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ÁRVORE DO CONHECIMENTO Caju      Equipe editorial Ajuda

Doenças em campo

Autor(es): Francisco Marto Pinto Viana ; José Emilson Cardoso ; Francisco das Chagas Oliveira Freire
Antracnose (Colletotrichum gloeosporioides (Penz) Penz. & Sacc)


Essa é a mais severa doença do cajueiro no Brasil, seja pela sua ocorrência em todas as regiões produtoras, seja pelo volume de danos econômicos que provoca. Esta doença causa prejuízos, indistintamente, em pomares diversificados do ponto de vista genético e em campos cultivados sob sistemas de manejo mais tecnificado, onde são utilizados clones melhorados, sendo necessário apenas que as condições climáticas sejam favoráveis e o cajueiro encontre-se na fase de lançamento foliar ou floral. Perdas de 40% do volume total da produção já foram registradas. Entretanto, esta taxa pode ser bem mais elevada caso ocorra mais cedo em relação ao estádio reprodutivo e quando se consideram as perdas na qualidade do produto, ou quando se leva em conta o volume após o beneficiamento primário.

Essa doença é causada pelo fungo Colletotrichum gloeosporioides. Ele produz numerosas estruturas de reprodução chamadas de conídios nas lesões, em ambas as faces das folhas, nos caules, ramos, frutos e pseudofrutos.

Os sintomas da antracnose podem ser observados em toda a parte aérea da planta. Entretanto, são mais comumente encontrados nas folhas. No início, os sintomas são manchas irregulares e de coloração parda nas folhas jovens, tornando-se avermelhadas à medida que as folhas envelhecem. Quando os sintomas são severos, toda a folhagem fica retorcida e deformada, assemelhando-se a uma queima. Como o processo infeccioso ocorre nos tecidos tenros e jovens, as lesões tornam-se delimitadas quando os tecidos amadurecem, podendo, eventualmente, rasgar-se, deixando orifícios no limbo foliar. As lesões no eixo das inflorescências apresentam-se com as características típicas das antracnoses, isto é, de coloração marrom-escura, ovaladas ou arredondadas, às vezes com aparecimento de uma goma. No fruto e no pedúnculo, os sintomas principais são também lesões escuras e arredondadas, enquanto no pedúnculo, rachaduras e apodrecimento total podem ocorrer com relativa frequência.

O fungo sobrevive internamente nos tecidos infectados, em restos de cultura no solo ou na própria planta. A disseminação dentro do pomar se processa pela água da chuva e pelo vento, sendo o primeiro responsável pela maior participação no processo.

A antracnose é mais severa em tecidos jovens, resultantes do lançamento floral, que ocorre durante ou logo após o período chuvoso. Quando o período de elevada umidade prolonga-se até o início da frutificação, as perdas na produção são mais acentuadas, podendo ser totais em algumas plantas.

Os métodos de controle da antracnose consistem na eliminação de restos culturais infectados (por exemplo, poda de limpeza, remoção e destruição de restos culturais), plantio de mudas sadias e controle químico preventivo, por meio de pulverizações com fungicidas à base de oxicloreto de cobre. Levantamentos realizados recentemente na região litorânea e no Semiárido possibilitaram a seleção de clones dotados de níveis promissores de resistência genética, presumindo-se, assim, a exploração futura desta característica como medida de controle.


                        Figura 1. Antracnose em folhas de cajueiro

                   (Foto: J. E. Cardoso)


Figura 2. Sintomas de antracnose no pedúnculo

(Foto:José Emilson Cardoso)

 

 

                   Figura 3. Sintomas de antracnose em frutos de cajueiro
                   (Foto: J.E.Cardoso)


Resinose [Lasiodiplodia theobromae (Pat.)Griffon sin. Botryodiplodia theobromae Pat.]


A resinose é uma doença pouco estudada, por conta da sua recente detecção no Nordeste brasileiro, precisamente em Alto Santo, Ceará. A princípio julgava-se tratar de uma doença de pouca importância, uma vez que era restrita a plantas velhas e estressadas. Na atualidade, esta doença já assume a posição de principal doença em algumas regiões do Semiárido nordestino, onde é observada de modo indistinto, tanto em plantas estressadas como aparentemente vigorosas. As perdas devido à resinose são decorrentes da redução da fotossíntese, bloqueio do movimento da seiva nos primeiros estágios de infecção e redução do número de plantas do pomar pela morte de plantas.

