oxysporum f. sp. cepae) e podridão-branca (Sclerotium cepivorum).

Entre as bactérias, as mais importantes são as podridões do bulbo ou das escamas causadas por Pectobacterium carotovorum subsp. carotovora (Erwinia), Burkholderia cepacia (Pseudomonas), Pseudomonas viridiflava e P. gladioli pv. alliicola. Também existem registros do envolvimento de uma levedura (Kluyveromyces marxianus) como causadora de podridão.

Em muitos casos, podem ocorrer doenças pós-colheita causadas por mais de um patógeno, envolvendo inclusive fungos e bactérias. A bactéria Burkholderia cepacia pode iniciar a infecção das escamas e Pectobacterium afetar o restante do bulbo a partir destas escamas.

Situação semelhante pode ocorrer com fungos, com Pyrenochaeta causando a podridão-rosada das raízes e posteriormente Fusarium colonizando toda a região basal dos bulbos.


A seguir estão relacionadas algumas das doenças mais relevantes na fase de pós-colheita. Algumas também ocorrem na fase de cultivo.

 

  • Mofo preto (Aspergillus niger)
O principal sintoma é a presença de partes escuras, que são o micélio e os esporos do fungo, nas partes externas dos bulbos, ou em seu interior, entre as escamas (Figura 1).
Foto: Valter Rodrigues Oliveira
Sintomas de mofo preto em cebola

Figura 1. Sintomas de mofo preto em cebola
 
À medida que a doença progride, o fungo pode afetar todo o bulbo, com todas as escamas infectadas e o bulbo torna-se murcho e enrugado. Alguns bulbos podem ter apenas lesões internas, e o fungo também pode estar associado com a incidência de podridão-mole causada pela bactéria Pectobacterium (= Erwinia). O fungo depende basicamente de ferimentos para penetrar na hospedeira. 

 
  • Mofo verde (Penicillium  spp.)
Várias espécies de Penicillium causam manchas nas escamas externas dos bulbos de cebola. A princípio, estas manchas são aquosas e tornam-se amarela-escura ou avermelhadas, e depois quando o fungo se desenvolve é possível observar mofo verde ou azulado.
 
  • Antracnose da cebola branca (Colletotrichum circinans)
O sintoma principal são manchas escuras nas camadas externas dos bulbos e do “pescoço”, que alcançam até 2,5 cm de diâmetro, em geral com círculos concêntricos. A doença compromete a aparência dos bulbos, com uma espécie de ‘fuligem’ escura.
 
  • Podridão basal (Fusarium oxysporum f. sp. cepae)
A podridão basal pode ou não estar associada com a incidência da raiz-rosada, causada pelo fungo Pyrenochaeta terrestris. A base do bulbo fica apodrecida, com uma massa branca de micélio do fungo, e o bulbo inteiro pode ficar com aspecto mumificado.
 
  • Podridão aquosa (Botrytis allii)
A podridão aquosa ocorre principalmente no pseudocaule, e passa a infectar também as escamas e o restante do bulbo. A doença em geral ocorre somente na fase de pós-colheita e raramente no campo durante a fase vegetativa. As escamas afetadas pelo fungo ficam amolecidas com aparência escurecida.
 
  • Podridão-mole (Pectobacterium carotovorum subsp. carotovora)
Esta bactéria causa apodrecimento de todo o bulbo, inclusive as escamas internas. A doença pode ser muito agressiva em temperaturas acima de 25ºC, e pode atacar durante o armazenamento e a comercialização, confundindo-se com outras podridões bacterianas.
 
  • Podridão da escama (Burkholderia cepacia)
A bactéria ataca o pseudocaule e as escamas mais externas dos bulbos da cebola, que apresentam podridão típica, de cor amarelada, viscosa e escorregadia, com cheiro de fermentação (avinagrado).
 
  • Podridão da escama (Pseudomonas viridiflava)
A bactéria causa manchas escuras nas camadas externas, e estas permanecem firmes, em contraste com as demais doenças bacterianas, associadas a podridões. A podridão é firme e restrita a áreas circulares, e quando os bulbos doentes são cortados e expostos à luz ultravioleta apresentam fluorescência.
 
  • Controle de doenças de pós-colheita
Além do efeito direto das condições ambientais e dos tratos culturais durante o período vegetativo, a incidência de doenças de pós-colheita em bulbos de cebola está relacionada ao sistema de cura, armazenamento e comercialização. O processo de cura é muito eficiente como medida preventiva de controle de doenças pós-colheita, porque a desidratação das camadas externas impede a penetração de fungos e bactérias e ao mesmo tempo evita a perda de água dos bulbos.
Quando mantida em condição ideal, em temperatura em torno de 0ºC e 65-75% de umidade relativa, a cebola pode ser conservada por até nove meses. Nesta condição, além de minimizar a perda de água e retardar os processos metabólicos, o crescimento e o desenvolvimento de patógenos também são drasticamente reduzidos.
Os patógenos podem estar presentes nos bulbos, nas embalagens ou no ambiente de armazenamento, mas não chegam a causar danos significativos porque a condição ambiental é desfavorável às doenças de pós-colheita. Portanto, é muito importante fazer limpeza periódica do local de armazenamento, com jatos de água e detergente, e também eliminar bulbos doentes e restos de escamas.
Na comercialização, devem ser executadas inspeções periódicas e a eliminação dos bulbos doentes, com sintomas e sinais evidentes. A condição de armazenamento temporária também deve ser observada com cuidado, evitando-se ambientes muito quentes e úmidos que favorecem a proliferação de fungos e bactérias.

 

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