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ÁRVORE DO CONHECIMENTO Arroz      Equipe editorial Ajuda

Manejo do solo e sistema de plantio

Autor(es): Algenor da Silva Gomes ; José Alberto Petrini ; Francisco de Jesus Vernetti Jr

Na região subtropical, o arroz irrigado é cultivado em cinco sistemas: convencional (SC), cultivo mínimo (CM), plantio direto (PD), pré-germinado (PG) e transplante de mudas (TM). Nos três primeiros sistemas, o arroz é semeado em solo seco, enquanto que nos outros, a semeadura e o transplante de mudas ocorrem em solo submerso. O manejo do solo requerido para cada sistema apresenta características próprias. No Estado do Rio Grande do Sul, a área cultivada com cada um desses sistemas corresponde a aproximadamente 38% no SC, 47% no CM, 12% no PD e 4% no PG, enquanto que em Santa Catarina, 95% com o sistema PG e 5,0% com o SC. Já no Estado do Paraná, onde o arroz irrigado é menos expressivo, são cultivados em torno de 20 mil ha, com predominância do SC.

Sistema convencional (SC)

No SC, o manejo do solo envolve três etapas: preparos primário e secundário do solo; semeadura do arroz a lanço ou em linha, com semeadoras convencionais, ou de plantio direto e o estabelecimento de lâmina de água sobre o solo a partir de 15 dias após 50% da emergência das plântulas das cultivares de ciclo curto e até 30 dias após, para as cultivares de ciclos médio e longo. É recomendado que o preparo da área ocorra no verão.
Quando o preparo é realizado com o solo muito seco, o número de operações aumenta, o que acarreta maior custo. Por outro lado, em condições de excesso de umidade as operações podem causar danos à estrutura do solo.
A primeira atividade, que consiste no desmanche das taipas, pode ser realizada com a entaipadeira, grades, arados e/ou lâminas frontais. A seguir, é realizado o preparo primário, que consiste na eliminação e/ou enterrio da cobertura vegetal com grade aradora.
O preparo secundário do solo consiste no destorroamento, nivelamento do terreno, incorporação de herbicidas, se for o caso, e eliminação de plantas daninhas no início de seu desenvolvimento. Isso facilita a colocação da semente no solo, assim como a sua cobertura, que cria um ambiente favorável ao desenvolvimento inicial das plântulas. As grades de discos e as de dentes, juntamente com as plainas, são os implementos mais empregados no preparo secundário do solo.
Outro implemento usado no preparo do solo é a enxada rotativa, que realiza, em uma só operação, as duas etapas de lavração e gradagem. Devido à desintegração dos agregados do solo, não se recomenda o uso contínuo desse implemento.
A semeadura pode ser realizada a lanço com semeadoras/adubadoras conjugadas ou não, ou em linha, com semeadora/adubadora apropriadas, que coloca o adubo e a semente localizados.
Nesse sistema, alguns produtores usam rolo compactador que uniformiza a emergência das plântulas e plantas daninhas.

Sistemas plantio direto (PD) e cultivo mínimo (CM)

O PD e o CM têm como objetivo o controle do arroz-vermelho, a melhoria da capacidade produtiva do solo e a redução de custos na implantação da lavoura, além de favorecer a diversificação de culturas. No PD, com preparo de solo no verão, e CM, com preparo do solo na primavera, há revolvimento reduzido do solo.
No PD, o preparo do solo é realizado nos meses de janeiro a março, preparo de verão, e compreende uma aração, duas gradagens e aplainamento. Não existe a necessidade de desmanchar por completo os torrões, pois como a semeadura do arroz é realizada após alguns meses, essa tarefa é completada pelas chuvas de inverno. No CM, as operações de preparo do solo são semelhantes às realizadas no PD, diferem apenas na época de realização, que ocorrem do final do inverno ao início da primavera, de 60 a 45 dias antes da semeadura. O preparo do solo antecipado, tanto no CM como no PD, visa corrigir pequenas imperfeições de microrrelevo, preparar a superfície do solo para receber as sementes de arroz e estimular a germinação das sementes de plantas daninhas, como as de arroz-vermelho e preto, num período em que não concorrem com a cultura do arroz.
Quando o arroz irrigado é cultivado no sistema PD, em rotação com culturas como o milho e a soja, o preparo do solo é, muitas vezes, dispensado. Dessa forma, o sistema PD utilizado em áreas de várzea se assemelha àquele praticado em terras altas.
Após o preparo, é preferível que se faça o entaipamento com taipas de perfil suave e base larga, de 2,8 m de largura, e menor altura, de 0,2 a 0,4 m, de acordo com a declividade do terreno, do que com as taipas convencionais (Figuras 1 e 2).

