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Segmento produção

Autor(es): Pedro Felizardo Adeodato P Pessoa ; Lucas Antonio de Sousa Leite

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Segmento produção agrícola

O cajueiro é encontrado em todo o território brasileiro. Entretanto, tem uma contribuição econômica mais relevante na Região Nordeste, principalmente nos estados do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte (Tabela 1). No período de 1999 a 2006, o Ceará deteve 50% da produção, vindo em seguida o Rio Grande do Norte, com 23%, e o Piauí, com 17%.   

Tabela 1 – Produção brasileira de castanha de caju (em t)

Discriminação
Anos
19992000200120022003200420052006
Maranhão3.9544.6954.6334.0504.7064.6925.0316.149
Piauí32.22433.39518.85016.81726.66244.13024.49741.853
Ceará77.11347.73767.935102.431108.05186.57666.090130.544
Rio Grande do Norte 17.89830.54616.85526.27829.08938.89841.67547.862
Pernambuco3.9443.3763.2123.5542.8253.2894.8915.127
Bahia3.3044.8845.0685.4455.4445.4935.2296.618
Nordeste143.530130.320121.046161.456179.856186.259150.679241.518
Brasil145.437138.608124.073164.539178.396182.632152.751243.770

Fonte: IBGE.  http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/tabela/protabl.asp?z=p&o=22&i=P

A cultura do cajueiro foi considerada por algum tempo uma atividade extrativa. Entretanto, a existência de um mercado promissor para a exportação dos seus derivados e a instituição dos incentivos fiscais e subsídios creditícios, através da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste - SUDENE, Banco do Brasil e, posteriormente, Fundo de Investimento Setorial - FISET – Reflorestamento e Fundo de Investimento do Nordeste - FINOR, foram os principais mecanismos que levaram ao estabelecimento de plantios organizados e da rápida expansão na área cultivada. Há fortes evidências de que a expansão das áreas foi baseada em tecnologias poupadoras de mão-de-obra que, além de não terem correspondido em produção, provocaram decréscimo nos salários agrícolas e aumentaram os lucros dos capitalistas e proprietários do fator terra. Por outro lado, o baixo preço da terra também motivou os usuários dos incentivos fiscais à implantação de grandes áreas (em solos às vezes inadequados), o que lhes facultava acesso à captação de maior volume de recursos financeiros.

Os sistemas tradicionais de produção adotados são muito semelhantes. Diferenciam-se apenas no uso da mecanização mais intensiva, nas operações de preparo do solo e manutenção da cultura, no caso das grandes plantações. Os pequenos e os médios plantios caracterizam-se pelo uso mais intensivo do fator mão-de-obra.

De um modo geral, os estabelecimentos são pouco capitalizados e praticamente não usam insumos modernos. A baixa produtividade, decorrente do seu baixo nível tecnológico, pode também ser explicada, em parte, pela estrutura fundiária concentrada. Nos minifúndios e nos estabelecimentos em que o produtor não é o proprietário da terra pouca ou nenhuma tecnologia é adotada. Diante desse quadro, a Embrapa Agroindústria Tropical, com a parceria de Universidades, Ministérios, Secretarias Estaduais de Agricultura, Sebrae, Empresas Estaduais de Pesquisa e Extensão Rural, Empresas Privadas, dentre outros, têm apoiado e desenvolvido pesquisas, tanto para o segmento agrícola, como para os outros segmentos, visando tornar o agronegócio caju mais competitivo.

No segmento agrícola, as altas produtividades de castanha e de pedúnculo obtidas com o cajueiro-anão precoce enxertado em condições de sequeiro, sinalizam positivamente a possibilidade de uma quebra desse quadro, mediante a aceitação de que a cajucultura tradicional pode se transformar em uma atividade empresarial competitiva, com condições de integrar o mix das fruteiras mais lucrativas cultivadas no Brasil. Por outro lado, acredita-se que a exploração do cajueiro comum, também denominada de cajucultura tradicional, só será viável se produzido nos moldes da agricultura familiar, ou cajucultura familiar. 

A característica marcante da cajucultura familiar é a predominância de trabalhadores da própria família, portanto são inexpressivos os desembolsos com pagamento de salários. Nesse tipo de agricultura, o objetivo é maximizar a remuneração do trabalho. Do outro lado, a cajucultura patronal ou empresarial tem como objetivo aumentar o retorno do capital investido. Nesse tipo de cajucultura, um investimento só será considerado viável economicamente se apresentar uma remuneração ou taxa de retorno igual ou superior à remuneração ou taxas de retorno de outras alternativas de investimento. As taxas de remuneração oferecidas pelo mercado financeiro, como por exemplo, a caderneta de poupança, pode ser considerada como uma alternativa de investimento.

