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ÁRVORE DO CONHECIMENTO Cana-de-Açucar      Equipe editorial Ajuda

Programas

Autor(es): Antonio Dias Santiago ; Raffaella Rossetto

O melhoramento genético da cana-de-açúcar é o estudo das características das variedades, das melhores épocas para explorá-la (início, meio ou fim da safra) e do ambiente mais favorável para o plantio em relação à água e ao solo. Este estudo permite a obtenção de cultivares com requisitos adequados a interesses agronômicos e industriais.

As características das diversas variedades são: rusticidade, teor de açúcar, resistência a doenças, entre outras. Neste caso, o manejo faz a alocação para que seja possível explorar melhor a potencialidade de cada variedade. Na Região Central do País, as variedades são semelhantes entre si, pois a temperatura e o solo influenciam no desenvolvimento da cultura.

As características mais procuradas por pesquisadores variam em função do mercado. Se o setor canavieiro investe mais em álcool, o teor de açúcar da cana vai deixar de ter muita importância e as pesquisas serão direcionadas para a produção de biomassa. Atualmente, do total de cana produzida, metade é destinada à produção de etanol e o restante, para a produção de açúcar. Portanto, as variedades desenvolvidas atualmente visam obter um teor considerável de açúcar, sem perder a rusticidade. Uma tonelada de cana considerada de boa qualidade produz, aproximadamente, de 70 a 80 litros de álcool. Na medida em que se visa a produção de açúcar, perde-se em rusticidade, e na medida em que se investe em rusticidade, perde-se em açúcar. E o melhoramento genético busca um equilíbrio para essa relação.

No Brasil, o melhoramento genético é realizado por instituições públicas e privadas, com grande interação com o setor produtivo. Diversos programas de pesquisa nesta área estão sendo desenvolvidos, atualmente. Abaixo, estão descritos alguns destes programas. 

Instituto Agronômico de Campinas

O programa de melhoramento genético da cana-de-açúcar do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) é desenvolvido na Estação Experimental de Ribeirão Preto, SP, desde 1950, e dispõe de aproximadamente 240 hectares de terras para realizar pesquisas e experimentos.

O Instituto mantém uma posição de destaque no segmento e tem sido responsável pelo lançamento das variedades IAC, adaptadas a diversas regiões do País. O programa de melhoramento genético do IAC, Programa Cana, criado em 1994, mantém convênio de integração técnico-científica com outras 128 unidades de pesquisas. O Pólo Regional Centro-Sul da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), em Piracicaba, SP, é um dos centros de experimentação para desenvolvimento de novas cultivares e técnicas de manejo da cana-de-açúcar (Figura 1).


Fig. 1. Vista aérea do campo experimental do Pólo
Regional Centro-Sul, em Piracicaba, SP.

Foto: Raffaella Rossetto. 

Centro Técnico Canavieiro (CTC)

Desde 2004, a Cooperativa de Produtores de Cana-de-açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Copersucar) mantém o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), associação que sucedeu o Centro de Tecnologia Copersucar, tradicional centro de pesquisa, criado em 1970, e responsável por inúmeros desenvolvimentos tecnológicos no setor.

O CTC foi criado para realizar pesquisas e desenvolver novas tecnologias para aplicação nas atividades agrícolas, logísticas e industriais dos setores canavieiro e sucroalcooleiro e, também, para criar novas variedades de cana-de-açúcar. O Centro tem um orçamento anual de 30 milhões de reais e as pesquisas de melhoramento genético realizadas pela Copersucar são financiadas pelos produtores cooperados. 

As variedades desenvolvidas pelo programa geram royalties - quando são utilizadas comercialmente - que são aplicados na manutenção do programa. A Copersucar é responsável pelas variedades SP, que compõem cerca de 60% das lavouras das unidades cooperadas e 45% das áreas dos demais produtores.

