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ÁRVORE DO CONHECIMENTO Arroz      Equipe editorial Ajuda

Fertilização do solo

Autor(es): Nand Kumar Fageria ; Morel Pereira Barbosa Filho ; Flavia Aparecida de Alcantara

 

 

Uma agricultura sustentável exige o uso de fertilizantes e corretivos em quantidades adequadas, a fim de atender a critérios racionais que permitam conciliar o resultado econômico positivo com a preservação dos recursos naturais com a expressão máxima do potencial produtivo das culturas. No caso do arroz irrigado, a correção da fertilidade dos solos é um dos fatores que mais contribuem para o aumento da produtividade. A adubação participa significativamente do custo de produção da lavoura. Nessa situação, o uso racional da adubação é fundamental para aumentar a eficiência de recuperação e a produtividade da cultura, bem como, para diminuir o custo de produção e os riscos de poluição ambiental. A prática da adubação depende de fatores agronômicos, econômicos e ambientais, de forma a conciliar maior eficiência dos fertilizantes, maior renda líquida ao produtor e menor risco de impacto ambiental. Uma recomendação de adubação que atenda a esses princípios deve ser fundamentada nos seguintes aspectos: 

  1. Em resultados de análises de solo complementados pela análise de planta.
  2. Em uma análise do histórico da área inclusive o sistema de cultivo, pressão de doenças e plantas daninhas.
  3. No conhecimento agronômico da cultura.
  4. No comportamento da cultivar.
  5. No comportamento dos fertilizantes no solo.
  6. Na disponibilidade de capital do agricultor para aquisição de fertilizantes.
  7. Na expectativa de produtividade e
  8. Na análise econômica.
Adubação nitrogenada

A deficiência de nitrogênio (N) é a que mais limita a produtividade do arroz irrigado. A eficiência de recuperação de N pelo arroz inundado situa-se de 30 a 40%, em solos de várzea (Tabela 1). A maior parte do nitrogênio é perdida no sistema solo-planta por lixiviação, denitrificação, volatolização e erosão do solo. O conhecimento de alguns aspectos, como fonte, dose, época e modo de aplicação do N, é fundamental, quando se deseja aumentar as eficiências agronômicas e de utilização do nitrogênio. Ademais, todos os fatores que influenciam o crescimento e o desenvolvimento da planta de arroz contribuem para a obtenção de maior eficiência da adubação nitrogenada.

Tabela 1. Eficiência do uso de N por genótipos de arroz irrigado. Os valores são médias de quatro doses de N.
 Genótipo
 EA (kg kg-1)

  EF (kg kg-1)
  EAF (kg kg-1)
ER (%)
CNAi 8886 23 105 56 37
CNAi 8569 17 188 69 29
BRSGO Guará
 21 222 123 29
BRS Jaburu 16 114 64 26
BRS Biguá
 19
 145
 74
 23
Média
 19
 155
 77
 29
EA = Eficiência agronômica, EF = Eficiência fisiológica, EAF = Eficiência agrofisiológica e ER = Eficiência de recuperação.

Adubação de plantio

 A aplicação de N no plantio pode ser feita no sulco ou a lanço, com posterior incorporação. A aplicação a lanço sem incorporação pode resultar em maiores perdas de N por desnitrificação devido às transformações químicas que esse elemento sofre no solo. Assim, a regra básica é colocar o nitrogênio na camada redutora do solo.

Como medida preventiva do aparecimento da deficiência de nitrogênio, a recomendação de adubação do arroz irrigado é a aplicação de parte do N no sulco, junto ao fósforo e potássio, por ocasião da semeadura a uma profundidade de 5-10 cm abaixo ou ao lado das sementes e parte em cobertura.

Adubação de cobertura

Em arroz irrigado, o N em cobertura pode ser aplicado imediatamente antes do início da inundação ou diretamente sobre a lâmina de água. A aplicação a lanço sobre a lâmina sem movimento é a mais eficiente, desde que não haja renovação da água após a aplicação de N.

Dose

Ainda não existe um método laboratorial de rotina que permita avaliar satisfatoriamente a capacidade do solo em fornecer N às plantas e que permita fazer recomendações, dada a complexidade e as interações entre os processos de transformação desse nutriente no solo e as condições climáticas. Para se fazer recomendação de N é determinada a curva de resposta da planta às doses.