Com base nestas considerações, será realizada a seguir uma análise sobre a viabilidade econômica do cajueiro comum e do cajueiro-anão precoce enxertado, nas perspectivas da cajucultura patronal e cajucultura familiar. Neste trabalho esses empreendimentos foram denominados de: cajueiro comum patronal, cajueiro comum familiar, cajueiro-anão precoce enxertado patronal e cajueiro-anão precoce enxertado familiar.

Na análise sobre a viabilidade econômica serão utilizados os seguintes indicadores:

Taxa interna de retorno (TIR) – Expressa a taxa de remuneração do investimento. A rejeição de uma proposta de investimento deve ser efetuada quando o valor da taxa interna de retorno for inferior ao custo de oportunidade do capital ou à taxa mínima de atratividade exigida. A taxa mínima de atratividade ou custo de oportunidade deve expressar o que se deixa de ganhar pela não aplicação do capital em uma outra alternativa de investimento. A caderneta de poupança que é um investimento praticamente isenta de risco, oferece uma remuneração em torno de 6% ao ano. No cálculo das taxas internas de retorno foi utilizada a planilha eletrônica Excel versão 7.0 da Microsoft para Windowsâ.

Retorno do investimento (RI) – Expressa o retorno em lucro para cada unidade monetária investida. É obtida pela divisão do lucro pelo investimento. Considera-se uma alternativa de investimento atrativa economicamente se apresentar um RI anual superior a 20%.

Período de recuperação (PR) – Consiste na estima do tempo necessário para que o fluxo de caixa acumulado se torne positivo, ou seja, expressa o período de tempo necessário para a recuperação dos gastos na implantação, na produção e na colheita.

Remuneração da mão-de-obra no período (RMOP) - Consiste na renda total obtida no período, menos a saída total do período ou o desembolso total do período (desconsiderar o desembolso com o pagamento dos homens/dia), dividido pela quantidade de homens/dia (H/d) utilizados no período. Expressa a remuneração média de um dia de trabalho obtido com a atividade em determinado período. Portanto uma alternativa será atrativa se a sua RMOP for superior ao valor da diária, ou seja, a remuneração paga por um dia de trabalho.

Para os cultivos tradicionais de cajueiro comum, estima-se, conforme Tabela 2, um investimento de R$ 1.135,00 na implantação de um hectare.
A estimativa do custo operacional ou de manutenção até a estabilização da sua produção no oitavo ano, está discriminada na Tabela 3.
Observa-se que, tanto no investimento como no custo operacional, os gastos com mão-de-obra são os mais expressivos, com participação em torno de 90%. Portanto, no cultivo do caju nos moldes da cajucultura familiar, os desembolsos são relativamente pequenos.

Observa-se que o destocamento e o desmatamento são as operações mais caras no investimento com a implantação, com participações de 46% e 26% , respectivamente.

No custo operacional, Tabela 3, os gastos com mão-obra na colheita da castanha de pedúnculo são os mais relevantes, com participação de 65%. 

Tabela 2 - Estimativa dos gastos com o investimento na implantação de um hectare de cajueiro comum.

Discriminação

UnidadeValor (R$)QuantidadeTotal
Desmatamento H/d15,0020300,00
Coivara e queimaH/d15,008120,00
DestocamentoH/d15,0035525,00
AcabamentoH/d15,00345,00
Aração e Gradagem H/t35,00270,00
Marcação, abertura de covasH/d15,00230,00
Sementes Kg5,00315,00
Plantio das sementesH/d15,00230,00
Total---1.135,00

Fonte: Embrapa Agroindústria Tropical.  

Tabela 3 – Estimativa do custo operacional  de um  hectare de cajueiro comum


  Unid.         Quantidade / Ano
Discriminação 
Roçagem H/t11111111
Coroamento H/d22233334
Desbrota/podasH/d11111222
Subtotal (R$)-80,0080,0080,0095,0095,00110,00110,00125,00
Colheita castanhaR$0,000,0022,5045,0067,5090,00112,50135,00
Colheita pedúnculo  R$0,000,0016,2032,4048,6064,8081,0097,20
Total -80,0080,00118,70172,40211,10264,80303,50357,20

Fonte: Embrapa Agroindústria Tropical.Obs:   Considerou-se um aproveitamento comercial do pedúnculo igual a 40% da produção.            

