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Mercado, comercialização e consumo

Autor(es): Osmira Fátima da Silva ; Alcido Elenor Wander ; Carlos Magri Ferreira

O arroz, o trigo e o milho são os principais cereais produzidos no mundo. O arroz é cultivado nos cinco continentes, tanto na região tropical como na subtropical. A Ásia é a principal produtora, nela concentram-se mais de 80% da produção mundial. Os países que se destacam são: China, Índia e Indonésia. O arroz faz parte da dieta alimentar de grande parte da população mundial.
 

Na Figura 1 encontram-se os principais países produtores. A China e a Indonésia exercem grande influência no comportamento do mercado mundial, visto que são grandes produtores e possuem alto nível populacional. Assim, em anos com produção deficitária, são obrigados a importar arroz e, em anos de excedentes, se tornam fornecedores do produto. Dessa forma, os preços de arroz no mercado mundial têm uma estreita relação com a produção desses países.
 

Figura 1. Principais países produtores de arroz em 2006.
Fonte: Adaptada de FAO (2008).

Existem dois grandes mercados de arroz no mundo. O mercado de alto padrão e o mercado de baixo padrão. As diferenças de padrões são definidas basicamente pelo percentual de quebrado. Nas cotações de preços internacionais somente se distinguem as seguintes características: país de origem, percentual de arroz quebrado, aromático ou não aromático, parboilizado ou branco.

A quantidade total e per capita consumida é bastante variada. Além das diferenças quantitativas, as preferências dos consumidores também variam qualitativamente (Figura 2 ). No continente asiático, consome-se arroz de todo tipo, ou seja, semi-longo, longo-fino e curto. Nos países da África, a preferência é pelo arroz do tipo longo, pré-cozido e 100% quebrado. O mercado mais promissor na Europa é para o arroz do tipo longo-fino e aromático. No Oriente Médio, consome-se principalmente arroz do tipo longo e aromático. As preferências do tipo do arroz variam em função da renda per capita dos países. A preferência pode também mudar nos mercados internos, pois a exemplo do que ocorreu no Brasil, também sucedeu nos países da União Européia, onde os consumidores substituíram a preferência do arroz do tipo longo, japonica, pelo longo-fino, indica. Em ambos os casos, a mudança ocorreu num curto espaço de tempo, nos anos 70 e 80. Nos últimos 10 anos, o arroz aromático também conquistou novos consumidores no mercado europeu. Atualmente, representa quase 25% do consumo de arroz na França.


Figura 2. Preferência do arroz.
Fonte: Adaptada de FAO (2009).

O mercado de arroz de alto padrão, com menos de 10% de quebrado, é dominado, principalmente, pela Tailândia e Estados Unidos. Eles têm, respectivamente, 25% e 20% do mercado. O Vietnã, que a partir do último decênio torno-se novo exportador, já conquistou 18% do mercado. Os principais clientes são regiões com alta renda, como a Europa ocidental, os países do Oriente Médio e os novos países industriais do Extremo Oriente, Coréia do Sul, Malásia, Singapura e Taiwan.

O mercado de baixo padrão, que comercializa produto com até 100% de quebrado, é controlado pelos exportadores asiáticos, Tailândia, Vietnã, Paquistão, Índia e China. O arroz quebrado, como subproduto no processo industrial é misturado com arroz inteiro, em proporções variáveis, para obter os tipos de arroz procurados pelos países importadores de baixa renda, principalmente da África, Ásia e América Latina.

Paralelo com esses dois grandes mercados, existem alguns mercados emergentes, por exemplo, para o arroz aromático, tipo Basmati. Nesse caso, os mercados da Europa e do Oriente Médio se mostram promissores. Existem também outros nichos de mercados mais marginais, como arroz gluante, limitado basicamente ao Extremo Sul Asiático.

Nos últimos anos os estoques de arroz têm diminuído. Esse fator aliado a outras questões conjunturais provocaram fortes variações nos preços internacionais do arroz. A perspectiva à médio prazo é que se mantenham altos.

O consumo de arroz teve um forte progresso a partir da década de 80. Os padrões de consumo podem ser classificados em três grandes modelos. O modelo asiático que corresponde a um consumo médio per capita superior a 100 kg ao ano. Nesse grupo, há países em que o consumo alcança até 200 kg ao ano (Figura 3). Um exemplo desse grupo é a China, que apresenta um consumo anual médio de 110 kg per capita. O modelo subtropical apresenta um consumo per capita médio, que varia de 35 a 65 kg ao ano. O Brasil é um país representativo desse grupo, cujo consumo médio gira em torno de 45 kg ao ano de arroz beneficiado. No modelo ocidental, o consumo per capita médio é baixo, cerca de 10 kg ao ano. Como exemplo desse grupo pode-se citar a França, com um consumo per capita de 5 kg ao ano.


Figura 3. Consumo per capita de arroz.
Fonte: Adaptada de Ferreira et al. (2005).
 
O mercado mundial do arroz apresenta singularidade em relação aos mercados de commodities. A oferta de arroz é dominada por poucos países e a estrutura do mercado é bastante estreita, com somente 5% da produção transacionada no comércio mundial; enquanto a soja apresenta quase 25% e o trigo 20%. Além disso, os maiores países produtores, nem sempre são os principais países exportadores, de fato eles produzem principalmente para os seus mercados domésticos e exportam só os excedentes. A consequência disso é a grande instabilidade nos fluxos do comércio e dos preços mundiais, que dependem da evolução e flutuação da produção nos países mais deficitários da Ásia. Os principais exportadores de arroz são Tailândia, Vietnã, Estados Unidos e Paquistão. Na Figura 4 observam-se os principais fluxos e comercialização de arroz no mundo.



Figura 4. Principais fluxos e comercialização de arroz no mundo.
Fonte: Adaptada de FAO (2008).

No Brasil, apesar da pulverização da produção, pode-se dividir a produção de arroz  em três pólos: o primeiro é a Região Sul, com destaque para o Estado do Rio Grande do Sul o segundo é a região Central, abrangendo os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e o terceiro pólo, o Estado do Maranhão. Encontra-se na Figura 5 produção de arroz nas microrregiões no Brasil, em 2006.


Figura 5. Produção de arroz nas microrregiões no Brasil em 2006.
OBS: os círculos representam a produção proporcional da microrregião.
Fonte: Adaptada de IBGE (2008).
 
A partir de dados de produção de arroz em 2007, da estimativa de população e de um consumo médio de 41 kg/habitante/ano de arroz polido, conclui-se que no Brasil existem cinco estados - Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Tocantins e Piauí - em que a produção de arroz é maior do que a demanda. Doze estados são deficitários, com destaque para os da Região Sudeste - São Paulo, Minas Gerais e Rio do de janeiro - que são populosos e principais importadores (Figura 6 ). De acordo com as Figuras 5 e 6, pode-se concluir que os principais fluxos de comercialização de arroz são originados nos estados superavitários para as outras regiões.
 

Figura 6. Caracterização dos estados brasileiros quanto ao abastecimento e produção de arroz.
Fonte: Adaptada de IBGE (2008).
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