A produtividade de grãos de arroz irrigado no Estado do Tocantins aumenta à medida que aumenta as doses de N até o máximo de 200 kg/ha (Figura 1). Considerando 90% da produtividade máxima como critério de recomendação, a dose de N varia de 90 a 120 kg/ha, dependendo do teor de matéria orgânica do solo, das condições climáticas, da qualidade e quantidade dos resíduos vegetais presentes na superfície do solo.

 
Resposta do arroz irrigado à aplicação de nitrogênio1
Figura 1. Resposta do arroz irrigado à aplicação de nitrogênio (média de 12 genótipos)

Fonte

Em geral, o sulfato de amônio e a ureia são considerados as fontes mais vantajosas economicamente para as culturas, não havendo, na maioria dos casos, diferenças entre elas. Para o arroz inundado, pela característica de redução do solo, não ocorre o risco de nitrificação e, consequentemente, não há perdas por lixiviação ou volatilização como ocorre em condições de terras altas.
 
Na Tabela 1  em Fertilizantes, em Insumos, na Pré-produção  encontram-se as características das principais fontes de fertilizantes nitrogenados.

Época de aplicação

O arroz absorve N durante todo o seu ciclo, porém há dois estádios de desenvolvimento críticos: o perfilhamento e a diferenciação do primórdio floral. Com isso, para maior eficiência de absorção e utilização do N, as recomendações são no sentido de se aplicar o N próximo dessas ocorrências.

A aplicação de N em cobertura constitui uma prática de manejo muito eficiente, porém é necessário que seja aplicado nas épocas de maior exigência pelas plantas.

Na região tropical, as maiores produtividades de grãos de arroz irrigado são obtidas quando o N é aplicado em duas coberturas, ou seja, metade da dose recomendada no perfilhamento ativo, aproximadamente 45 dias após a emergência das plântulas (DAE) e a outra metade na diferenciação do primórdio floral, aproximadamente aos 65 DAE. Ressalta-se que a aplicação tardia dessa última cobertura pode favorecer a severidade de brusone nas panículas.

Deve-se ressaltar que maiores quantidades de N na semeadura podem favorecer a severidade de brusone nas folhas. Nesse caso, recomenda-se o tratamento de sementes das cultivares suscetíveis com fungicidas específicos.

 Genótipos

 

Existe diferença significativa entre genótipos na absorção e uso de nitrogênio. Acham-se na Figura 2 as respostas de cinco genótipos de arroz irrigado à aplicação de N. Três genótipos apresentaram respostas lineares à aplicação de N na faixa de 0 a 200 kg/ha e dois respostas quadráticas.

 
 Resposta de genótipos de arroz irrigado à aplicação de nitrogênio

Figura 2. Resposta de genótipos de arroz irrigado à aplicação de nitrogênio.

 

Adubação fosfatada

O fósforo (P) é depois do nitrogênio o nutriente mais limitante nos solos para a produção de arroz irrigado na região tropical. Em solos deficientes em P, observa-se menor numero de perfilhos e de panículas por planta e baixa produtividade de grãos de arroz.

Uma modificação importante que ocorre nos solos inundados é o aumento da disponibilidade de fósforo. Esse aumento, embora não seja igual para todos os solos, tem uma importância prática muito grande para a cultura do arroz irrigado. Por isso, a resposta do arroz irrigado à aplicação de fósforo tem sido menos frequente e com menor intensidade do que a do arroz de terras altas.

Doses

As recomendações de P são feitas com base em curvas de calibração elaboradas para cada região.  Com essas curvas são elaboradas tabelas de P para a adubação de manutenção das culturas. Para o arroz irrigado, as quantidades variam de 50 a 150 kg/ha de P2O5, dependendo do teor de fósforo “disponível” revelado pela analise química do solo.

Fonte

O superfosfato triplo, simples e de amônio, MAP e DAP, são excelentes fontes de P para a cultura de arroz, na adubação de manutenção. Encontram-se na Tabela 2, em Fertilizantes, em Insumos, na Pré-produção, as principais características dos fertilizantes fosfatados.

No caso do arroz irrigado, onde o solo permanece submerso durante todo o ciclo da cultura, existe pequena diferença de resposta às fontes de P.

Época de aplicação

A aplicação de fósforo deve ser concentrada na linha de semeadura e a dose não deve ser parcelada, pois suas perdas por lixiviação são muito baixas.