Essa doença é causada pelo fungo Lasiodiplodia theobromae, capaz de infectar, isoladamente ou em associação com outros causadores de doenças, em torno de 500 espécies de plantas, apresentando sintomas como tombamento de plântulas, podridão-radicular, murcha e queima-foliar, cancro, gomose, podridão-de-frutos e sementes, morte-descendente e envassouramento, além de apodrecimento de madeira. As fruteiras tropicais mais comumente afetadas por este fungo são a mangueira, as anonáceas, o coqueiro, as Spondias, a bananeira, a aceroleira e o sapotizeiro. L. theobromae é, reconhecidamente, um fungo endofítico, ou seja, é capaz de sobreviver em associação com os tecidos da planta hospedeira sem causar nenhum sintoma de infecção.

Os primeiros sintomas da resinose caracterizam-se pelo escurecimento, inchação e rachadura da casca, formando lesões pronunciadas no tronco e nos ramos lenhosos, seguidos de intensa ocorrência de goma. Sob a casca, observa-se o escurecimento dos tecidos, o qual se estende até à região cortical e o câmbio vascular. Com o progresso da doença, sintomas de deficiências nutricionais, murcha, queda de folhas e morte dos ramos são observados, até a morte da planta (Foto 4).

Além dos tecidos infectados, o fungo sobrevive também na goma e em restos culturais no solo. A disseminação é feita pelo vento, água, semente, insetos, animais silvestres e pelo homem, via instrumentos agrícolas. Entretanto, a muda infectada é o mais importante veículo de disseminação.

A penetração se dá, sobretudo, através de ferimentos realizados durante as operações de enxertia, poda, decepa do tronco para substituição de copa, roçagem, gradagem e coroamento das plantas, além de ferimentos produzidos por insetos.

As condições de ambiente no Nordeste não parecem exercer influência direta no progresso da doença. Entretanto, fatores como falta de água e baixa disponibilidade de cálcio contribuem para aumentar o ataque do fungo.

A retirada total da lesão e/ou a poda dos ramos infectados, seguida da aplicação sucessiva de uma pasta fungicida à base de cobre, até a formação de tecidos de cicatrização, anteriormente sugerida para o controle da resinose, tem-se revelado ineficiente ao longo do tempo, porquanto novos cancros emergem em outros sítios na planta. Medidas de prevenção, como a limpeza de instrumentos e implementos agrícolas e a destruição de resíduos infestados, certamente, contribuem para a redução da taxa de crescimento da doença. Deve-se evitar o ferimento do tronco quando do coroamento manual das árvores, a fim de se diminuírem as portas de entrada para o fungo. Os clones de cajueiro anão-precoce BRS 226 – Planalto e Embrapa 51 são resistentes à resinose.

 


      Figura 4. Resinose em tronco de cajueiro-anão precoce (CP 76)
     (Foto: José Emilson Cardoso)


  

Figura 5. Planta de cajueiro anão-precoce (CP 76) exibindo sintomas
da resinose no tronco
(Foto: J.E.Cardoso)


 


Figura 6. Planta de cajueiro anão-precoce (CP 76) exibindo resinose no tronco
(Foto: J.EmilsonCardoso)


Podridão-preta-da-haste [Lasiodiplodia theobromae (Pat.) Griffon sin. Botryodiplodia theobromae Pat.]


A podridão-preta-da-haste (PPH) foi observada pela primeira vez no Brasil em 1999, afetando plantas adultas de cajueiro anão-precoce em Beberibe (CE) e Pio IX (PI). O fungo Lasiodiplodia theobromae, mesmo agente causador da resinose do cajueiro, é o responsável pela doença. Recentemente, esta doença vem se alastrando pelo centro-oeste brasileiro, atingindo grandes proporções no Sudeste da Bahia e estado do Tocantins.

Os sintomas da doença caracterizam-se pelo escurecimento dos tecidos da haste terminal (herbácea) do cajueiro, com eventuais ocorrências de goma em pontos específicos. Este sintoma progride até a necrose total, queima e seca descendente do ramo, tornando a copa parcialmente destruída pela doença. O modo de disseminação do fungo ainda não foi totalmente esclarecido, embora existam evidências da transmissão por muda infectada sem sintoma. As condições de elevada umidade (chuva e umidade relativa do ar) e a temperatura amena durante as noites são tidas como altamente favoráveis. O manejo da doença tem sido pela poda dos ramos afetados seguida da aplicação de fungicidas (25 %Sulfato de cobre, 50% Chlorothalonil + 20% Tiofanato Metílico e Azoxystrobin), porém a eficiência desses procedimentos ainda é limitada quando as condições de umidade e temperatura são favoráveis.