  
Fig. 1. Perfis de taipas tradicional e com base
           larga e suave.
Fonte: Plantio (1993).
Fig. 2. Entaipadeira de base larga (moderna).
Foto: Algenor da Silva Gomes

No PD, após o preparo do solo, é aconselhável a implantação de uma forrageira de inverno, como o azevém que é a mais usada (Figura 3). Outras espécies, como aveia preta (Avena strigosa Schreb), trevo persa (Trifolium resupinatum L. cv. Kyambro), trevo branco (Trifolium repens L.) e lótus "El rincon" (Lotus subbiflorus Lag. cv. El Rincón) apresentam bom desempenho. Quando não houver interesse ou possibilidade de uma exploração racional da pecuária, a cobertura vegetal poderá ser composta pelas plantas que se estabelecerem naturalmente após o preparo do solo, denominada flora de sucessão.
No CM, a cobertura predominante é o arroz-daninho e o capim-arroz. Duas a três toneladas de matéria seca são suficientes para se implantar esses sistemas. Quantidades maiores dificultam a evaporação da água do solo, além de produzirem ácidos orgânicos em níveis tóxicos à germinação e emergência do arroz.
Na dessecação da cobertura vegetal devem ser empregados herbicidas sistêmicos de ação total. Como não possuem atividade no solo, possibilitam a semeadura de qualquer cultura na área tratada. Para que haja absorção suficiente dos produtos, a relação entre a parte aérea e o sistema radicular das plantas deve ser de pelo menos 1:1. Os herbicidas dessecantes mais empregados no PD e no CM são o glifosato e o sulfosato.
O estabelecimento de um estande adequado de plantas é importante para a obtenção de maiores produtividades. As plantas de arroz, notadamente as cultivares do tipo moderno, apresentam alta capacidade de perfilhamento e podem compensar um menor número de plantas por área. Por outro lado, uma alta população de plantas não garante maiores produtividades, pois nessa condição, embora o número de panículas possa ser maior, essas são constituídas por um número menor de espiguetas, com menor massa de grãos.
De modo geral, para os sistemas SC, PD e CM a densidade de semeadura adequada deve viabilizar uma população de 200 a 250 plantas de arroz por metro quadrado, uniformemente distribuídas. Para a definição da quantidade de sementes a ser empregada, deve-se considerar o clima, o solo, a cobertura vegetal e a cultivar. Para esses sistemas, recomenda-se o espaçamento de 17 cm entre linhas.


Fig. 3. Azevém em solo de arroz irrigado, com sistema de drenagem
          superficial implantado.
Foto: Algenor da Silva Gomes

Sistema de cultivo pré-germinado (PG)

O sistema PG consiste na distribuição a lanço de sementes, previamente germinadas em áreas sistematizadas e inundadas. É uma alternativa viável para áreas com alta infestação de arroz-vermelho. O sistema PG ocupa 95 e 10% da área total cultivada com arroz irrigado em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, respectivamente.
O sistema PG apresenta as seguintes vantagens: controle mais eficiente do arroz, daninho, arroz-vermelho e preto; menor dependência do clima para o preparo do solo e semeadura; menor consumo de água para irrigação; além de permitir o planejamento mais efetivo das atividades da lavoura.
No Rio Grande do Sul identificam-se algumas dificuldades para a adoção e expansão do sistema PG: a mão-de-obra carece de maior capacitação; maior custo inicial para a implantação da lavoura devido à sistematização do solo; em determinadas regiões ocorrem ataques de aves e moluscos no período de emergência das plântulas; falta de domínio no manejo da água e falta de cultivares adaptadas ao sistema.As operações a serem efetuadas para implantação do sistema consistem no nivelamento do solo com adequação dos sistemas de irrigação, drenagem e viário. Adotam-se quadros fixos com tamanho e forma adequados, regulares e, em geral, de pequenas dimensões, de um a dois hectares, separados por taipas permanentes e com irrigação e drenagem independentes. De acordo com a topografia podem ser estabelecidas áreas em curvas de nível.No sistema PG, recomenda-se sistematizar em nível, cota zero, ou próximo de zero, 0,02%, o que facilita a drenagem para a colheita do arroz e para o estabelecimento de rotação de culturas.

