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ÁRVORE DO CONHECIMENTO Arroz      Equipe editorial Ajuda

Colheita

Autor(es): Daniel Fernandez Franco

 

 

Antes da comercialização, uma das últimas operações do sistema de produção do arroz é a colheita e merece atenção especial, pois nessa fase o custo agregado ao produto é o mais alto, devido aos inúmeros gastos já realizados no decorrer do processo.

Qualquer fato negativo que ocorra na realização da colheita, põe em risco o sucesso econômico do empreendimento. Por isto, principalmente na colheita mecânica, devem-se tomar cuidados para que esta se processe de forma a colher o arroz com um mínimo de danificações mecânicas, no menor prazo possível, mantendo-se em níveis aceitáveis tanto as perdas decorrentes de fatores naturais, como as decorrentes da operação da colhedora (Alonço et al., 1997; Alonço et al., 1999; Franco et al., 2005 .

Ponto de colheita

O ponto ideal e colheita do arroz é determinado basicamente pelo aspecto da panícula, pela duração de estádios de desenvolvimento da cultura e pelo teor de umidade dos grãos. O teor de umidade que proporciona maior rendimento de grãos inteiros no beneficiamento varia, principalmente, com a variedade cultivada e com o tipo de colheita empregado, sendo frequentemente relacionado ao número de dias desde a floração (Congresso Brasileiro de Arroz Irrigado, 1999).

O teor adequado de umidade do grão e/ou semente para se realizar a colheita do arroz está entre 18 e 24%. Se colhido com teor muito elevado, haverá grãos em formação. Por outro lado, se a colheita for muito tardia haverá mais quebra de grãos no beneficiamento e, quando se destina a semente, a qualidade fisiológica poderá ser afetada.

Colheita mecânica

A operação de colheita é realizada por diversos tipos de máquinas, desde as de pequeno porte tracionadas por trator, até as colhedoras automotrizes, dotadas de barra de corte de até seis metros de largura, as quais realizam, em sequência, as operações de corte, recolhimento, trilha e limpeza (Reti, 1995; Franco et al., 1999; Silva, 1999; Franco er al., 2004).


 Foto: Alcides Severo
 
 Figura 1. Colheita do arroz irrigado no Rio Grande do Sul

 

Funções de uma colhedora

Podem-se distinguir as seguintes funções em uma colhedora: corte das plantas e direcionamento para os mecanismos de trilha, que consiste na separação dos grãos de suas envolturas e de partes de suporte na planta; separação do grão e da palha e limpeza.

Componente de uma colhedora

Os componentes básicos de uma colhedora (Figura 2):

  
d
Figura 2. Partes de uma colhedora de cereais
Fonte: Garcia (1989)

Perdas na colheita

Entre os grandes cultivos de grãos de verão, a lavoura de arroz é a que apresenta as maiores perdas. A maior parte deste desperdício se dá na colheita, podendo chegar  a 10 a 11 %, seguido pelo processamento, cerca de 12,6%, seguida8 %, e pelo armazenamento, 7% e o processamento, 2,4 com, aproximadamente,  5 %.

Origem das perdas

As perdas na colheita mecânica de arroz podem ocorrer antes da colheita, na plataforma da colhedora e nos mecanismos internos da colhedora.

Antes da colheita

As perdas ocorrem devido à colheita ser realizada fora de época, à ocorrência de chuvas em excesso, granizo e ventos, à debulha ou degrane natural, bem como o ataque de pássaros e roedores.

Na plataforma da colhedora

Esse é o local de maior perda de grãos na colheita e responde por até 85% do prejuízo.

Plataforma convencional

As perdas na plataforma ocorrem pelas seguintes razões:

  • Molinete: devido à baixa ou excessiva velocidade.
  • Barra de corte: navalhas quebradas, tortas, trincadas ou sem fio e/ou os dedos tortos.
  • Velocidade da máquina: o operador deve conduzir a colhedora de maneira a aproveitar toda a largura da barra de corte.Densidade de semeadura: uma baixa população de plantas dificulta o trabalho da plataforma e faz com que algumas plantas deixem de ser recolhidas pelo molinete.
  • Presença de plantas daninhas: a presença de plantas daninhas na lavoura de arroz contribui para aumentar as perdas.
  • Umidade dos grãos: quanto menor a umidade dos grãos maior será a perda devido à facilidade de quebra.
Mecanismos internos da colhedora

As perdas podem ocorrer nos seguintes mecanismos internos: no cilindro, no saca-palha e nas peneiras.

