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ÁRVORE DO CONHECIMENTO Feijão      Equipe editorial Ajuda

Doenças fúngicas da parte aérea

Autor(es): Adriane Wendland

Mancha Angular

O agente causal da doença é o fungo Pseudocercospora griseola (Sacc) Ferr. Encontra-se distribuída em quase todas as regiões onde se cultiva o feijoeiro comum. Quanto mais precoce for o seu aparecimento na cultura, maiores poderão ser os prejuízos ocasionados. Em cultivares suscetíveis as perdas na produção são estimadas em até 80%.

A mancha angular é mais comum e facilmente identificada nas folhas. Nas folhas primárias, apresenta conformação mais circular com halos concêntricos (Figura 1).

Nas folhas trifolioladas, as lesões apresentam formato angular, delimitadas pelas nervuras (Figura 1)



Fotos: Adriane Wendland 
Figura 1. Lesões causadas por mancha angular nas folhas.

 

 São encontradas também em vagens, caules, ramos e pecíolos (Figura 2).



Foto: Adriane Wendland
 
Figura 2. Lesões causadas por mancha angular nas
vagens
.


 
Sob condições de alta umidade, pode ser observada na face inferior das folhas, nas vagens, nos caules e nos pecíolos, uma eflorescência de cor cinza-escura a negra, formada pela frutificação do fungo, o synnema (Figura 3).


 Fotos: Adriane Wendland 
 

 Figura 3. Synnema. 
              

                                 

Os principais agentes de disseminação são o vento, a chuva, as sementes e as partículas de solo infestadas.

Dentre os fatores climáticos mais favoráveis para o desenvolvimento de epidemias, encontram-se temperaturas moderadas (24 °C), com períodos de alta umidade relativa, alternados por períodos de baixa umidade e a ação de ventos.

O controle da doença pode ser alcançado por meio do plantio de sementes sadias, uso de cultivares resistentes, tratamento químico e eliminação de restos de cultura.

 

Antracnose

Causada por Colletotrichum lindemuthianum (Sacc. & Magn.) Scribner, é uma das doenças mais destrutivas do feijoeiro comum, podendo ocasionar perda total da lavoura quando infecta as plantas nos primeiros estádios do seu desenvolvimento. Ocorre, principalmente, em regiões de clima frio, como as do Sul do país ou nas de maior altitude. As perdas podem alcançar 100% da produção nas áreas em que as condições climáticas são favoráveis para o desenvolvimento de uma epidemia durante o ciclo da cultura, onde o plantio é realizado com sementes contaminadas provenientes de ciclos anteriores, ou advindas de outras áreas de produção.

O fungo sobrevive em restos de cultura, porém, as sementes contaminadas é que se constituem em importante meio de disseminação e sobrevivência. Os respingos de chuva, insetos e o homem também são disseminadores deste patógeno. É uma doença cosmopolita, ocorrendo em locais de temperatura baixa a moderada (entre 13 e 27 ºC, com ótimo de 21 ºC) e umidade relativa acima de 91%. Nos Estados Unidos, a doença deixou de ter importância direta na cultura desde que o uso de sementes sadias, obtidas das regiões semi-áridas, se tornou uma prática constante. No Brasil, não há um controle rigoroso sobre a origem, sanidade, qualidade, produção e comercialização das sementes. Este fato favorece uma disseminação generalizada de antracnose em todas as áreas de cultivo do feijoeiro.

A doença pode afetar toda a parte aérea da planta (Figura 4).


Foto: Adriane Wendland
 
Figura 4. Planta de feijão atacada por antracnose.

 

 

Na face inferior das folhas, sobre as nervuras, aparecem manchas alongadas, primeiramente de cor avermelhada a púrpura e, mais tarde, pardo-escuro, estendendo-se ligeiramente no tecido circundante e, geralmente, à face superior (Figura 5).

Foto: Adriane Wendland
 
Figura 5. Mancha na face inferior da folha.


Os pecíolos e caules podem apresentar cancros, sendo que, nestes e nas lesões das nervuras, ocorre a esporulação do fungo que constitui o inóculo secundário. A fase mais característica da doença apresenta-se nas vagens, as quais podem ser infectadas pouco depois de iniciada a sua formação. Nas vagens, a infecção ocorre em manchas deprimidas, delimitadas por um anel mais escuro, meio saliente, circundado por uma borda marrom-acinzentada (Figura 6).