Preparo tradicional do solo no PG

O preparo é realizado com água, para formação de lama (Figura 4), nivelamento e alisamento do solo (Figura 5). Entretanto, proporciona maior consumo de água e desgaste de máquinas e equipamentos, o que exige manutenções regulares; bem como favorece a ocorrência de acamamento de plantas e o arraste de frações importantes do solo, colóides minerais e orgânicos, para fora da lavoura, o que propicia o empobrecimento desse. A primeira fase do preparo do solo visa trabalhar a camada superficial para a formação de lama em solo já inundado. Essa atividade envolve a operação com grade aradora em solo úmido, seguida de destorroamento sob inundação com enxada rotativa. A segunda fase compreende o renivelamento e o alisamento do terreno (Figura 6) por meio de pranchões de madeira, o que deixa a superfície em condições de receber a semente pré-germinada (Figura 7).


 
Fig. 4. Formação de lama para sistematização
          do solo.
Fig. 5. Sistematização e nivelamento do solo
          com água.
Foto: José Tomelin
Foto: José Tomelin

 
Fig. 6. Operação com pranchão alisador para
          acabamento do solo.
Fig. 7. Área com lâmina de água(5 a 7 cm) para
          procedimento da semeadura.
Foto: José Tronchoni Foto: José Tomelin

Preparo alternativo do solo no PG

No RS, é também adotado o preparo com solo seco (Figura 8), que proporciona maior rentabilidade e qualidade ambiental sem comprometer a produtividade. Nesse preparo, após o período de 20 a 30 dias de lâmina de água de 10 cm, realiza-se a semeadura sem a retirada da água, ou seja, uma lâmina de água de 5 a 7 cm é mantida até próximo à colheita, apenas repondo-a quando necessária (Figura 9 e 10 ) .

 


Fig. 8. Preparo em solo seco após o procedimento da sistematização
           pronto para inundação com Lâmina de água permanente(10 cm).

Foto: José A. Petrini
   
Fig. 9. Área com arroz na fase de emergência após
          s
emeadura em lâmina de água permanente
          (5 a 7 cm).
Fig. 10. Lavoura estabelecida no sistema pré-germinada
             com a semeadura efetuada sobre lâmina de
             água permanente (5 a 7 cm)
.
Foto: José A. Petrini
Foto: José A. Petrini

Procedimentos para o sistema PG

  • Para a pré-germinação, as sementes são acondicionadas em embalagens de polietileno trançado e imersas em água por 24 horas. Após a hidratação, as sementes são colocadas à sombra por 24 a 36 horas, de acordo com a temperatura do ar para a incubação. Devem ser umedecidas sempre que for necessário. Para a semeadura, o coleóptilo e radícula devem atingir de 2 a 3 mm de comprimento.
  • Para semeaduras até final de outubro, recomendam-se 120 kg de sementes viáveis por hectare e 100 kg para semeaduras a partir de novembro. Para cultivares pouco afilhadoras, recomendam-se cerca de 170 kg de sementes por hectare.
  • A semeadura pode ser feita manualmente ou por meio de semeadoras a lanço e aviões agrícolas.
  • Em áreas infestadas de arroz-daninho, recomenda-se, após o preparo do solo, deixar uma lâmina de água de10 cm durante 20 a 30 dias antes da semeadura. No sistema tradicional de manejo da água, onde o preparo do solo é feito com lâmina de água, um a três dias após a semeadura é recomendável a drenagem da área, o que evita deixar água acumulada, que favorece possíveis danos causados por moluscos, insetos aquáticos e aves.
  • Deve-se dar especial atenção às plantas aquáticas. Recomenda-se que durante o período de ação dos herbicidas a água de irrigação deve permanecer estagnada, sem a retirada da área, para evitar impacto negativo ao meio ambiente.
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