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ÁRVORE DO CONHECIMENTO Caju      Equipe editorial Ajuda

Clones comerciais

Autor(es): José Jaime Vasconcelos Cavalcanti ; Levi de Moura Barros

A seleção de clones se constitui na etapa final do melhoramento de plantas de propagação vegetativa. O sucesso desta metodologia depende do aperfeiçoamento da exploração da variabilidade genética existente na população base, por meio da identificação de genitores que proporcionam combinações com maior chance de gerar variedades mais vigorosas, produtivas e resistentes às pragas e doenças.

Até a década de 70, todos os plantios efetuados com cajueiro no Brasil foram estabelecidos com o tipo comum e por semente. Este processo acarretou em baixo rendimento dos plantios (menos de 250kg/ha de castanha), elevada heterogeneidade das plantas nos pomares, principalmente com relação às características de importância econômica, como a produção e a qualidade da castanha e do pedúnculo, ocasionando perdas e frustrações aos produtores.

A partir da década de 80, as pesquisas com clones de cajueiro, efetuadas pela Empresa de Pesquisa Agropecuária do Ceará (Epace), proporcionaram o lançamento dos primeiros clones de cajueiro anão precoce (CCP 06, CCP 09, CCP 76 e CCP 1001), oferecendo condições para uma fruticultura moderna. O potencial desses clones para exploração dentro dos modernos sistemas de cultivo fez com que grande parte do esforço despendido no melhoramento se concentrasse neste tipo. Entretanto, a maior variabilidade para os caracteres peso e qualidade do fruto e falso-fruto (pedúnculo), associada a maior capacidade produtiva individual, tornaram importante a utilização do cajueiro do tipo comum em programas de cruzamentos com o tipo anão, como também em seleção clonal, na busca de indivíduos superiores.

Com a criação do CNPCa (Centro Nacional de Pesquisa do Caju), em 1987, atual Embrapa Agroindústria Tropical, deu-se continuidade à pesquisa, e novos clones comerciais foram disponibilizados: Embrapa 50, Embrapa 51, BRS 189, BRS 226, BRS 253 e BRS 265, todos de cajueiro-anão precoce; BRS 274, primeiro clone de cajueiro comum; e BRS 275, clone originado de um híbrido entre o cajueiro anão e o comum, proporcionando mais alternativas aos produtores, inclusive para a exploração desta cultura em outros ecossistemas. Como exemplo do significativo avanço desses novos clones, podemos citar o incremento do peso de amêndoa apresentado pelo BRS 274, com 3,46g, e pelo BRS 275, com 3,13g.

A principais características dos clones são apresentadas na Tabela 1 e, em seguida, são descritas outras informações relevantes.


Tabela 1. Principais características agroindustriais dos clones de cajueiro no sexto ano de idade das plantas em condições de experimento, no município de Pacajus (CE)


Fonte:CAVALCANTI & BARROS (2009)
(1) Produtividade no sétimo ano de idade das plantas no município de Pacajus (CE). (2) Produtividade no quarto ano de idade das plantas no município de Pio IX (PI) (corresponde ao CAC 42). (3) Avaliação no oitavo ano de idade no município de Beberibe (CE).. (4) Produtividade no quinto ano de idade no município de Beberibe (CE). *: Há registros com produtividade superior a 1.000 kg/ha para os clones CCP 09 e CCP 1001 (dados não publicados).


Clone CCP 06

Esse clone foi lançado em 1983 e a maior produção registrada para a planta matriz foi de 25kg de castanhas, em solo arenoso de baixa fertilidade, sem correção ou fertilização nem controle de pragas. O clone apresenta características das plantas de porte baixo, peculiares ao tipo de cajueiro-anão precoce. Atualmente, ele é bastante utilizado como fornecedor de sementes para a formação de porta-enxerto e recomendado apenas para este propósito.


Figura 1. Clone CCP 06
(Foto: João Rodrugues de Paiva)


Clone CCP 76

Clone obtido no ano de 1983. A maior produção registrada pela planta matriz foi de 22 kg. Apresenta plantas de porte baixo e sua exploração comercial vem sendo feita tanto em cultivo de sequeiro como irrigado, para aproveitamento do pedúnculo para o mercado de mesa - pois é um dos mais saborosos - e da castanha para o mercado de amêndoa.

 

 

Figura 2. Clone CCP 76
(Foto: João Rodrigues de Paiva)


Clone CCP 09

Esse clone foi lançado para o plantio comercial em 1987. Apresenta plantas de porte baixo, altamente precoce e sua exploração comercial vem sendo feita tanto em cultivo de sequeiro como irrigado, para aproveitamento do pedúnculo para o mercado de mesa e da castanha para o mercado de amêndoa.