1 (um)  H/d colhe 50 quilos de castanha.            

1 (um) H/d colhe 250 quilos de pedúnculo.

Com base nas Tabelas 2 e 3 e no preço de R$ 1,00 o quilo de castanha e R$ 0,10 o quilo de pedúnculo, foram elaborados os fluxos de caixa para um hectare de cajueiro comum patronal e um hectare de cajueiro comum familiar, Tabelas 4 e 5. Esses preços sofrem variações de acordo com a região, poder de escala do produtor, etc. Existem produtores que vendem a castanha “na folha” (antes mesmo da produção se viabilizar) para atravessadores por valores muito inferiores aos preços recebidos na indústria.    

É importante dizer que, na elaboração do fluxo de caixa para um hectare de cajueiro familiar, Tabela 5, não foram considerados os desembolsos relativos aos pagamentos da mão-de-obra (H/d). 

 

Tabela 4 - Fluxo de caixa de um hectare de cajueiro comum patronal.

  AnosProdução castanhaProduçãopedúnculoEntrada caixaSaída caixa Fluxo caixa Fluxo caixa acumulado
KgKg(R$)(R$)(R$)(R$)
1000,001.215,00-1.215,00-1.215,00
2000,0080,00-80,00-1.295,00
375270102,00118,70-16,70-1.311,70
4150540204,00172,4031,60-1.280,10
5225810306,00211,1094,90-1.185,20
63001.080408,00264,80143,20-1.042,00
73751.350510,00303,50206,50-835,50
84501.620612,00357,20254,80-580,70
94501.620612,00357,20254,80-325,90
104501.620612,00357,20254,80-71,10
114501.620612,00357,20254,80183,70
124501.620612,00357,20254,80438,50
134501.620612,00357,20254,80693,30
144501.620612,00357,20254,80948,10
154501.620612,00357,20254,801.202,90
Total4.72517.0106.426,005.223,10--

Fonte: Tabelas 2 e 3.

 

Tabela 5 - Fluxo de caixa de um hectare de cajueiro comum familiar.
 AnosProdução castanhaProdução pedúnculoEntrada caixa Saída caixa Fluxo caixa Fluxo caixa acumulado
KgKg(R$)(R$)(R$)(R$)
1000,00120,00-120,00-120,00
2000,0035,00-35,00-155,00
375270102,0035,0067,00-88,00
4150540204,0035,00169,0081,00
5225810306,0035,00271,00352,00
63001.080408,0035,00373,00725,00
73751.350510,0035,00475,001.200,00
84501.620612,0035,00577,001.777,00
94501.620612,0035,00577,002.354,00
104501.620612,0035,00577,002.931,00
114501.620612,0035,00577,003.508,00
124501.620612,0035,00577,004.085,00
134501.620612,0035,00577,004.662,00
144501.620612,0035,00577,005.239,00
154501.620612,0035,00577,005.816,00
Total4.72517.0106.426,00610,00 - -
Fonte: Tabelas 2 e 3. Para um hectare de cajueiro-anão precoce enxertado, estima-se, conforme Tabela 6, um investimento de R$ 1.750,00 na implantação.
A estimativa do custo operacional ou de manutenção até a estabilização da produção no oitavo ano, está discriminada na Tabela 7.
No investimento com a implantação os gastos com mão-de-obra participam com 68%. O destocamento e as mudas enxertados são os itens mais onerosos, com participações de 30% e 27%, respectivamente.
No custo operacional, os gastos com mão-de-obra no oitavo ano são os mais expressivos, com participação de 77%. Somente a mão-de-obra nas colheitas da castanha e do pedúnculo do caju é responsável por 57% do custo operacional. Portanto no cultivo do cajueiro anão precoce familiar, os desembolsos são mais expressivos que os realizados no cultivo do cajueiro comum familiar.
Tabela 6 - Estimativa dos gastos com o investimento na implantação de um hectare de cajueiro anão precoce enxertado

Discriminação

UnidadeValor (R$)QuantidadeTotal
Desmatamento H/d15,0020300,00
Coivara e queimaH/d15,008120,00
DestocamentoH/d15,0035525,00
AcabamentoH/d15,00345,00
Aração e Gradagem H/t35,00270,00
Marcação, abertura e adubação de covas          H/d          15,00 9 135,00
Mudas enxertadasUnid.     2,00240             480,00
Plantio de mudasH/d15,00575,00
Total---1.750,00

Fonte:  Embrapa Agroindústria Tropical. 

