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ÁRVORE DO CONHECIMENTO Cebola      Equipe editorial Ajuda

Custos e rentabilidade

Autor(es): Nirlene Junqueira Vilela

É apresentada a avaliação da eficiência técnica-econômica de três sistemas de produção predominantes na região de São José do Rio Pardo-SP, que representa um dos principais polos de produção de cebola do Brasil.

As análises foram alimentadas pelos coeficientes técnicos e respectivos custos de produção levantados pela Cooxupé e publicados pela FNP (2011), porém as planilhas foram estruturadas por adaptações para levantamento e análise de sistemas de produção da Embrapa.

Assim, os coeficientes técnicos e os respectivos componentes de custos de produção (insumos e serviços) foram agrupados por fase de desenvolvimento da cultura, incluindo: 1) preparo do solo; 2) plantio e tratos culturais; 3) colheita e acondicionamento; 4) administração.

Os custos totais foram organizados nas categorias Custos Operacionais Efetivos (COE), que correspondem aos custos variáveis ou despesas diretas realizadas durante o processo produtivo, desde o preparo do solo até a colheita e; Custos Indiretos (CI), que refletem os custos fixos e as despesas indiretas que o produtor incorre para produzir (custo da terra, depreciações, salário de encarregado, impostos, etc.). A Margem Total da Produção (MT) refere-se à quantidade vendida de cebola, obtida da produção comercial multiplicada pelo preço médio corrente pago ao produtor.

Os indicadores de rentabilidade, como ponto de equilíbrio, margem bruta, margem líquida, relação benefício-custo ou taxa de retorno dos valores monetários aplicados no processo produtivo e o coeficiente de eficiência econômica e a taxa marginal de retorno foram obtidos do Modelo de Análise Econômica por Orçamentação Parcial. Dessa forma, foi avaliado o sistema de plantio direto sobre palhada (SPD) em relação ao métodos de semeadura direta (SSD), por serem esses sistemas os de nível tecnológico mais elevado. 

Na região de São José do Rio Pardo, a organização da produção reflete um comportamento bastante peculiar. A cultura da cebola é dominada, em maior parte, por agricultores que plantam a cebola em pequenas áreas durante vários meses do ano, com maiores picos de oferta nos meses de agosto e setembro.

Como o cultivo da cebola é uma exploração intensiva em capital, os produtores, além do conhecimento técnico sobre o manejo do cultivo, também recebem orientações sobre gestão. Assim, no processo de tomada de decisão, os produtores são orientados sobre os custos de produção e rentabilidade da cultura, trabalho regularmente realizado por agrônomos da Cooxupé, Cooperativa agrícola responsável pelo fornecimento de insumos e assistência técnica à parte dos produtores da região.

Os níveis tecnológicos adotados na região são bastante diferenciados, observando-se a coexistência do sistema convencional (transplante de mudas e semeio direto) e plantio direto sobre palhada.

Os coeficientes técnicos e custos de produção para os sistemas de plantio direto e convencional (transplante de mudas e semeio direto), predominantes na região de São José do Rio Pardo, são apresentados na Tabela 1.

 

Tabela 1. Custos de produção de cebola para os sistemas de plantio direto e convencional (transplante de mudas e semeio direto) na região de São José do Rio Pardo-SP, 2010.
 
Componentes


Sistemas de Produção   
Transplante de mudas 
Semeio direto 
Plantio direto
Valor
(R$)
AV
(%)
Valor
(R$)

AV
(%)

Valor
(R$)

AV
(%)

AH
(%)

1. PREPARO DO SOLO       
1.1 Insumos        
    Calcário Dolomítico 291 1,9 194 1,2 291 1,9 50,0
    Adubos químicos
 750 5,0 1.260 7,5 1.010 6,4 -19,8
    Adubos orgânicos
 550 3,7 1.210 7,2 550 3,5 -54,5
Subtotal 1.1
 1.591 10,6 2.664 15,8 1,851 11,8 -30,5
1.2 Serviços
       
