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ÁRVORE DO CONHECIMENTO Cana-de-Açucar      Equipe editorial Ajuda

Máquinas e implementos

Autor(es): Paulo Sérgio Graziano Magalhães

As características das máquinas e implementos utilizados na cultura da cana-de-açúcar variam de acordo com o sistema de plantio, cultivo e colheita adotados. Os sistemas utilizados no Brasil podem ser divididos em semimecanizado e mecanizado, variando entre eles a quantidade de trabalhadores, máquinas e implementos empregados. Não existe praticamente nenhum sistema totalmente manual em nenhuma das etapas da produção de cana.

O sistema semimecanizado combina o emprego de operações realizadas manualmente com máquinas. Assim, no plantio toda a operação de erradicação da soqueira e preparo do solo - subsolagem, gradagem e sulcação - é realizada mecanicamente. Já a retirada das mudas do caminhão e seu seccionamento (picagem) são feitos manualmente. Em alguns casos, dependendo do relevo, a cobertura e adubação também são manuais, mas na maioria das vezes esta operação é realizada por máquinas.

As operações de corte e enleiramento da cana, durante a colheita com sistemas semimecanizados, são realizadas manualmente, enquanto as operações de carregamento e transporte são feitas por máquinas. Os sistemas semimecanizados, com certo grau de variação dependendo da região do País, são ainda amplamente utilizados e representam, atualmente, mais de 60% de toda a área plantada.

O sistema mecanizado emprega em todas as suas operações máquinas e equipamentos desenvolvidos especialmente para a cultura de cana. Para o plantio, por exemplo, existem vários tipos de equipamentos, sendo que os mais simples apenas picam as mudas e fazem sua distribuição no sulco, empregando, geralmente, um maior número de pessoas para realizar a alimentação das bicas. São implementos tracionados por trator e máquinas autopropelidas, que fazem desde a abertura do sulco até a distribuição das mudas, adubação e cobertura do sulco em uma única operação. Nos sistemas mecanizados de colheita, todas as operações de corte, carregamento e transporte são realizados por máquinas.

A adoção do sistema mecanizado de plantio ou de colheita necessita de reformulação de todas as práticas culturais para adaptar as lavouras para esse sistema. A maioria das novas usinas que estão sendo instaladas no Brasil optou por adotar os sistemas mecanizados de plantio e de colheita. As demais usinas ainda empregam combinação destes sistemas, em maior ou menor porcentagem, dependendo da região, declividade do terreno, disponibilidade de mão-de-obra e capacidade de investimento.

Processo de colheita

Os processos convencionais de colheita manual ou mecânica, com ou sem queima prévia, visam apenas o aproveitamento dos colmos e estão constituídos de uma seqüência de operações simples que incluem o corte da base, do ponteiro e a picagem ou enleiramento dos colmos. Em ambos os casos, o aproveitamento da palha não faz parte do processo de colheita.

No caso de colheita de cana crua sem queima prévia, a palha é separada dos colmos, mesmo que parcialmente, e deixada no campo para servir de proteção ao solo e raramente é aproveitada, mesmo que parcialmente, para outro fim. No caso do corte manual, a colheita sem queima prévia dificulta o trabalho do cortador e reduz a quantidade de cana a ser colhida, o que inviabiliza economicamente a operação.

Sistema de colheita mecânico

As colhedoras disponíveis no Brasil apresentam, em sua maioria, as mesmas características, mas com pequenas variações, dependendo do fabricante, quanto ao sistema de alimentação ou transporte do material no interior da colhedora. Estão listadas, abaixo, as principais características destas colhedoras (Figura 1):

  • são autopropelidas, com sistemas hidrostáticos e mecânicos para seu deslocamento;
  • dispõem de mecanismo para separar as linhas e para levantar a cana deitada transversalmente. Com o avanço da colhedora, este mecanismo deita os colmos no sentido do eixo longitudinal da máquina para tornar viável o processo de alimentação, depois do corte da base;
  • eliminador de ponteiros, situado na parte frontal superior da máquina;
  • mecanismo de corte de base: dois discos de aproximadamente 700 milímetros de diâmetro, com altura de corte controlada pelo operador, que têm a função de cortar os colmos em sua base, cerca de dez a 20 milímetros acima do nível do solo;
  • transportador de rolos com duas funções: transportar os colmos até o sistema de picagem e eliminar o grande volume de solo alimentado pelo cortador de base;
  • picador de colmo com capacidade de cortar 95 % dos colmos entre 230 e 350 milímetros;
  • sistemas de limpeza composto pelo extrator principal, localizado logo após a picagem dos colmos, responsável por 90% do processo de limpeza (separação dos colmos das impurezas vegetais) e pelo extrator secundário situado no extremo superior da esteira transportadora, antes do produto colhido ser lançado ao veículo de transbordo;
  • esteiras transportadoras, capazes de girar em ângulo de 180º, permitindo que a colhedora possa cortar sempre o mesmo lado do talhão.

