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ÁRVORE DO CONHECIMENTO Território Mata Sul Pernambucana      Equipe editorial Ajuda

Atividades Econômicas

Autor(es): Geraldo Majella Bezerra Lopes

A principal atividade econômica do Território da Mata Sul, como em toda Zona da Mata do estado de Pernambuco, é a canavieira — de açúcar e álcool — introduzida na região no período colonial. Predominou como uma atividade monocultora, tendo desde o início de sua estruturação um caráter capitalista, concentrador de rendas e excludente e por isso bloqueou o desenvolvimento econômico e social da região, porque, uma vez instalada, sua manutenção é muito barata, não requerendo grandes investimentos em mão de obra especializada. Além do mais, o fluxo monetário gerado pela cana-de-açúcar é reduzido, já que a renda é bastante concentrada. Dessa forma, não houve a potencialização de atividades produtivas do setor secundário que permitisse um dinamismo em outras atividades e que viabilizasse o desenvolvimento de centros urbanos, mantendo a atividade canavieira como a principal atividade econômica do Território da Mata Sul, mesmo após cinco séculos de sua instalação.

Na atualidade, o que se verifica é que grande parte do capital gerado por essa atividade permanece com os grandes empresários, os “donos” das usinas, sendo uma parte muito insignificante destinada ao pagamento dos trabalhadores da cana-de-açúcar. Vale destacar que atualmente está em curso uma grande diversificação econômica com a consolidação do Complexo Portuário de Suape, na Região Metropolitana do Recife. Esse pólo atrai grande parque industrial, além de ações de diversificação da base produtiva das atividades agrárias e industriais. Os destaques são para a fruticultura (banana, principalmente), seringueira, pecuária de leite e de corte, floricultura, indústrias de transformação, comércio varejista e prestação de serviços, com o aumento do fluxo de visitantes proporcionando a instalação de novos pólos e empreendimentos turísticos. A figura em anexo, ilustra a economia da região com um leque de atividades que poderiam ser objeto de ações de pesquisa, assistência técnica e extensão.

A participação que essa região possui no PIB de Pernambuco, em 2008 correspondeu a 4,8%. Esta participação é bastante significativa uma vez que, o estado de Pernambuco está dividido em 12 Regiões de Desenvolvimento (RD) e que somente a Região Metropolitana do Recife responde por 58% do PIB gerado no estado.

Dentre os municípios que compõe a Microrregião da Mata Sul, Vitória de Santo Antão é o principal contribuinte para geração de riquezas, respondendo sozinho por 1,2% do PIB Estadual, ao passo que alguns outros municípios contribuem com parcelas ínfimas, a exemplo de Jaqueira, com apenas 0,06%. Esta disparidade entre o PIB de Vitória de Santo Antão e dos demais municípios, se deve ao fato de que Vitória de Santo Antão possui uma economia mais diversificada do que a maioria dos municípios da Mata Sul. Os demais mantêm sua economia baseada na atividade agrícola, quase que exclusivamente na produção de cana-de-açúcar.

 

 
Figura 1. Ilustração dos diversos componentes da economia da Mata Sul de Pernambuco.

Fonte: Condepe/Fidem (2011)


A preservação dessa atividade na região implica em sérios problemas sociais, como podemos constatar a partir da análise do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dessa área. As análises dos indicadores de desenvolvimento humano são pouco animadoras, retratando as implicações da forma em que se consolidaram as relações de produção nessa região. Como se sabe, a mão de obra recrutada para a execução das atividades agrícolas não requer grandes exigências em relação ao nível de formação, pois se trata de um trabalho braçal, que exige pouca qualificação profissional. Como consequência dessa situação verifica-se nos municípios uma elevada quantidade de pessoas que não terminaram o Ensino Fundamental. O baixo índice de escolaridade se reflete nas perspectivas de desenvolvimento dessa área, que esbarra no fator educação, como elemento que retarda seu desenvolvimento em outros setores de atividades produtivas e melhoria do padrão social. Esse déficit em educação faz com que a população, principalmente a residente em áreas rurais, ocupe setores da economia pouco atrativos e com baixa remuneração.

A região possui uma base econômica agrária latifundiária o que a torna dependente da renda gerada pelo cultivo da cana-de-açúcar. Por demandar mão de obra numerosa e pouco qualificada, nunca existiu uma maior preocupação no desenvolvimento da tecnologia e nos investimentos em educação, fator esse que somente contribuiu para consolidar a concentração de renda e os baixos indicadores sociais presentes na região.

Potencializar e especializar essa população, para que além da quantidade, se priorize a qualidade dos trabalhadores, o que consequentemente melhorará os salários e a qualidade de vida, deve ser uma das prioridades políticas da sociedade pernambucana


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