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Sistematização do solo

Autor(es): Araldo P. Steindorff

A sistematização de solos de várzeas é feita quando se pretende empregar irrigação por inundação e, ou, por superfície, como por sulcos ou corrugação. Para isso, o terreno deve ser plano ou com pequeno desnível a fim de se obter uma lâmina de água uniforme em toda a lavoura.
A sistematização consiste em nivelar um determinado terreno a um nível tal que permita uma lâmina de água e, ou, apenas umidade uniforme de acordo com a exigência da cultura.
Deve-se evitar a confusão existente entre regularização e sistematização de um terreno. Regularização de um terreno consiste na uniformização da superfície de um terreno, mas não elimina a sua declividade natural; apenas há eliminação das irregularidades e ou pequenas ondulações naturais da superfície do solo. Sistematização consiste em alterar as cotas da declividade natural do terreno para uma cota previamente determinada pelo levantamento plano altimétrico.

Formas de sistematização

A sistematização pode ser feita de duas  formas:

a) Alteração do nível do terreno para uma cota média com declividade predeterminada.
b) Alteração do nível do terreno para uma cota uniforme ou plano em todo o tabuleiro; mais usada nas várzeas.

A sistematização com nível do solo em pequeno desnível é mais utilizada nos terrenos onde se pretende usar a irrigação por sulcos, ou seja, onde a água possa fluir sem causar erosão na susperfície.
A sistematização a nível zero ou plano em solos de várzeas é mais indicada para lavouras de arroz irrigado que exigem lâmina de água uniforme em todo tabuleiro ou módulo. Também é importante para a utilização do sistema de sub-irrigação, pois com o terreno plano, como acontece nas várzeas do rio Araguaia, com condutividade hidráulica alta, de 180 a 250 m por dia,  é possível manter a umidade ou franja capilar,  apenas na altura do sistema radicular  das plantas pelo controle do lençol. No Projeto Luiz Alves do Araguaia, a sistematização é feita baseada nas curvas de nível, de tal forma que o desnível dentro do tabuleiro não ultrapassasse 15 cm e os cortes não atingem 50% do solo agrícola, ou seja,  7 cm em média.

Pode-se fazer uma comparação entre dois grandes projetos:

Na implantação do Projeto Formoso, em Formoso do Araguaia, no Tocantins, foi executada apenas uma regularização geral de área. Isso possibilitou em alguns módulos diferença interna de até 70 cm e, como consequência, grandes variações no desempenho da cultura e produtividades desuniformes.
No Projeto Luiz Alves do Araguaia, no município de São Miguel, em Goiás,  a sistematização é feita baseada nas curvas de nível, de tal forma que o desnível dentro do tabuleiro não ultrapassa 15 cm e os cortes não  atingissem 50 cm do solo agrícola, ou seja,  7 cm, em média.  Como consequência, normalmente se tem lâmina de água e desenvolvimento de cultura, uniformes dentro do tabuleiro.

Fatores a serem considerados

No estudo para a sistematização de uma área para empregar a irrigação por inundação, devem ser levados em conta os seguintes fatores:

a) Solo: Considerando as características do solo, como a textura, estrutura, profundidade, velocidade de infiltração, erodibilidade, pode-se projetar a sistematização para o manejo adequado da irrigação, sem alterar a fertilidade do solo, evitando-se os cortes profundos.  Nos solos de várzeas, como os do Vale do Araguaia, o teor de areia é vantajoso, pois devido a maior porosidade, permite a subirrigação da área com maior rapidez e alta eficiência. Os solos com alto teor de argila permite a sistematização em terras altas, mas normalmente dentro de curvas de nível para minimizar o movimento de terra;
b) Clima: A sistematização deve ser feita sempre no período seco, como ocorre na Região Centro-Oeste. No período chuvoso, deve ser evitada, a não ser quando se emprega o sistema Fangueo, ou seja, sistematização na lama;
c) Topografia: A sistematização é mais indicada para áreas naturalmente planas, ou seja,  para remover as pequenas ondulações  da superfície do terreno onde o  movimento de terra é economicamente viável e abaixo de 250 m³ por hectare. Para terrenos mais acidentados, há estudos que recomendam movimento de terra de até 1000 m³ por hectare. Não se recomenda a sistematização de terrenos irregulares, com depressões e, ou, elevações, que necessitam de grande movimento de terra; devem ser deixados como “áreas de escape”;
d) Declividade: No vale do Araguaia, várzeas com declive em torno de 0,15 m por 1.000 m possibilitam o cultivo do arroz irrigado por inundação, no período chuvoso, e de culturas, como soja, milho, melancia, abóbora, melão, feijoeiro, no período seco, com manejo da água pelo controle do lençol freático, subirrigação.
Estudo preliminar
 
Para iniciar a sistematização de uma área são necessários alguns trabalhos preliminares, como:
a)  Levantamento plano altimétrico do terreno: Mediante o levantamento é possível conhecer a superfície do terreno, bem como os pontos de captação da água  e de drenagem final. Para isso, demarca-se toda a área com piquetes que podem espaçados de 10 m a 100 m. As malhas menores, de 10 x 10 m, devem ser usadas em terrenos com topografia mais acidentada, ou seja, com maior declive. Os piquetes devem ser numerados em sequência para uma possível revisão, localização e nivelamento de cada piquete;
b) Cálculo das cotas dos piquetes: No escritório, de posse dos dados de campo, faz-se o cálculo das cotas do terreno;
c) Confecção do mapa:  Com as cotas no espaçamento usado nos piquetes, em escala adequada, procede-se o traçado das curvas de nível;
d) Traçado da infra-estrutura do projeto: Com base no traçado das curvas de nível no mapa, são determinados os canais e estradas e delimitados os tabuleiros ou módulos considerando os critérios técnico-econômicos de movimento de terra.  O espaçamento entre canais é baseado no levantamento de solo, condutividade hidráulica e também na distância entre estradas para facilitar a colheita e escoamento da produção, assim como na rapidez para se efetuar a irrigação e, ou, a drenagem. Os cortes de solo não devem ultrapassar  a camada do solo agrícola.
Métodos de sistematização

