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ÁRVORE DO CONHECIMENTO Arroz      Equipe editorial Ajuda

Correção da acidez do solo

Autor(es): Nand Kumar Fageria ; Morel Pereira Barbosa Filho ; Pedro Luiz O. Almeida Machado ; Osmira Fátima da Silva ; Flavia Aparecida de Alcantara

 

 

O arroz de terras altas é cultivado principalmente em solos de cerrado, que em sua maioria são ácidos, o que limita a produção. Para o cultivo desses solos é indispensável o uso adequado de corretivos, como calagem e gesso, a adoção de outras práticas de manejo, como o uso de espécies ou cultivares tolerantes à acidez, a reciclagem dos restos culturais e o uso de adubação verde e orgânica. A calagem é uma das práticas mais importantes para aumentar a produção agrícola em solos ácidos. Além dos efeitos físicos, a aplicação de calcário promove várias transformações químicas no solo, significativas para o desenvolvimento das culturas. Na Tabela 1 encontram-se efeitos positivos da calagem sobreo pH, os teores de Ca e Mg e a saturação por bases.

 

Influência da calagem solo de cerrado arroz de terras altas

A cultura de arroz é bastante tolerante a acidez do solo. No entanto, as cultivares modernas são mais sensíveis à acidez do solo que as tradicionais.

CONSIDERAÇÕES SOBRE A APLICAÇÃO DE CALCÁRIO

Os principais fatores a considerar na aplicação de calcário para cultura do arroz são: a quantidade de calcário e a época e modo de aplicação. A quantidade de calcário a ser aplicada é determinada por características do solo, como o pH, a textura e a quantidade de matéria orgânica, o tipo e a granulometria do calcário, as cultivares e os aspectos econômicos.

RECOMENDAÇÃO DE CALAGEM

A recomendação de calagem pode ser feita com base nos teores de Al3+, Ca2+ e Mg2+ trocáveis, utilizando-se a seguinte equação:

Necessidade de calcário (NC) (t ha-1) = (2 x Al3+) + [2 – (Ca2+ + Mg2+)]

A recomendação de calagem também pode ser determinada com base na saturação por bases, utilizando-se a seguinte equação:

Dose de calcário (t ha-1)
CTC (V2 - V1)
PRNT
 X f

em que: CTC = capacidade de troca de cátions (Ca + Mg + K + H + Al) em cmolc kg-1; V2 = saturação por bases adequada para uma dada cultura; V1 = saturação por bases original do solo; PRNT = poder relativo de neutralização total do calcário; f = fator usado de acordo com profundidade de incorporação do calcário. f = 1 para 20 cm de profundidade e 1,5 para 30 cm de profundidade.

Para os latossolos brasileiros, a saturação por bases adequada para a maioria dos cereais é em torno de 50 a 60% e para as leguminosas de 60 a 70%.

QUANTIDADE DE CALCÁRIO A SER APLICADA

A quantidade de calcário a ser aplicada pode ser diferente da necessidade de calcário determinada pelos métodos acima citados. Isto ocorre porque a NC é calculada considerando-se a quantidade de CaCO3 ou calcário PRNT 100% necessária a ser incorporada por hectare na camada de 0 a 20 cm. Após a determinação da NC é necessário fazer a correção para Quantidade de Calcário (QC), utilizando a seguinte fórmula:

QC = NC x (SC/100) x (PF/100) x (100/PRNT)

em que: QC = quantidade de calcário, em t ha-1

NC = necessidade de calcário, em t ha-1

SC = superfície da área a ser coberta, em %

PF = profundidade de incorporação do calcário, em cm

PRNT = Poder Relativo de Neutralização Total do Calcário, em %.

