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Tripes

Autor(es): Maria Alice de Medeiros ; Geni Livtin Villas Bôas

Tripes (Thysanoptera) são insetos pequenos, de corpo estreito, apresentam dois pares de asas franjadas e aparelho bucal sugador formado por três estiletes (uma mandíbula e duas lacíneas). A maioria são fitófagos, mas podem ser também micófagos ou predadores. São muitas as espécies fitófagas e atacam grande variedade de plantas, principalmente as cultivadas. Sugam a seiva das flores, folhas e frutos. Geralmente vivem sobre folhas, brotos, flores e sob a casca de árvores. Ocorrem em condições de baixas temperaturas associadas à estiagem. Os tripes são de difícil constatação nas lavouras recém-plantadas, mas podem ser facilmente encontrados nas inflorescências do tomateiro.

O ataque direto aos frutos pode impedir o seu desenvolvimento, bem como a picada em si pode facilitar a entrada de agentes patogênicos, transmissores de doenças, especialmente viroses de plantas, como por exemplo, o vira-cabeça do tomateiro.

Taxonomia

São insetos da ordem Thysanoptera, cujas espécies de importância agrícola pertencem à família Thripidae. Os gêneros mais importantes no tomateiro são Thrips e Frankliniella.

Descrição

Thrips tabaci – Apresentam cor variável do amarelo ao marrom, medem cerca de 1 mm. As ninfas são amarelo-esverdeadas, mais claras que os adultos, com pernas e antenas incolores.

Thrips palmi - Apresentam cor amarela quando ninfas e adultos, medem mais de 1 mm. Adultos e ninfas vivem na superfície inferior das folhas.

Frankliniella schultzei - Apresentam coloração variável, de 1 a 3 mm de comprimento no máximo.

Frankliniella occidentalis 

Biologia

Os tripes apresentam reprodução sexuada e partenogênese, sendo os ovos colocados nas folhas. Decorridos alguns dias, surgem as formas jovens ou ninfas, que se distinguem das adultas porque têm coloração mais clara e não possuem asas. A metamorfose é incompleta com dois estágios larvais, em seguida apresenta a fase de pré-pupa e pupa e finalmente o indivíduo adulto com asas. Alimentam-se da seiva das plantas, sendo raspadores-sugadores. Seu ciclo é cerca de 15 dias.

 

Foto: Geni L. Villas Bôas

Tripes Frankliniella schultzei

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 1. Tripes Frankliniella schultzei.

 

Danos

Danos Diretos – São os danos decorrentes da alimentação das ninfas e dos adultos nos tecidos vegetais. Podem ser pequenos quando comparardos com os danos indiretos, mas não são desprezíveis, uma vez que a parte danificada, em geral, o fruto, é comercializada. Pontos prateados surgem na superfície das folhas e flores, onde os tripes se alimentaram. Podem surgir também estrias ou áreas maiores de prateamento. Com o ataque, ocorre alteração na consistência das folhas que ficam coriáceas e quebradiças, podem atacar também brotações.

Danos Indiretos - Tanto Thrips palmi quanto Frankliniella schultzei são espécies vetoras de de fitopatógenos. Alimentando-se da seiva das plantas doentes, os tripes contaminam-se pelo vírus do “vira-cabeça” do tomateiro. Locomovendo-se para as plantas sadias, inoculam nestas a doença. As plantas assim atacadas apresentam inicialmente, as folhas bronzeadas e, posteriormente, o caule com estrias negras, os frutos verdes com manchas amareladas e o broto principal curva-se, daí o nome de “vira-cabeça”. Causam maiores danos quando grandes populações migram de outras hospedeiras infestam lavouras de tomateiro com até 45 dias pós-plantio. Sua maior importância deve-se à transmissão da virose vira-cabeça do tomateiro (tospovírus).

Controle

Inseticidas - Para o controle recomenda-se a utilização, sempre que possível, do manejo integrado de pragas. O controle químico deve ser usado de maneira racional, pois o uso indiscriminado de produtos químicos favorece o aumento populacional das pragas.

Utilizar apenas produtos registrados para a cultura, nas dosagens recomendadas pelo fabricante e alternar o uso de princípios ativos, de maneira a retardar o aparecimento de insetos resistentes.

Variedade resistente - Já existe disponível uma variedade de tomate resistente ao vira-cabeça Viradoro.

Cultural - Barreiras vegetais em torno da área de plantio com Crotalaria, milho ou sorgo.

 

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