Figura 3. Clone CCP 09
(Foto: João Rodrigues de Paiva)


Clone CCP 1001

A maior produção de sua matriz foi de 46 kg de castanha. Esse clone foi lançado para o plantio comercial em 1987. Em função da baixa qualidade da castanha e amêndoa, seu plantio não vem sendo mais recomendado.



Figura 4. Clone CCP 1001
(Foto: João Rodrigues de Paiva)

 

 

Clone Embrapa 50

Esse clone foi lançado em 1996 para o plantio comercial em cultivo de sequeiro, no Estado do Ceará. Apresenta plantas de porte baixo e é recomendado principalmente para a exploração da castanha.


 

Figura 5. Clone Embrapa 50
(Foto: João Rodrigues de Paiva)

 

Clone Embrapa 51

Esse clone foi lançado no ano de 1996 para plantio comercial em cultivo de sequeiro no estado do Ceará. Apresenta plantas de porte baixo e é recomendado, principalmente, para a exploração da castanha.

Figura 6. Clone Embrapa 51
(Foto: João Rodrigues de Paiva)

 

Clone BRS 189

Foi lançado em 2000 para cultivo sob irrigação no estado do Ceará. Apresenta porte baixo e suas excelentes características do pedúnculo o tornam recomendado para o mercado de mesa.

 


Figura 7. Clone BRS 189
(Foto: João Rodrigues de Paiva)

 

Clone BRS 226

Esse clone foi lançado para o plantio comercial no ano de 2002 para cultivo em sequeiro na região do Semiárido do estado do Piauí e similar. Os indicadores agroindustriais para a castanha recomendam esse clone para o mercado de amêndoa.


Figura 8. Clone BRS 226
(Foto: João Rodrigues de Paiva)



Clone BRS 253

Clone lançado em 2005 para plantio comercial em cultivo de sequeiro. Tem boa adaptação não só ao estado do Ceará, mas também para os estados da Bahia e do Rio Grande do Norte. Apresenta porte médio e boa qualidade da castanha, sendo, portanto, recomendado para exploração da castanha.


Figura 9. Clone BRS 253
(Foto: João Rodrigues de Paiva)


Clone BRS 265

Clone lançado em 2006, apresenta porte baixo e boa qualidade da castanha e pedúnculo, sendo recomendado tanto para o mercado de mesa (consumo in natura) quanto para o mercado de castanha.


Figura 10. Clone BRS 265
(Foto: João Rodrigues de Paiva)


Clone BRS 274

Em 2007, a Embrapa Agroindústria Tropical, em parceria com a Companhia de Óleos do Nordeste (Cione), lançou o primeiro clone de cajueiro comum para cultivo em regime de sequeiro, resultante de 14 anos de pesquisas do Programa de Melhoramento Genético. Diferentemente dos clones anteriores (cajueiro-anão precoce), que são plantados nos espaçamentos de 7m x 7m ou 8m x 6m, o espaçamento indicado para este clone é de 12m x 10m, em sistema retangular, com 83 plantas/ha, ou 1 m x 11m, em sistema quadrado, com 83 plantas/ha, pois trata-se de um clone mais vigoroso. Pelas suas características, é recomendado para a exploração da castanha.


Figura 11. Clone BRS 274
(Foto: João Rodrigues de Paiva)


Clone BRS 275

Lançado em 2007, esse clone é um híbrido obtido entre o cajueiro-anão precoce CCP 1001 e o cajueiro comum CP 12. Pelas suas características, o clone é mais recomendado para a exploração de castanha. O espaçamento utilizado para o plantio é de 11m x 9m, em sistema retangular, com 101 plantas/ha, ou 10m x 10m, em sistema quadrado, com 100 plantas/ha.


Figura 12. Clone BRS 275
(Foto: João Rodrigues de Paiva)

 

Principais clones recomendados

Na região litorânea do Nordeste os clones de cajueiro anão precoce EMBRAPA 51, BRS 189, BRS 226, BRS 253 (BAHIA 12) e BRS 265 e o híbrido anão x comum BRS 275 são os mais recomendados para plantio comercial, pois possuem alta produtividade e boa qualidade do pedúnculo (caju) e da amêndoa.

O clone BRS 226 (Planalto) por ser o único resistente à resinose e à PPH (podridão preta da haste), doenças que vêm causando prejuízos significativos aos cajucultores, sobretudo no semiárido e cerrado brasileiros, é especialmente recomendado para as áreas com ocorrência destas enfermidades.

 

Fonte consultada:

CAVALCANTI, J. J. V. ; BARROS, L. de M. . Avanços, desafios e novas estratégias do melhoramento genético do cajueiro no Brasil. In:  SIMPÓSIO NORDESTINO DE GENÉTICA E MELHORAMENTO DE PLANTAS, 1,  2009, FORTALEZA. Anais.... Fortaleza:  Embrapa Agroindústria Tropical, 2009. p. 83-101.

 

 


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