  • Perdas no cilindro - Acontecem devido à pouca velocidade ou à maior distância entre o cilindro e o côncavo e se apresentam em forma de panículas sem debulhar.
  • Perdas no saca-palhas- As perdas no saca-palhas acontecem a semelhança do caso anterior.
  • Perdas nas peneiras- As perdas nas peneiras são causadas por trilha curta, furos das telas muito fechados e ar mal dirigido, insuficiente ou excessivo. As perdas nas peneiras são grãos soltos, que saem juntamente com a palha miúda.
Regulagens da colhedora

São apresentados no Quadro 1 os pontos da colhedora nos quais ocorre o maior percentual de perdas, suas causas e as correções mais comuns.

Quadro 1 . Alguns pontos da colhedora onde ocorrem perdas, suas causas e soluções.
Origem  da perda

Causa
Solução
Barra de  corteMuito alta Reduzir altura do corte
Barra de  corteMolinete debulha panículas Reduzir velocidade do molinete
Barra de  corteMaterial cortado não cai sobre a plataforma Colocar molinete mais baixo e para trás; aumentar velocidade do molinete.
Barra de  corteMaterial se enrola no molinete e retorna à       lavoura Subir posição do molinete; diminuir velocidade do molinete.
Barra de  corte Barra de corte degrana a panícula e corta mal
Verificar se falta navalha; reduzir velocidade de avanço
Cilindro Falta de rotação no cilindro
Aumentar rotação cilindro
Cilindro Distância excessiva entre cilindro e côncavo Diminuir distância
CilindroLavoura úmida Colher em horas que se apresentem mais seca 
Saca-palhas Velocidade do saca-palhas muito alta ou baixa
Comprová-la e corrigi-la
Saca-palhas
Sobrecarga
Cortar menos; diminuir velocidade de avanço
Saca-palhas
Trilha excessiva do cilindro
Aumentar a distância entre cilindro e côncavo; diminuir rotação do cilindro 
Saca-palhas

Aberturas do saca-palhas obstruídas

Limpá-las
Fonte: Adaptado de Franco et al.(2004).


Referências

LONCO, A. dos S.; REIS, A. V. dos. Perdas na colheita mecânica de grãos. Pelotas: EMBRAPA-CPACT, 1997. 27p. (EMBRAPA-CPACT. Documentos, 35).

ALONÇO, A. dos S.; MACHADO, A. L. T.; REIS, A. V. dos.; TILLMANN, C. A.; FRANCO, D .F.; TOESCHER, C. F. Perdas na colheita do arroz irrigado com a colhedora operando com dois tipos de plataforma. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA AGRÍCOLA, 28.; Pelotas, 19 a 21 de jul. de 1999. Anais... Pelotas: Sociedade Brasileira de Engenharia Agrícola, 1 CD-ROM.

CONGRESSO BRASILEIRO DE ARROZ IRRIGADO, 1.; REUNIÃO DA CULTURA DO ARROZ IRRIGADO, 23., 1999, Pelotas. Arroz irrigado: recomendações técnicas da pesquisa para o sul do Brasil. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 1999. 124p. (Embrapa Clima Temperado. Documentos, 57).

FRANCO, D. F.; ALONÇO, A. dos S.; PETRINI, J. A. Plataformas de colheita e conheita manual com trilha mecânica sobre a qualidade de sementes de arroz (Oryza sativa L.). Ciência Rural, v. 29, n.2, maio/jun., p. 267 - 271, 1999.

FRANCO, D. F.; ALONÇO, A. dos S.; INFELD, J. A. Colheita do arroz irrigado. In: GOMES, A. da S.; MAGALHÃES JÚNIOR, A. M. de (Ed.). Arroz irrigado no Sul do Brasil. Pelotas: Embrapa Clima Temperado; Brasília: Embrapa Informação Tecnológica, 2004. p. 727-744.

FRANCO, D. F.; AZAMBUJA, I. H. V.; MAGALHÃES JÚNIOR, A. M. de; SOARES, R. C.; PREVEDELLO, T. P. Perdas e reduções no volume de arroz colhido durante o processo de cultivo, colheita e processamento. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2005. 3 p. (Embrapa Clima Temperado. Comunicado técnico, 112).

GARCIA, A. M.  Cosechadoras de cereales: cosechas de granos y semillas. Santiago, FAO, 1989, 31 p.

RETI, J. Colheita e pós-colheita: pesquisas da Embrapa procuram diminuir desperdícios. Folha da Embrapa, Brasília, mar./abr. 1995, ano 4, n. 18, p 6-7

SILVA, J. J. C. da. Study on the blackbird (Agelaius ruficapillus Vieillot - Emberizidae, Aves) in the rice production areas of Southern Rio Grande do Sul, Brazil: basis for a population control management program. 1999. 116 p. Thesis (Doctor) - Wageningen Universiteit, Wageningen.

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