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ÁRVORE DO CONHECIMENTO Arroz      Equipe editorial Ajuda

Solo

Autor(es): Mário Luiz Diamante Áglio ; Elaine Cristina Cardoso Fidalgo ; Humberto Gonçalves dos Santos

No Brasil, o arroz irrigado e o de terras altas são cultivados em uma grande diversidade de classes de solos. Para isso, é necessário que haja um manejo adequado da fertilidade mediante correções e adubações apropriadas e práticas de conservação de solo para evitar a erosão causada principalmente pelas chuvas.

Extensão e Distribuição dos Solos

A grande diversidade de “tipos” de solos é condicionada pelas formas e tipos de relevo, clima, material de origem, vegetação e organismos do solo. No Mapa de Solos do Brasil (Figura 1), atualizado com base no atual Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (Embrapa, 2006), pode-se distinguir 13 grandes classes de solos representativas das paisagens brasileiras. Há grande predominância dos Latossolos, Argissolos e Neossolos, que no conjunto se distribuem em aproximadamente 70% do território nacional (Tabela 1).

 
Figura. 1. Distribuição dos solos no Brasil baseado no Mapa de Solos do Brasil, atualizado segundo o atual Sistema Brasileiro de Classificação de Solos.

 

 

 

 

 


Tabela 1. Extensão e distribuição das classes de solos no Brasil.
Classes  Área absoluta
(Km2)
 Área  relativa
(%)
Argissolos 2.28589,16 26,84
Cambissolos 448.268,085,26 
Chernossolos 37.206,290,44 
Espodossolos 160.892,691,89 
Gleissolos 397.644,274,67 
Latossolos 2.681.588,6931,49 
Luvissolos 241.910,742,84 
Neossolos 1.122.603,8213,18 
Nitossolos 96.533,021,13 
Organossolos 2.231,330,03 
Planossolos 226.561,752,66 
Plintossolos 594.599,986,98 
Vertissolos 17.630,980,21 
Afloramentos de rocha, dunas, águas e outros 201.815,772,37 
Brasil 8.514.876,60100,00 
Fonte: Embrapa (2006) .

No Brasil, as classes Latossolos e Argissolos ocupam aproximadamente 58% da área e são solos profundos, altamente intemperizados, ácidos, de baixa fertilidade natural e, em certos casos, saturados por alumínio.

Solos de média a alta fertilidade também ocorrem e são em geral pouco profundos em decorrência de seu baixo grau de intemperismo, caracterizados nas classes dos Neossolos, Argissolos, Luvissolos, Planossolos, Nitossolos, Chernossolos e Cambissolos.


Descrição dos solos mais adequados para plantio

Sistema de Cultivo em Terras Altas

As áreas de solos mais adequadas à cultura do arroz de terras altas compreendem os Latossolos, Argissolos, Nitossolos e Chernossolos, argilosos ou muito argilosos, com boa capacidade de retenção de água. Esse aspecto é de grande importância para o arroz de terras altas por ser totalmente dependente da precipitação pluvial.

Latossolos Vermelhos Distroférricos

Solos bem drenados derivados de rochas básicas, contendo teores elevados em Fe2O3, MnO e normalmente TiO2, com forte atração magnética. Foram classificados anteriormente como Latossolos Roxos. São muito profundos, friáveis ou muito friáveis quando úmidos, argilosos ou muito argilosos e de boas condições físicas.

A principal limitação é a baixa fertilidade natural, porque são solos distróficos, com baixa saturação por bases. De modo geral, são solos bem providos de micronutrientes, o que não acontece com a maioria dos Latossolos. São bastante resistentes à erosão laminar, devido às suas características físicas de boa permeabilidade e porosidade quando em condições naturais ou quando bem manejados. Submetidos aos cultivos intensivos pela aração ou sucessivas gradagens, sofrem uma compactação sub-superficial (pé-de-arado ou pé-de-grade) com favorecimento ao encrostamento superficial, que aumenta consideravelmente a susceptibilidade à erosão e diminui a produtividade. Em condições avançadas de manejo inadequado, desenvolvem-se ravinas e pequenas voçorocas com facilidade.