 

 


      Figuras 7 e 8. Sintomas da podridão-preta-da-haste do cajueiro
     (Fotos: J.E.Cardoso)


 


      Figura 9. Sintomas da podridão-preta-da-haste na copa do cajueiro
     (Foto: J.E.Cardoso)


Mofo-Preto (Pilgeriella anacardii Arx & Müller)


O mofo-preto é uma doença cujos efeitos econômicos vêm crescendo em ritmo acelerado nos últimos anos, principalmente no cultivo do cajueiro-anão. Grandes ocorrências desta doença foram recentemente observadas em pomares localizados ao longo do litoral dos estados do Ceará e do Piauí.

Danos de até 35% na produção de castanhas já foram registrados em plantas de cajueiro-anão precoce.

O cajueiro é o único hospedeiro registrado para esse fungo. As primeiras evidências do mofo-preto são pequenas manchas arredondadas e amareladas na face inferior da folha madura, que se tornam pardas e pretas, atingindo, gradativamente, toda a sua superfície. A queda prematura das folhas é frequente.

O mofo-preto inicia seu ciclo em cajueiro-anão no começo do período chuvoso, atingindo seu ponto máximo ao término deste período, que, no litoral nordestino, corresponde aos meses de maio e junho. Esses dados sugerem a marcante importância da umidade neste processo.

Nenhuma medida prática de controle do mofo-preto tem sido efetivamente empregada em pomares comerciais. Entretanto, com a expansão da área cultivada com cajueiro-anão, notadamente mais sensível, têm-se observado sucessivas ocorrências desta doença, mostrando a necessidade urgente de medidas de controle. O controle químico com fungicidas foi testado com eficiência com os produtos oxicloreto de cobre e carbendazim, quando aplicados antes do início da estação chuvosa.

Clones de cajueiro-anão com elevados índices de resistência em campo foram selecionados, sinalizando futuros lançamentos de clones com resistência.



       Figura 10. Mofo-preto do cajueiro 
     (Foto: J.E.Cardoso)


 


       Figura 11. Mofo-preto do cajueiro
     (Foto: J.E.Cardoso)


Oídio (
Oidium anacardii Noack)


Apesar de o oídio do cajueiro ocorrer em todas as regiões produtoras, os seus efeitos econômicos ainda são irrelevantes, em razão dos pequenos prejuízos decorrentes da sua incidência. Esta doença, no entanto, assume importância marcante nos países africanos, sendo considerada a principal doença do cajueiro em alguns países daquele continente. Recentemente, tem-se observado uma crescente incidência de oídio em ramos e inflorescências jovens em pomares comerciais de cajueiro comum no Ceará e no Piauí, prenunciando futuros problemas, a exemplo dos países africanos.

O cajueiro é o único hospedeiro de O. anacardii de que se tem registro. Os primeiros sintomas do oídio são manchas escuras nas folhas, que lembram manchas de cinza vegetal, em geral, em torno da nervura principal. As manchas são mais frequentes na face superior das folhas. Essas manchas vão-se unindo e recobrindo toda a superfície do limbo, como um revestimento de polvilho branco-acinzentado. A evolução do crescimento do fungo propicia o escurecimento das manchas.

Nas inflorescências, a colonização do fungo provoca a queima das flores, sendo as manchas, igualmente, branco-acinzentadas e, às vezes, escuras. Queda prematura de folhas e inflorescências é comum.

O efeito dos danos causados pelo oídio à produção não tem sido estudado ainda nas condições brasileiras. Entretanto, observações feitas na Tanzânia atribuem perdas de 50% a 70% da produção causadas por esta doença. Nestas condições, os fatores climáticos mais favoráveis ocorrem nos meses de junho a julho.

A prática mais comum usada para o controle do oídio é a pulverização ou o polvilhamento com enxofre elementar.



      Figura 12. Sintomas de oídio em folhas jovens
     (Foto: J.E.Cardoso)


 


       Figura 13. Sintomas de oídio em folhas maduras
     (Foto: J.E.Cardoso)


Mancha-Angular (Septoria anacardii Freire)


Essa doença vem crescendo de importância, em razão de sucessivas epidemias observadas em viveiros e em alguns pomares no Ceará e no Piauí, nos últimos anos.

A mancha-angular é causada pelo fungo Septoria anacardii Freire, recentemente descrito e, até o presente, somente foi detectada em cajueiro.

Os sintomas são limitados às folhas. Apresentam-se, inicialmente, como pequenas manchas visíveis de 1mm a 2mm de diâmetro, com um halo estreito, marrom-escuro a claro, tendendo para bege, com o centro amarelado, visto de ambos os lados da folha. As veias limitam a extensão das lesões, fato que empresta o nome mancha-angular à enfermidade. Em folhas jovens de plântulas, as manchas atingem até 4mm de diâmetro, eventualmente, unindo-se para formarem extensas áreas necrosadas. A ocorrência de desfolha prematura é comum, dependendo da variedade do cajueiro e da severidade de ataque.