    Máquinas
 1.730 11,5 936 5,6 868 5,5 -7,3
    Mão-de-obra 1.065 7,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
Subtotal 1.2
 2.79518,6
 936 5,6 868 5,5-7,3
SUBTOTAL 1
 4.386 29,2 3.600 21,4 2.719 17,3 -24,5
2. PLANTIOS E TRATOS CULTURAIS
       
2.1 Insumos        
    Mudas
 2.367 15,8 0 0,0 0,0 0,0 0,0
    Sementes
 0 0,0 3.800 22,5 3.800 24,2 0,0
    Adubação de cobertura 0 0,0 228 1,4 0,0 0,0 -100,0
    Fungicidas
 1.089 7,3 1.089 6,5 1.089 6,9 0,0
    Herbicidas 249 1,7 391 2,3 304 1,9 -22,3
    Inseticidas 217 1,5 217 1,3
 217 1,4 0,0
    Outros produtos químicos
 460 3,1 460 2,7 460 2,9 0,0
    Energia para irrigação
 703 4,7 873 5,2 1.043 6,7 19,5
Subtotal 2.1
 5.085 33,9 7.059 41,9 6.914 44,0 -2,1
2.2 SERVIÇOS 
       
    Máquinas
 805 5,4 1.425 8,5 1.330 8,5 -6,7
    Mão-de-obra 1.610 10,7 1.795 10,7 0,0 0,0 -100,0
Subtotal 2.2
 2.415 16,1 3.220 19,1 1.330 8,5 -58,7
SUBTOTAL 2  7.500 50,0 10.279 61,0 8.244 52,5 -19,8
3. COLHEITA
       
3.1 Serviços  1.760 11,7 1.575 9,3 3.248 20,7 106,2
SUBTOTAL  1.760 11,7 1.575 9,3 3.248 20,7 106,2
CUSTOS OPERACIONAIS
 13.646 91,0 15.454 91,7 14.211 90,5 -8,0
4. ADMINISTRAÇÃO
 1.358 9,1 1.406 8,3 1.487 9,5 5,7
CUSTO TOTAL  15.005 100,0 16.861 100,0 15.698 100,0-6,9

AV: Análise Vertical = participação percentual de cada componente no custo operacional total.
ΔH: Análise horizontal = indicadores de diferenciais em percentagens entre o plantio direto sobre palhada e o semeio direto.

Fonte: Custos de produção de cebola na região de São José do Rio Pardo-SP, 2010. Agrianual 2011, São Paulo, p. 241.

 
Os custos operacionais dos sistemas de produção variaram no intervalo de 90 a 92% do custo total. O menor custo operacional de produção foi apresentado pelo plantio direto na palhada (90,5%). Este sistema, quando comparado com a semeadura direta, apresenta significativas vantagens no preparo de solo (-24,5%), principalmente nos gastos com a utilização de insumos, embora com maior consumo de calcário dolomítico (50%).

Na fase do plantio e tratos culturais, a vantagem total do sistema de plantio direto na palha foi de 2,1% em redução de custos, que apesar de gastar mais em energia para irrigação (19%), não gastou nada com adubação de cobertura e reduziu em 4% os custos com agrotóxicos, ressaltando-se a significativa redução de custos com herbicidas no sistema de plantio direto (22,2%).

Na fase da colheita, ocorreu utilização intensiva de mão-de-obra no sistema de plantio direto que dobrou os custos (106,2%), quando comparado a semeadura direta.

É interessante observar que o custo operacional de produção de cebola na região de São José do Rio Pardo não contempla o item "sacaria". Esta situação ocorre porque a cebola é quase em sua totalidade comercializada a granel, ficando a cargo do comprador o custo de embalagem. 

Em síntese, as vantagens tecnológicas do plantio direto na palha superam o de semeadura direta tanto na redução de custos com insumos totais (10%) quanto com serviços (5%). No final das contas o sistema de plantio direto apresentou significativa redução nos custos operacionais (8%), perfeitamente diluído pelos ganhos de produtividade que superaram em 20% o método de semeadura direta (Tabela 2).