Tabela 7 - Estimativa do custo operacional  de um  hectare de cajueiro anão precoce enxertado


  Unid.         Quantidade / Ano
Discriminação 
Roçagem/gradagem  H/t22121212
Coroamento H/d44888888
Desbrota/podasH/d11222222
Adubação de coberturaH/d12222222
Controle de pragas e doençasH/d22233333
InseticidasKg ou L11112222
FungicidasKg ou L11112222
FormicidasKg ou L22222222
Adubo químicoKg6070100120140150150150
Colheita castanhaR$0,0024,00105,00180,00270,00300,00330,00360,0
Colheita pedúnculo  R$0,0017,2875,60129,60194,40216,00237,60259,20
Total -274,00337,28537,60715,60885,40979,00995,601.082,20

Fonte:  Embrapa Agroindústria Tropical.Obs: Considerou-se um aproveitamento comercial do pedúnculo igual a 40% da produção.    

        1 (um)  H/d colhe 50 quilos de castanha. 

        1 (um) H/d colhe 250 quilos de pedúnculo.Nas Tabelas 8 e 9 são apresentados os fluxos de caixa para o cajueiro anão precoce enxertado patronal e familiar.

 

Tabela 8 - Fluxo de caixa de um hectare de cajueiro anão precoce enxertado patronal.

  AnosProdução castanhaProduçãopedúnculoEntrada caixaSaída caixa Fluxo caixa Fluxo caixa acumulado
KgKg(R$)(R$)(R$)(R$)
1000,002.024,00-2.024,00-2.024,00
280288108,80337,28-228,48-2.252,48
33501.260476,00537,60-61,60-2.314,08
46002.160816,00715,60100,40-2.213,68
59003.2401.224,00885,40338,60-1.875,08
61.0003.6001.360,00979,00381,00-1.494,08
71.1003.9601.496,00995,60500,40-993,68
81.2004.3201.632,001.082,20549,80-443,88
91.2004.3201.632,001.082,20549,80105,92
101.2004.3201.632,001.082,20549,80655,72
111.2004.3201.632,001.082,20549,801.205,52
121.2004.3201.632,001.082,20549,801.755,32
131.2004.3201.632,001.082,20549,802.305,12
141.2004.3201.632,001.082,20549,802.854,92
151.2004.3201.632,001.082,20549,803.404,72
Total13.63049.06818.536,8015.132,08--

Fonte:  Tabelas 6 e 7.

 

Tabela 9 - Fluxo de caixa de um hectare de cajueiro anão precoce enxertado familiar.

  AnosProdução castanhaProduçãopedúnculoEntrada caixaSaída caixa Fluxo caixa Fluxo caixa acumulado
KgKg(R$)(R$)(R$)(R$)
1000,00704,00-704,00-704,00
280288108,80161,00-52,20-756,20
33501.260476,00147,00329,00-427,20
46002.160816,00196,00620,00192,80
59003.2401.224,00211,001.013,001.205,80
61.0003.6001.360,00243,001.107,002.312,80
71.1003.9601.496,00218,001.278,003.590,80
81.2004.3201.632,00253,001.379,004.969,80
91.2004.3201.632,00253,001.379,006.348,80
101.2004.3201.632,00253,001.379,007.727,80
111.2004.3201.632,00253,001.379,009.106,80
121.2004.3201.632,00253,001.379,0010.485,80
131.2004.3201.632,00253,001.379,0011.864,80
141.2004.3201.632,00253,001.379,0013.243,80
151.2004.3201.632,00253,001.379,0014.622,80
Total13.63049.06818.536,803.914,00--
Fonte: Tabelas 6 e 7.

Na Tabela 10, constam os indicadores de viabilidade do cajueiro comum e do cajueiro-anão precoce enxertado, nos moldes da cajucultura patronal e cajucultura familiar.Com base nestes resultados, pode-se afirmar que o cajueiro comum patronal é uma atividade de baixa atratividade econômica. A TIR obtida de 7% ao ano é quase igual à da caderneta de poupança, que é de 6% ao ano. O RI de 14,2% ao ano está bem abaixo do desejado pelos investidores. O PR de onze anos está no limite máximo para investimentos no setor agrícola de longa vida útil.  