Ridesa

Após a extinção do Programa Nacional de Melhoramento da Cana-de Açúcar (Planalsucar), ocorrida no mesmo período do fechamento do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), em 1990, a Rede Interuniversitária de Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro (Ridesa) - grupo composto por nove universidades (Figura 2) - absorveu todo o trabalho de pesquisa desenvolvido, até então, pelo Planalsucar.

 


Fig. 2. Universidades que compõem a Ridesa.
Fonte: Ridesa (2008).

Além de dar continuidade ao programa de criação de novas variedades, a Ridesa o ampliou a fim de atender a crescente demanda do setor, inclusive com variedades mais precoces, que permitem aumentar o período de colheita. A Ridesa conduz o Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-Açúcar (PMGCA), envolvendo as seguintes instituições:

Universidade Federal de São Carlos

A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolve diversas variedades que compõem os canaviais brasileiros, entre as quais RB925211, RB925268, RB925345 e RB935744, lançadas em 2006.

A UFSCar desenvolve pesquisas também no Oeste do Estado de São Paulo, Mato Grosso e Triângulo Mineiro, com o apoio do Laboratório de Genética Molecular (Lagem), Laboratório de Fitopatologia (Lafito) e Laboratório de Nematologia (Lamen), pertencentes à própria universidade.

Universidade Federal de Viçosa

O programa da Universidade Federal de Viçosa (UFV) foi implantado em 1991, quando o acervo técnico e o ativo imobilizado (conjunto de bens e direitos) do extinto Planalsucar foram incorporados ao seu patrimônio.

As cultivares RB 867515 e RB 928064 foram desenvolvidas pelo Departamento de Fitotecnia da UFV e protegidas pelo Serviço Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC). Elas se destacam pela produtividade de açúcar e tolerância às principais doenças que atingem a cana-de-açúcar. A RB 867515 foi a cultivar mais plantada no Brasil nas safras 2005/2006 e 2006/2007, com plantio estimado em 10% do total. Essa cultivar tem sido a melhor opção para manejo em solos de baixa fertilidade natural e de textura arenosa no cerrado brasileiro.

Um aspecto importante do Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-Açúcar da UFV é sua parceria com empresas produtoras de açúcar, álcool e energia. As usinas e as destilarias têm participado do desenvolvimento de cultivares desde as etapas iniciais do programa. Assim, a adoção e o manejo das novas cultivares ocorrem de maneira facilitada, pelo fato de o produtor ter participado ativamente do desenvolvimento da tecnologia. 

No Estado de Minas Gerais, a área cultivada com cana-de-açúcar para produção de açúcar, álcool e energia ocupa 368 mil hectares, abrangendo 78 municípios.

Universidade Rural de Pernambuco

Historicamente, o Estado de Pernambuco atua na criação de métodos e práticas de produção de novas variedades de cana-de-açúcar.

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) desenvolve pesquisas que visam a melhoria das qualidades produtivas da planta e se destaca na área de melhoramento genético. A Universidade é responsável pelo lançamento de variedades RB (República do Brasil).

A Estação Experimental de Cana-de-Açúcar de Carpina (EECAC), situada no município de Carpina, já lançou diversas variedades de cana. Em 1996, a Estação disponibilizou a variedade RB72454, que chegou a representar 50% dos canaviais brasileiros. Hoje, a variedade corresponde a 16% da lavoura de cana do País.

Universidade Federal de Alagoas

As pesquisas foram iniciadas há trinta anos, pelo extinto Planalsucar, que atuava como setor de pesquisas do antigo IAA. Posteriormente, estas pesquisas foram transferidas para a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que continuou o programa de melhoramento genético em parceria com as instituições integrantes da Ridesa.