Tabela 2. Avaliação dos gastos com insumos e serviços na composição dos custos operacionais totais para os sistemas de plantio direto e convencional (transplante de mudas e semeio direto), na região de São José do Rio Pardo-SP, 2010.

Componentes



Sistemas de Produção  
Transplante de mudas
Semeio diretoPlantio direto
Valor
(R$)
AV
(%)
Valor
(R$)
AV
(%)
Valor
(R$)
AV
(%)
  AH
(%)
Insumos            
6.676
49
9.723
63
8.765
62
-10,0
Serviços
6.970
515.731 37
5.446 38
-5,0
Custo Operacional13.646
100
15.454
100
14.211
100
-8,0
Produtividade (t)
44
 50
 60
 20,0
AV: Análise Vertical = participação percentual de cada componente no custo operacional total.

ΔH: Análise horizontal = indicadores de diferenciais em percentagens entre o plantio direto sobre palhada e o semeio direto.

 

Os indicadores de eficiência técnica-econômica para os sistemas de plantio direto e convencional (transplante de mudas e semeio direto) estão descritos na Tabela 3.


Tabela 3. Indicadores de eficiência técnica-econômica para os sistemas de plantio direto e convencional (transplante de mudas e semeio direto), na região de São José do Rio Pardo-SP, 2010.

Parâmetros/sistemas
Unidade de
medida
 
Sistemas de produçãoΔ
Transplante de mudas 
Semeio direto 
Plantio na palha
Produtividade comercial
t/ha
44
50 60
20,00
Preço pago ao produtor R$/t
350
350
350
 0,00
Valor da produção
R$/ha
15.400
17.500 21.000  20,00
Custo total
R$/ha
15.005
16.861
15.698
 -6,90
Custo unitário
R$/t
341
337
262
 -22,41
Margem bruta
R$/ha
395
639
5.302
 729,73
Lucratividade
%
2,56
3,65
25,25
 591,44
*CEE
Coeficiente
1,03
1,04
1,34
 28,89
Taxa de retorno %
2,63
3,79 33,78
 791,21
Ponto de equilíbrio t
42,87
48,17 44,85
 -6,90
Taxa marginal de retorno %
   3,40

* Δ = incrementos percentuais nos parâmetros do plantio direto, em comparação com o semeadura direta.

Fontes: LAIARD, R.; GLAISTER, S. Cost-benefit analysis. New York: Cambridge, 1996. 486 p.;SCOLARI, D.G.; COSTA, M.E.F.A.; SOUZA, M.C. Progama de análise econômica através de orçamentação parcial (ANECOR). Planaltina: Embrapa-CPAC, 1985. 43 p. (Embrapa-CPAC. Documentos, 13).

 

Os lucros (margem bruta) auferidos no método de semeadura direta e no de plantio direto foram de R$ 639,00 e de R$ 5.802,00 por hectare, respectivamente.

Os custos unitários foram vantajosamente reduzidos no sistema de plantio direto (22,41%) que alcançou o ponto de equilíbrio com a quantidade de 44,85 t, portanto, 6,9% menor ao ser comparado com o semeadura direta.

Os indicadores obtidos das análises marginais evidenciam que o custo marginal (acréscimo no custo quando a produção aumenta em uma unidade) foi consideravelmente maior no semeadura direta (116,3%).

A taxa de retorno ou relação benefício-custo que representa a medida mais comum de rentabilidade é 7 vezes maior no plantio direto. A taxa de eficiência econômica que indica o percentual de renda gerado acima do ponto de equilíbrio é de 34% no plantio direto, que também apresenta taxa de lucratividade de 25,25%, aproximadamente 7 vezes maior comparada com o semeadura direta.

A receita marginal do sistema de plantio direto, quando comparada a semeadura direta é aproximadamente 4 vezes maior. Consequentemente a taxa marginal de retorno, cujo objetivo é revelar como a renda líquida aumenta quando se acrescenta uma unidade de custos no processo produtivo é significativa para o plantio direto quando comparada com a semeadura direta (-3,4%). Portanto, o sistema de plantio direto, do ponto de vista técnico-econômico é eficiente e competitivo em relação aos demais.

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