Com relação ao cajueiro comum familiar, foi obtida uma RMOP de R$ 18,91, que é superior em 26% ao valor pago de R$ 15,00 por um dia de trabalho ou um H/d. Nestas condições, pode-se afirmar que o cultivo do cajueiro comum familiar é viável.  Os resultados obtidos para o cajueiro-anão precoce enxertado patronal atestam que esta alternativa de investimento também apresenta uma atratividade econômica muito baixa. A TIR de 11% ao ano é inferior a algumas taxas de remuneração oferecidas pelo mercado financeiro, que variam em média de 6% a 12% ao ano. Da mesma forma, o RI de 21% ao ano, reforça a baixa atratividade econômica do cajueiro anão precoce enxertado. O PR de nove anos é muito longo, sobretudo quando as perspectivas de remuneração são baixas.

É importante salientar que algumas alternativas de investimento no mercado financeiro remuneram mensalmente e são, praticamente, isentas de risco. Para o cultivo do cajueiro-anão precoce enxertado familiar foi obtida uma RMOP de R$ 19,60 que é  superior em 30% a diária de R$ 15,00 de um H/d. Com base nas informações que serão apresentadas a seguir, estimou-se que uma família rural típica de cinco pessoas tem capacidade de explorar 21 hectares de cajueiro comum ou oito hectares de cajueiro-anão precoce enxertado. Estas estimativas foram baseadas nos seguintes parâmetros:

 a) Uma família rural típica de cinco pessoas dispõe mensalmente em torno de 110 H/d.

b) No período da safra que ocorre de outubro a janeiro, a família se dedica exclusivamente a colheita da castanha e do pedúnculo do caju.

c) Com base nas Tabelas 3 e 7, 58% da  mão-de-obra é alocada na colheita da castanha e 42% na colheita do pedúnculo, portanto a família poderá dispor mensalmente de 63,8 H/d  para a colheita da castanha e 46,2 H/d para a colheita do pedúnculo.

d) Com 63,8 H/d e 46,2 H/d disponíveis mensalmente, a família tem uma capacidade de colher 3.190 quilos de castanha e 11.550 quilos de pedúnculo. Para o cajueiro comum com produções mensais por hectare de no máximo 150 quilos de castanha e 540 quilos de pedúnculo, a família terá capacidade de explorar vinte e um hectares. Enquanto para o cajueiro anão precoce enxertado com produções mensais por hectare de no máximo 400 quilos de castanha e 1.440 quilos de pedúnculo, a família terá capacidade de explorar oito hectares.

Os resultados obtidos são relevantes, pois cerca de 70% da produção brasileira de caju é originária do cajueiro comum familiar e que a área com cajueiro-anão precoce enxertado é estimada em menos de 10% da área total com cajueiro no Brasil. Desta forma, presume-se que a pequena diferença de 3,6% entre as RMOP do cajueiro comum e cajueiro anão precoce enxertado seja um dos fatores que têm limitado a modernização da cajucultura.Tabela 10 - Indicadores de viabilidade econômica de diferentes tipos de cultivo do cajueiro, no horizonte temporal de quinze anos.

  Indicadores          Cajueiro ComumCajueiro Anão Precoce Enxertado
Cajucultura patronalCajucultura familiarCajucultura patronalCajucultura familiar
(TIR) - Taxa interna de retorno (%) 7,00-11,00-
(RI) - Retorno do investimento (%)14,20-21,00-
(PR) - Período de recuperação (anos)11 9-
(RMOP) - Remuneração da mão-de-obra no período (R$)-18,91-19,60

Fonte: Tabelas 2 a 9.




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Iniciando um pequeno grande negócio agroindustrial: castanha de caju O tema deste volume Iniciando um Pequeno Grande Negócio Agroindustrial de Castanha de Caju é abordado em três partes. A primeira parte - Processo de Produção - contém as várias etapas do processamento da castanha de caju, da colheita ao resultado final, bem como o controle de qualidade, a fim de ofe Mais Detalhes

Desafios para a cajucultura no Brasil: o comportamento da oferta e da demanda da castanha de caju Destaca os principais desafios para a cajucultura no Brasil, focando o comportamento da demanda da castanha de caju. Adota como método a pesquisa explicativa,a partir de uma revisão de literatura. Indica que a Índia permanece líder na exportação da castanha de caju e que o Brasil perdeu a vice-lider Mais Detalhes

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