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ÁRVORE DO CONHECIMENTO Cebola      Equipe editorial Ajuda

Plantas daninhas

Autor(es): Sidnei Douglas Cavalieri

Matointerferência

Dentre os vários fatores que ocasionam perdas na produção da cultura da cebola, destacam-se os efeitos da interferência das plantas daninhas. A interferência na cultura da cebola decorre do porte baixo e desenvolvimento inicial relativamente lento da cultura. Em função da sua arquitetura, com folhas eretas e cilíndricas, a cebola apresenta baixa cobertura da superfície do solo, permitindo a emergência das plantas daninhas em qualquer fase de seu desenvolvimento.

A época e a duração do período em que as plantas daninhas e a cultura da cebola convivem, influenciam na intensidade da matointerferência. As plantas daninhas que emergem antes ou concomitantemente com a cebola causam maiores perdas na produção do que aquelas que emergem tardiamente.

A interferência exercida pelas plantas daninhas reduz significativamente o crescimento das plantas de cebola, cujas folhas ficam pequenas, delgadas e com pouca área foliar. Além de reduções na produção de bulbos da cultura, as plantas daninhas podem interferir na qualidade dos mesmos.

Trabalhos de pesquisa mostraram que a convivência da cultura com as plantas daninhas durante os primeiros 98 dias reduziu a produtividade da cebola em 95% e a massa média de bulbos em 91%. Portanto, o controle das plantas daninhas nessa cultura é de extrema importância para assegurar a produtividade.

Geralmente, a interferência das plantas daninhas provoca a bulbificação antecipada e a parada precoce da emissão de folhas, o que resulta na produção de bulbos pequenos. Essas também podem reduzir a produção de cebola por serem hospedeiras de pragas e patógenos da cultura.

O cultivo de cebola é dependente da capacidade operacional em manter as áreas livres da interferência das plantas daninhas, pelo menos durante o período crítico, ou seja, até que a cultura desenvolva e cubra suficientemente a superfície do solo e não sofra mais interferência significativa.

O período crítico de prevenção da interferência é aquele em que a cultura deve permanecer livre da interferência imposta pelas plantas daninhas para não comprometer sua produção. Corresponde ao intervalo de tempo durante o qual as plantas daninhas têm que ser controladas para prevenir perdas inaceitáveis de produção. Entretanto, o período crítico é variável conforme a localidade, condição de cultivo e manejo, e o conhecimento da amplitude dos seus valores permitem estimar as épocas mais adequadas para o controle das plantas daninhas.

A cebola é uma das hortaliças mais sensíveis à interferência das plantas daninhas, podendo ocorrer reduções de 30%, 68% e 94% na produção de bulbos, quando o período da interferência após a emergência for de quatro, cinco e seis semanas, respectivamente.

Resultados de pesquisa sobre a interferência na cultura indicam, em média, períodos críticos do 21° ao 63° dia e do 27° ao 56° dia do ciclo cultural da cebola para os sistemas de semeadura direta e transplante de mudas, respectivamente.

Em lavouras formadas a partir de mudas, o período crítico normalmente é menor devido a vantagem competitiva da cultura em relação às plantas daninhas, uma vez que as mudas são levadas ao campo com 40 a 70 dias de idade, sendo essa considerada como uma tática de controle cultural. No entanto, dependendo da agressividade das plantas daninhas presentes na área de cultivo e das condições da lavoura de cebola, o período crítico de controle pode durar todo o ciclo.

Controle

Dentre os métodos de controle de plantas daninhas utilizados na cultura da cebola, destacam-se o cultural (o mais importante), o mecânico e o químico. Entretanto, o ideal é que esses métodos sejam utilizados de forma integrada, complementando um ao outro, caracterizando, assim, o que corriqueiramente chamamos de manejo integrado. Contudo, para se obter sucesso no controle das infestantes, devem-se observar aspectos importantes quando da implementação dos métodos de controle, entre eles a espécie invasora predominante, a época de emergência dessas e seu estádio de desenvolvimento.