Foto: Adriane Wendland
 
Figura 6. Sintoma de antracnose nas vagens.



 

Durante os períodos de baixa temperatura e alta umidade, estas lesões podem apresentar uma massa gelatinosa de esporos de coloração rosada. Ao nível dos cancros, as sementes frequentemente são afetadas (Figura 7), apresentando lesões marrons ou avermelhadas. As plântulas provenientes de tais sementes geralmente apresentam cancros escuros nos cotilédones.

Foto: Adriane Wendland
 
Figura 7. Sementes afetadas por antracnose.

 

 

O controle da doença inclui o emprego de sementes de boa qualidade, o uso de cultivares resistentes, o tratamento químico e as práticas culturais como rotação de culturas e eliminação dos restos culturais. Deve-se, também, evitar transitar na lavoura quando a folhagem estiver úmida.

 

Ferrugem

A ferrugem é incitada pelo fungo Uromyces appendiculatus (Pers) Unger. Encontra-se distribuída em todo o território nacional. Os prejuízos causados pela ferrugem são maiores quando ela aparece na cultura antes ou durante a floração podendo, em cultivares suscetíveis, reduzir o rendimento em até 70%. Tem sido constatada uma maior incidência no plantio “da seca” que no “das águas”.

A ferrugem ocorre mais frequentemente nas folhas, mas pode ser encontrada também nas vagens e hastes (Figura 8).


Fotos: Adriane Wendland
 

Figura 8. Sintomas de ferrugem nas folhas e na haste.
                                      


Os primeiros sintomas podem ser observados na parte inferior das folhas (Figura 9), como manchas pequenas, esbranquiçadas e levemente salientes. Estas manchas aumentam de tamanho até produzirem pústulas maduras, de cor marrom-avermelhada, onde são encontrados os uredósporos.


Foto: Adriane Wendland
 
Figura 9. Sintomas na face inferior da folha.



Nas cultivares muito suscetíveis, além de um halo clorótico, que rodeia a pústula primária, pode ser formado um anel de pústulas secundárias.

Na natureza, os uredósporos são disseminados pelo vento, implementos agrícolas, insetos e animais. Longo período de umidade relativa (10-18 horas) superior a 95% e temperaturas entre 17-27 °C, favorecem a infecção.

O controle da ferrugem pode ser alcançado pelo uso de cultivares resistentes do tratamento químico e de práticas culturais tais como eliminação de restos culturais, rotação de culturas e época de plantio.

 

Sarna

A sarna do feijoeiro comum é uma doença que foi identificada recentemente na cultura, sendo incitada pelo fungo Colletotrichum dematium f. truncata (Schw.) v. Arx. Pode causar perdas em até 100% da lavoura. Encontra-se distribuída, principalmente, nos Estados de Goiás e Minas Gerais.

Os primeiros sintomas da sarna podem iniciar-se ainda no estádio de plântula com a formação de uma zona de tecido mais clara pouco acima da região do colo da planta (Figura 10).



Foto: Adriane Wendland
 
Figura 10. Primeiros sintomas da sarna.



 

À medida que a doença se desenvolve, este tecido torna-se necrosado apresentando uma coloração castanha (Figura 11).



Foto: Adriane Wendland
 
Figura 11. Tecido necrosado.



Estas lesões crescem no sentido longitudinal do caule e aumentam de tamanho podendo tomar todo o seu diâmetro. Posteriormente, nas áreas necrosadas pode ser observado um grande número de acérvulos (Figura 12), que são estruturas de reprodução assexual do patógeno. Quando estes sintomas ocorrem, as plantas murcham e morrem. Nas vagens, surgem pequenas manchas negras, as quais também contém os acérvulos do fungo.



Foto: Adriane Wendland
 
Figura 12. Acérvulos na área necrosada.

 

As condições de ambiente que favorecem a doença incluem temperaturas altas (28° C), alta umidade relativa e o plantio do feijão após a cultura do milho ou sorgo.

O inóculo primário consiste de sementes infectadas e de restos de cultura.

Os principais agentes de disseminação da doença à longa distância são as sementes e, a curta distância, de chuva acompanhada de vento e os implementos agrícolas.

Por ser uma doença que surgiu recentemente na cultura do feijoeiro comum, ainda não são conhecidas as medidas de controle. Entretanto, como o fungo pode ser transmitido pelas sementes, recomenda-se o emprego de sementes de boa qualidade fitossanitária.

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