Genótipos

Respostas de genótipos de arroz irrigado à aplicação de P são apresentadas na Figura 3. Todos os genótipos responderam de maneira significativa e quadrática à aplicação de P na faixa de 0 a 200 kg ha-1 de P2O5. A dose de fósforo necessária para a produtividade máxima de grãos variou de 109 a 138 kg ha-1 de P2O5, variando de genótipo para genótipo, com média de 124 kg ha-1 de P2O5. A cultivar BRS Jaçanã apresentou a maior produtividade de grãos e o genótipo CNAi 8569 a menor. Os genótipos variaram no uso do P, determinado na forma de eficiência agronômica (Figura 4). O genótipo BRS Jaçanã apresentou a maior eficiência de uso de P, 129 kg por kg de P aplicado, e o CNAi 8569 a menor, 74 kg por kg de P. Na média, os 12 genótipos produziram 101 kg de grãos por kg de P aplicado.

Relação entre fósforo aplicado e produtividade de grãos de 12 genótipos de arroz.


Figura 3. Relação entre fósforo aplicado e produtividade de grãos de 12 genótipos de arroz. Os valores são médias de dois anos
 
Eficiência do uso de fósforo pelos genótipos de arroz irrigado

Figura 4. Eficiência do uso de fósforo pelos genótipos de arroz irrigado.
 

Adubação potássica

Apesar de o potássio (K) ser o nutriente mais absorvido pela planta de arroz, não se tem verificado resposta à aplicação desse nutriente com tanta freqüência como para o N e o P. As razões para que isso ocorra são mais fortes no caso do arroz irrigado por inundação continua em que há adição de potássio pela água de irrigação e aumento natural da disponibilidade de K, devido ao deslocamento desse elemento do complexo de troca para a solução do solo, pelos íons Fe+2, NH4+ e Mn+2.

Outra explicação para a baixa resposta da cultura do arroz às aplicações de K é o fato de que 80 a 90% do potássio absorvido são acumulados na palha, que acaba retornando ao solo por meio da incorporação dos restos culturais. Há situações, entretanto, em que se pode observar uma redução no teor de K disponível, como no caso de solos com baixa capacidade de suprimento ou de baixa CTC, após alguns cultivos de altas produtividades. Com isso, as reservas de K do solo podem não ser suficientes para manter, por muito tempo, altas produtividades. Nessas condições, o K deve ser reposto ao solo por meio de adubações mais equilibradas.  

Doses

Como no caso do P, as doses de potássio são recomendadas com base na análise química do solo. Em geral, a dose varia de 30 a 90 kg/ha de K2O.

Fonte

O cloreto de potássio (KCl), com 60% de K2O e 45% de Cl, fornece cerca de 95% do total de K aplicado nas plantas cultivadas, no Brasil. O sulfato de potássio, com 52% de K2O e 18% de S, também pode ser usado, especialmente, onde houver deficiência de enxofre. Na Tabela 3 as principais características dos fertilizantes potássicos em Fertilizantes, em Insumos, em Pré-produção.

Época e método de aplicação

A recomendação é aplicar o K por ocasião da semeadura, juntamente com P e parte do N. Entretanto, em solos arenosos, com drenagem excessiva e baixa CTC, pode ocorrer perdas de K por lixiviação, pelo fato de esse elemento não sofrer fixação no solo.

Os métodos de aplicação mais usados no Brasil são no sulco e a lanço. No sulco, o fertilizante deve ser localizado a uma distância de pelo menos cinco centímetros das sementes para evitar dano às plântulas. A adubação no sulco deve ser preferida quando são aplicadas menores doses de K, e a lanço, para maiores doses, acima de 90 kg ha-1 de K2O. Para maiores produtividades em solos com baixa CTC, pode-se parcelar a adubação de cobertura.  

Aplicação de micronutrientes

Na maioria das vezes, os produtos aplicados não trazem os resultados pelo simples fato de o solo não apresentar deficiências, o que só pode ser comprovado pela análise do solo.

No cultivo do arroz irrigado, não se tem notícias da ocorrência de deficiência de micronutrientes, a não ser de zinco (Zn) em condições muito especificas, que no caso de ocorrência de deficiência pode ser facilmente corrigida com a aplicação de 3 a 5 kg ha-1 de Zn em solos arenosos e 10 a 12 kg ha-1 de Zn em solos argilosos. A razão para que não ocorra resposta do arroz irrigado às aplicações de micronutrientes é que com a inundação do solo ocorre aumento da disponibilidade desses nutrientes na solução do solo, no processo de redução dos minerais em condições anaeróbicas.

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