Os métodos culturais englobam práticas que tornam a cultura mais competitiva em relação às plantas daninhas. Dentro desse contexto, a escolha adequada de cultivares para cada situação é uma das práticas mais importantes, devendo ser somada à rotação de culturas, ao emprego de plantas de cobertura e adubos verdes nos cultivos intercalares, ao manejo adequado da água do solo, a correção do pH do solo e uso de fertilizantes apropriados, ao espaçamento entre linhas adotado, ao plantio em épocas mais adequadas, dentre outras. Uma das práticas deliberadamente ignoradas, em geral, é o estabelecimento de um bom estande no qual as plantas emergem, crescem e rapidamente cobrem o solo.

A completa eliminação manual (cultivos e capinas manuais) das plantas daninhas é difícil e onoresa, sobretudo devido ao espaçamento estreito da cebola quando em densidade alta, o que torna obrigatória a utilização de outros métodos mais eficientes para controlá-las. O método de cultivo mecânico apresenta o inconveniente de não eliminar as plantas daninhas nas fileiras e, muitas vezes, danifica o sistema radicular e as folhas da cebola.

Diante disso, o controle químico, por meio do uso de herbicidas, apresenta-se como o método mais eficiente no manejo de plantas daninhas em cultivos de cebola, principalmente em áreas bastante infestadas, por proporcionar melhores resultados nas linhas da cultura, não danificar o sistema radicular e pela economia de mão de obra. Os herbicidas devem ser escolhidos em função da eficácia, da segurança, economia e recomendações técnicas, levando-se em conta o programa de rotação de culturas e outras recomendações específicas para o sistema de cultivo

Comprovadamente, a tolerância da cebola ao herbicida oxyfluorfen aumenta com a emissão de novas folhas. De maneira análoga, há menor intoxicação das plantas de cebola pelo herbicida bentazon em cultivares com alta cerosidade nas folhas.

A quantidade de ceras na cutícula foliar varia de acordo com a genética e a idade das plantas de cebola. Podem-se classificar as cultivares, basicamente, em dois grupos: mais e menos cerosas. Entre as mais cerosas estão todas as cultivares brasileiras: Alfa Tropical, BRS Alfa São Francisco, Vale Ouro IPA 11, Franciscana IPA 10, Aurora, Crioula Mercosul, Bola Precoce, Madrugada, Primavera, etc. Entre as menos cerosas estão as cultivares com sementes importadas, especialmente as dos tipos Grano e Granex.

As plantas de cebola no sistema de semeadura direta são muito sensíveis aos herbicidas nas primeiras semanas do seu ciclo. Entre as técnicas de manejo mais eficientes e seguras, o fracionamento e escalonamento das doses dos herbicidas têm contribuído para aumentar a seletividade à cebola, principalmente nos estádios iniciais de crescimento das plantas originadas de semeadura direta.

No sistema de cultivo com transplante de mudas, as plantas de cebola são mais tolerantes aos herbicidas devido à aplicação ser feita em estádio avançado de desenvolvimento das plantas. Nessas condições, as plantas apresentam-se com maior quantidade de ceras nas folhas e com as bainhas imbricadas e relativamente protegidas do contato dos herbicidas. O período de estabelecimento das plantas transplantadas é o momento adequado para a aplicação dos herbicidas, uma vez que as plantas apresentam-se com déficit hídrico, reduzida atividade metabólica, havendo, consequentemente, menor absorção e translocação dos herbicidas pelas mesmas.

O controle químico implica, em geral, no uso de um tratamento inicial em pré-emergência seguido de um ou dois em pós-emergência, mesmo que algum ingrediente ativo possa causar, temporariamente, intoxicação à cebola. Em casos de escapes de plantas daninhas, o controle mecânico pode complementar o controle químico.

Finalmente, antes dos herbicidas serem utilizados em maior escala, o agricultor deve se familiarizar com os produtos e a tecnologia de aplicação. É necessária a realização de pequenos testes, em uma ou mais épocas do ano; usar os bons resultados de outros usuários, ou ter orientação técnica mais especializada. Nunca se esquecer de verificar e anotar os resultados alcançados nas áreas tratadas e melhorar o programa de manejo para o próximo ano. O benefício obtido com os métodos usados em cada situação é muito importante para aprimoramento das relações do sistema.

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