Fig. 1. Esquema de uma colhedora de cana.
Foto: Paulo Magalhães.

Sistemas de carregamento e transporte

Semimecanizado


Após o enleiramento da cana colhida manualmente de cinco ou sete ruas, a matéria-prima é recolhida por carregadoras (Figura 2) e colocada em caminhões.


Fig. 2. Carregadora de cana.
Foto: Efraim Albrecht Neto.

Existe uma grande variedade de carregadoras, sendo que a maioria é montada sobre tratores modificados especialmente para receber este equipamento. Existem, ainda, carregadoras especialmente projetadas para este fim, como os triciclo autopropelidos, utilizadas em regiões de grande declividade. O transporte da carga até a usina é realizado por caminhões simples, com duas caçambas (Romeu e Julita) (Figura 3), três caçambas (treminhão) ou até mais. A descarga no pátio da usina é realizada no hilo convencional, no qual a cana pode ou não ser lavada, dependendo da usina.


Fig. 3. Caminhão Romeu e Julieta.
Foto: Paulo Magalhães. 

Mecanizado

Nos sistemas mecanizados de colheita (Figura 4), toda a cana que passa pela colhedora é lançada no veículo de transbordo, um implemento tracionado geralmente por tratores, cuja função é retirar a matéria-prima colhida de dentro do talhão e transbordá-la aos caminhões, que a transportarão à usina. Os caminhões que realizam o transporte da cana colhida mecanicamente têm uma caçamba diferente da que é utilizada nos sistemas semimecanizados, pois transportam cana picada. A denominação quanto ao número de caçambas é o mesmo utilizado no sistema semimecanizado. O hilo de descarga de cana picada também é diferente do utilizado com cana inteira, pois necessita tombar a caçamba do caminhão. Neste caso, a cana nunca é lavada.


Fig. 4. Colheita mecanizada.
Foto: Paulo Magalhães. 

Sistemas de cultivo da cana

Preparo do solo: utiliza-se arado de disco ou arado de aiveca para a inversão do solo e grades para quebrar torrões, nivelar o terreno e romper a camada superficial compactada (Figura 5). Nessa etapa ocorre a aplicação de calcário e gesso, se necessário. O mais comum é aplicar metade da dose antes da aração e o restante, antes da gradagem. Antes desta etapa ou durante a reforma do canavial, pode-se fazer o uso de subsolador para romper camadas sub-superficiais compactadas devido ao tráfego intensivo de máquinas e equipamentos durante os anos anteriores.


Fig. 5. Preparo do solo com grade e trator de esteira.
Foto: Paulo Magalhães. 


Este sistema de preparo do solo tende a ser alterado rapidamente nos próximos anos, com a introdução do plantio direto. Com o avanço das áreas de cana crua colhidas mecanicamente, a presença da palha iniciou o processo que viabiliza a utilização do sistema de plantio direto para a cultura de cana-de-açúcar, assim como é utilizado nas culturas de cereais. Muitas usinas estão utilizando este sistema em áreas experimentais.

Trato da soqueira: nessa etapa utiliza-se implemento montado no trator, que realiza a chamada tríplice operação (escarificação, adubação e cultivo) (Figura 6). Em seguida, pode-se fazer controle químico com herbicida, após aproximadamente 30 dias da operação mecânica.


Fig. 6. Cultivo da cana-soca.
Foto: Paulo Magalhães. 

 
Pulverização: utiliza-se, geralmente, pulverizadores (autopropelidos, na maioria das vezes), para a aplicação de herbicida, 30 dias após o surgimento das primeiras folhas, em média. Outra prática cada vez mais comum, no setor sucroalcooleiro, é a aplicação de maturadores vegetais com o objetivo de induzir a maturação da cana e, assim, antecipar a disponibilidade de matéria-prima pronta para industrialização. Esta aplicação é realizada por aviões agrícolas construídos especialmente para pulverização aérea.

Adubação de cobertura: pode ser realizada com adubadora automotriz, montada ou tracionada por trator (Figura 7).


Fig. 7. Adubadora de cana para área total.
Foto: Raffaella Rossetto. 

 

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