A sistematização do terreno pode ser feita por três métodos:
a) Estaqueamento: um método mais antigo, no qual são demarcadas as estacas as alturas de corte, empregando-se, por exemplo, tinta vermelha, e as estacas onde haverá aterro, com tinta branca. A seguir, com auxilio de trator de esteiras e, ou, motoniveladora efetua-se a movimentação da terra. O calculo do volume de corte é baseado na cota média ou centróide, plano único ou quadrados mínimos. A média de corte deve ser igual à de aterro;
b) Raio laser: um método moderno e mais rápido para proceder a sistematização. É de grande eficiência, porém exige grande experiência dos operadores. Possibilita sistematizar  até 25 hectares por dia, para um terreno com declives em torno de 0,15 a 0,25 metro por quilometro e tabuleiros em torno de 8 hectares (Figura 1).É determinado em cada tabuleiro o local da centróide, ou seja, o nível médio do tabuleiro, e demarcada  a linha imaginária de corte e aterro. A seguir, o sistema informa as áreas de corte e aterro. Consiste em uma torre  que pode estar no centro da área ou em uma lateral, com equipamento de raio laser acoplado no topo (Figura 2) onde será registrada  a cota média  da área, a qual será a cota  final do terreno, após sistematizado. Os equipamentos, como motoniveladora, trator de esteiras ou scraper terão torre com  acessórios adaptados com as lâminas de corte e de captação eletrônica com a torre central, que comandará os equipamentos para cortar ou aterrar. As máquinas mais pesadas e de maior rendimento fazem o trabalho de arraste de terra, cujo movimento de terra é de 5 a 25 cm de profundidade (Figura 3). O scraper um pouco menor e de maior sensibilidade faz o trabalho final de nivelamento, de 0 a 5 cm (Figura 4);
 

Fig. 1. Sistematização do solo por Raio Laser.
Foto: Araldo Pedro Steindorff
 
Fig. 2. Comando central do raio laser.
Foto: Araldo Pedro Steindorff
 
Fig. 3. Trator com scraper com menor sensibilidade.
Foto: Araldo Pedro Steindorff

Fig. 4.  Trator com scraper com maior sensibilidade para nivelamento final
Foto: Araldo Pedro Steindorff
c) Preparo do solo inundado:
É um sistema de nivelamento usado em alguns locais em Santa Catarina. A sistematização na lama, ou seja, os tabuleiros normalmente são menores, em torno de um a dois hectares, onde o solo é arado a uma profundidade aproximada da necessidade para nivelar. Com a movimentação de um trator, traciona-se pranchas para arrastar a lama para os pontos mais baixos, até o seu nivelamento completo. É um trabalho altamente eficiente.

                        
Preparo do solo para a sistematização

Para efetuar a sistematização de um terreno é necessário uma sequência das seguintes operações:
a) Aração profunda de 20 a 25 cm com grade aradora. É usada para a abertura de área, onde é necessário um corte para soltar o solo e raízes até a profundidade necessária nas áreas de corte e assim permitir melhor ação de arraste dos equipamentos de sistematização;
b) Gradagem com grade niveladora. É usada para quebrar os torrões e uniformizar a superfície do terreno e favorecer a ação do Raio Laser, principalmente os receptores dos equipamentos;
c) Macrosistematização.
Essa operação é iniciada após o preparo do solo e consiste no arraste do solo da camada de 5 a 25 cm de profundidade. É o serviço mais pesado da sistematização. Com esse serviço concluído cerca de  90 a 95 % do volume de solo estará removido para as partes baixas do tabuleiro;
d) Aração a profundidade média de 10 a 12 cm. A seguir, a área será novamente gradeada apenas com grade niveladora para soltar o solo para o acabamento final;
e)  Microsistematização. É a operação que exige maior sensibilidade. Consiste no arraste de terra de 0 a 5 cm em forma de acabamento final, tanto da área de corte como na área de aterro. Emprega-se motoniveladora ou scraper com controle mais apurado;
f) Gradagem final, com grade niveladora. Após  concluída a sistematização, a área pode ser gradeada para plantio imediato.

Recomenda-se a cada dois ciclos de cultivo proceder a uma nova microsistematização da área para eliminar as ondulações que se formam com as movimentações de máquinas na área.
O nível geral da área dificilmente sofrerá alterações com os sucessivos cultivos.
A sistematização deve ser executada preferencialmente no período seco, de junho a outubro. Nessa época, esse serviço rende até 25 hectares por dia, mas depende da experiência dos operadores. No sistema de estaqueamento o rendimento é de apenas dois a cinco hectares por dia e, no Fangueo, é menor ainda.

Vantagens da sistematização
A sistematização apresenta as seguintes vantagens:
  • Preparo de solo mais rápido e uniforme;
  • Maior eficiência no plantio e nos tratos culturais;
  • Diminuição do consumo de água em até 50%;
  • Lâmina de água uniforme;
  • Umidade uniforme quando se emprega a subirrigação;
  • Menor ocorrência de plantas daninhas e brusone e redução do uso de defensivos;
  • Desenvolvimento uniforme das plantas; e
  • Produtividades maiores e de melhor qualidade.
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