Atualmente, o banco de germoplasma do projeto tem cerca de 2.500 genótipos diferentes de cana-de-açúcar. As sementes híbridas geram variedades que são cultivadas em 60% de todo o plantio de cana do País. São cerca de três milhões de hectares cultivados no Brasil, com variedades produzidas em Alagoas. Os resultados das pesquisas levam a um aumento de produtividade de 30%, fazendo com que produtores alcancem um melhor resultado, com menor custo. As variedades produzidas, por serem mais resistentes às pragas e às mudanças climáticas, dependem menos de insumos e agrotóxicos.

Por meio de contrato assinado, em outubro de 2004, entre a Ufal, a Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e os produtores de cana-de-açúcar de Alagoas, foi garantido um maior aporte de recursos para as pesquisas realizadas pelo Centro de Ciências Agrárias da Ufal. A parceria consolidou a Estação Experimental Serra do Ouro, localizada em Murici, AL, como referência nacional para a pesquisa em biotecnologia voltada para a criação de variedades utilizadas por produtores de todo o País.

Pelas condições de clima e solo, a área é privilegiada para realização dos cruzamentos genéticos, pois nessa região há um florescimento intenso das plantas, o que viabiliza os cruzamentos genéticos. Desde a fundação da Estação Experimental Serra do Ouro, em 1969, foram produzidas mais de 55 variedades. Os estudos experimentais para obtenção de uma variedade cada vez melhor levam em torno de 15 anos.

Uma das variedades mais cultivadas no Norte e no Nordeste é a RB-579, mas existem outras que também são aprovadas por pesquisadores e produtores.

Universidade Federal do Paraná

Com a extinção do Planalsucar, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) também recebeu parte do acervo técnico-científico, corpo técnico e a infra-estrutura da instituição. As pesquisas desenvolvidas pela UFPR são amplas e visam, sobretudo, elevar o rendimento agrícola e do Açúcar Total Recuperável (ATR). Uma das prioridades do programa é o desenvolvimento e a avaliação do desempenho de variedades precoces, com o objetivo de atender as necessidades do setor. A safra no Paraná termina, em muitas unidades (usinas), no início de novembro, quando normalmente tem início o período das chuvas. A pesquisa caminha lado a lado com as unidades produtoras, que apóiam os trabalhos realizados nas estações experimentais em Paranavaí, Bandeirantes e na própria Universidade. Experimentos são desenvolvidos, também, em áreas de usinas.

Das variedades de cana utilizadas no Paraná, 79% são RB - desenvolvidas pela Ridesa - 18% são variedades SP e 3%, de outras procedências. Diversas variedades precoces estão sendo estudadas, como a RB855156, RB855453 e RB835054. O programa liberou, em 18/01/2007, a RB925211 e outras três, os clones RB946903, RB956911 e RB966928, que estão em fase de pré-lançamento. A variedade mais plantada no Estado do Paraná é a  B867515, que apresenta bom desempenho em solos com baixa fertilidade.

Outro trabalho que está sendo realizado pelos pesquisadores da UFPR, com ampla adesão das usinas, é a produção de mudas sadias de cana por meio do tratamento térmico. O objetivo é diminuir a incidência do raquitismo na cultura de cana no Estado. A eliminação dessa doença pode elevar a produtividade agrícola em torno de 15% nas áreas anteriormente afetadas.

Universidade Federal de Goiás e Universidade Federal de Mato Grosso

Com a inclusão da Universidade Federal de Goiás (UFG) à Ridesa, a partir de 2004, e da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em 2007, foram criadas duas novas estações experimentais para a região do cerrado. A estação sob responsabilidade da UFG está localizada em Goiânia, GO, e a da UFMT, em Cuiabá, MT. O PMGCA deverá impactar positivamente o setor sucroalcooleiro em Goiás, pois, até o momento, as variedades cultivadas no Estado e na Região Centro-Oeste são provenientes de programas de melhoramento genético desenvolvidos em outros Estados, sobretudo em São Paulo.

Fonte consultada:

RIDESA. Rede Interuniversitária para Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro. Disponível em: <http://www.ridesa.com.br>. Acesso em: 5 ago. 2008.

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