A mancha-angular ocorre durante todo o ano, fato que assegura ao fungo sobrevivência contínua no próprio hospedeiro vivo. Os maiores índices de severidade no campo são verificados nos meses de abril a junho, que coincidem com o período de mais chuva. Aparentemente, a mancha-angular não depende mais de fatores climáticos do que outras doenças do cajueiro, como antracnose, mofo-preto e oídio.

Nenhuma medida de controle é assinalada para mancha-angular, em razão de sua pouca importância econômica. Em viveiro, os métodos descritos para o controle da antracnose são suficientes para evitar que a doença atinja proporções maiores nas mudas.

 


       Figura 14. Sintomas de Mancha-angular
      (Foto: J.E.Cardoso)


 


      Figura 15. Sintomas de Mancha angular
     (Foto: J.E.Cardoso)


 


       Figura 16. Sintomas de Mancha angular
     (Foto: J.E.Cardoso)


Bacteriose do cajueiro (Xanthomonas campestris pv. mangiferaeindicae)

Uma nova doença vem ocorrendo no cajueiro desde meados de 2003. As primeiras observações foram efetuadas em clones de CAC 35 na Fazenda Planalto, em Pio IX, estado do Piauí. No ano seguinte, foi verificada a ocorrência de sintomas semelhantes em mudas do clone CCP 076 no viveiro da Estação Experimental da Embrapa Agroindústria Tropical em Pacajus (CE). Posteriormente, soube-se que essas mudas haviam sido preparadas a partir de porta-enxertos oriundos da Fazenda Planalto. E, em 2005, o Laboratório de Fitopatologia da Embrapa Agroindústria Tropical recebeu folhas de cajueiro, oriundas de Minas Gerais, com sintomas típicos da bacteriose.

A doença é causada por uma bactéria já conhecida dos produtores de manga, a Xanthomonas campestris pv. mangiferaeindicae. Essa bactéria foi relatada pela primeira vez no estado do Ceará causando manchas em folhas de mangueira.

Ainda não se tem noção dos danos ocasionados por essa doença. Entretanto, relatos de produtores do estado do Ceará revelam que a bactéria é capaz de causar graves perdas pois, além das lesões nas folhas, afeta diretamente a castanha. Os sintomas que caracterizam a doença são grandes manchas nas castanhas verdes que, depois, tornam-se escuras. Nas folhas, as manchas têm a coloração marrom escura, quase preta, e se desenvolvem ao longo da nervura central, espalhando-se um pouco. Em algumas folhas, essas manchas ficam apenas nervura principal. Porém, podem desenvolver e se distribuírem para as nervuras secundárias. No limbo, as manchas são angulares e de coloração marrom-escura e, em geral, se situam próximas a uma nervura.

Informações fornecidas por produtores têm mostrado que a poda de limpeza, seguida de pulverizações semanais nas folhas com oxitetraciclina alternada com oxicloreto de cobre têm dado uma excelente resposta para o problema.


         Figura 17. Sintomas de bacteriose
         (Foto: J.E.Cardoso)


         Figura 18. Sintomas de bacteriose
         (Foto: J.E.Cardoso)

 


 Figura 19. Sintomas de bacteriose
(Foto: J.E.Cardoso)


Deterioração Fúngica de Amêndoas

Cerca de 10% da produção anual de castanhas é de amêndoas inadequadas ao processamento industrial e ao consumo humano, em decorrência do ataque de insetos e, na sua maioria, de fungos. O isolamento e a identificação da microflora das amêndoas de castanhas revelaram a existência de 64 espécies de fungos associados a amêndoas trazidas dos estados da Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. O problema envolve tanto o aspecto industrial, no que diz respeito ao armazenamento, como o agronômico, no que se refere ao manejo do pomar.

Medidas de pré-colheita e de armazenamento devem, portanto, ser feitas para a redução destas perdas. As medidas de pré-colheita identificam-se com aquelas já referidas anteriormente, quando tratadas de maneira separada as doenças pelos seus agentes de doenças. Os métodos de armazenamento considerados adequados para sementes são aqueles que estabelecem condições de umidade e temperatura baixa aliada a uma boa aeração. Atualmente, a Embrapa Agroindústria Tropical estuda métodos alternativos para a redução da taxa de fungos nas amêndoas armazenadas.

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