Época e modo de aplicação

A época de aplicação do corretivo de acidez do solo está relacionada com o seu grau de solubilidade. Como a solubilidade dos calcários no solo demanda tempo e exige a sua incorporação para aumentar a superfície de contato entre o calcário e o solo, a calagem deve ser realizada pelo menos dois a três meses antes do plantio; assim, seu efeito no solo pode se manifestar já no primeiro cultivo. Porém, o sucesso da calagem depende da disponibilidade de água no solo.

A eficiência do calcário está relacionada ao seu grau de solubilidade que, geralmente, é baixa. Para aumentar a eficiência dos calcários nas condições de preparo convencional do solo, recomenda-se a distribuição uniforme do produto a lanço na superfície do solo e, posteriormente, proceder a sua incorporação.

Qualidade dos corretivos

Os materiais usados para calagem diferem em sua composição química, sendo necessário submetê-los a análises químicas. É recomendável utilizar materiais que contenham tanto cálcio como magnésio. O tamanho das partículas do calcário indica a sua taxa de reação com o solo. Quanto maiores forem as partículas, mais lento será o seu efeito de neutralização da acidez. A legislação brasileira exige que 100% do calcário passe em peneira no 10 (2 mm) e 50%, em peneira no 50 (0,30 mm). O PRNT do calcário indica seu potencial relativo para corrigir (neutralizar) a acidez. Quanto mais baixo for o PRNT, maior será a quantidade de calcário necessária. Quanto maiores forem os teores de CaO e MgO, na forma de carbonatos, apresentados pelo calcário, maior será a sua eficiência na correção da acidez.

Assim, é evidente que um calcário que possua impurezas (sílica e argila) terá o seu poder neutralizante diminuído proporcionalmente ao teor delas. A classificação dos calcários com base nos teores de CaO e MgO é apresentada na Tabela 2.

 Tabela 2. Classificação dos calcários com base nos teores de CaO e MgO
Classificação
Teor de NgO (%)
Teor de CaO (%)
Calcítico
 1-5 40-45
Magnesiano
 6-12 31-39
Dolomítico

 13-20
 25-30

 

O efeito residual do calcário é de longa duração, mas não é permanente. A aplicação de fertilizantes que provocam acidez e a decomposição da matéria orgânica abaixam o pH e liberam mais alumínio. O efeito do calcário, contudo, tem maior duração que o de outros corretivos. O efeito residual dos materiais com granulometria mais grosseira é mais longo que o dos materiais mais finos.

Frequência de aplicação

O processo de acidificação do solo continua mesmo depois que a calagem é realizada. Vários fatores contribuem para isso. Um deles é o fato de a própria cultura liberar ácidos fracos na rizosfera como forma de manter a neutralidade elétrica das raízes, absorvendo e exportando quantidades consideráveis de bases do solo, Ca e Mg, além de deixar restos orgânicos na superfície do solo. Outro fator importante na produção da acidez no solo são as adubações frequentes com fertilizantes nitrogenados, principalmente os amoniacais, que geram acidez residual e diminuem o pH do solo. A frequência de aplicação de calcário depende da intensidade dos cultivos. A cada ano devem ser coletadas amostras do solo para determinar o pH; se estiver abaixo dos valores recomendados, deve-se fazer nova aplicação de calcário. Para a maioria das culturas anuais cultivadas em solo de cerrado, o pH ideal é em torno de 6,0.

Problemas com calagem excessiva

O pH do solo é uma propriedade muito importante e controla a disponibilidade dos nutrientes. Tanto pH baixo quanto alto prejudicam a disponibilidade de nutrientes para as culturas. A disponibilidade da maioria dos micronutrientes diminui com o aumento do pH do solo, com exceção do molibdênio. Quando o pH é maior do que 6,0, pode-se observar deficiência de Fe e Zn em arroz de terras altas. Essa deficiência é mais comum em cultivares tradicionais de arroz do que nas modernas. Na Tabela 3 acham-se a acumulação de Zn, Cu, Fe e Mn pelo arroz de terras altas com o aumento do pH.

Acum Zn, Cu, Fe e Mn arroz de terras altas sob pH


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