Latossolos Vermelhos Distróficos

Compreendem solos minerais com teores médios a altos de Fe2O3 nos solos argilosos ou muito argilosos, e normalmente baixos nos solos de textura média. Anteriormente eram classificados como Latossolos Vermelho-Escuros. São muito profundos, bem drenados, friáveis ou muito friáveis, de textura argilosa ou muito argilosa e média. As excelentes condições físicas aliadas ao relevo plano ou suavemente ondulado onde geralmente ocorrem, favorecem sua utilização para as mais diversas culturas climaticamente adaptadas à região. Esses solos, por serem ácidos e distróficos requerem correção de acidez e adubação fertilizante. Os solos argilosos e muito argilosos têm melhor aptidão agrícola que os de textura média, tendo em vista que estes últimos são mais pobres e podem ser degradados mais facilmente por compactação e erosão quando é feito uso inadequado de equipamentos agrícolas.

Latossolos Vermelho-Amarelos

Solos com teores medianos de Fe2O3, argilosos ou muito argilosos e não concrecionários. Mantêm o mesmo nome da classificação anterior a 2006. São profundos ou muito profundos, bem drenados, com textura argilosa, muito argilosa ou média. São solos ácidos a muito ácidos, com saturação de bases baixa e teor de alumínio trocável frequentemente alto.
Esses Latossolos também possuem boas condições físicas que, aliadas ao relevo plano ou suavemente ondulado, favorecem a utilização com diversas culturas climaticamente adaptadas. As principais limitações são a acidez elevada e a fertilidade química baixa. Requerem um manejo adequado com correção da acidez, adubação fertilizante e controle de erosão, sobretudo nos solos de textura média, que são os mais pobres e susceptíveis à erosão. A deficiência de micronutrientes pode ocorrer, sobretudo nos solos de textura média.


Latossolos Amarelos

Apresentam baixos teores de Fe2O3, sendo bem drenados, profundos e muito profundos, com predominância de textura média, baixa relação textural e pouca diferenciação entre os horizontes. Apresentam baixa saturação e soma de bases, e alta saturação por alumínio. Uma das características mais marcantes desses solos é apresentarem-se coesos, duros ou muito duros quando secos. As principais limitações desses solos decorrem de forte acidez, alta saturação com alumínio extraível e baixa fertilidade química natural. Portanto, são muito pobres em nutrientes, o que inevitavelmente implicará num investimento inicial bastante alto com o uso intensivo de adubação fertilizante. A prática de calagem objetiva a neutralização do efeito tóxico do alumínio para as plantas e também fornecimento de cálcio e magnésio.

Nitossolos Vermelhos

Solos de argila de atividade baixa, originados de rochas básicas, com teores relativamente elevados de Fe2O3. Antes, eram conhecidos como Terra Roxa Estruturada. São profundos ou de profundidade média, bem drenados, com textura argilosa ou muito argilosa ao longo do perfil e reduzido gradiente textural. A saturação por bases é baixa, sendo predominantemente distróficos, com pequenas ocorrências de solos eutróficos e álicos São solos com boas condições físicas, que apresentam como principais limitações a baixa saturação de bases e, no caso de relevo ondulado, a susceptibilidade à erosão e a presença de pedregosidade e rochosidade.

Chernossolos Argilúvicos

Esses solos se caracterizam por apresentar argila de atividade alta e saturação por bases alta. Antes, eram designados de Brunizens Avermelhados. São moderadamente profundos a rasos, com distinta diferenciação entre os horizontes, normalmente com textura média nos horizontes superficiais e argilosa nos subsuperficiais. Apresentam permeabilidade moderada no horizonte superficial e lenta no horizonte Bt, sendo, portanto, muito susceptíveis a processos erosivos.
Solos que apresentam características químicas excelentes para o uso agrícola, principalmente por seu elevado potencial nutricional, alta saturação por bases e capacidade de troca de cátions, além de apresentarem acidez praticamente nula. No entanto, ocorrem em locais onde o relevo é mais acidentado, prevalecendo as limitações devidas aos fortes declives, com alto risco de erosão. São mais usados para pastagens.

Argissolos Vermelho-Amarelos

Solos que se caracterizam por apresentarem gradiente textural, com nítida separação entre horizontes quanto à cor, estrutura e textura. Os teores de Fe2O3 normalmente baixos São profundos a pouco profundos, moderadamente a bem drenados, com textura muito variável, porém com predomínio de textura média na superfície e argilosa em subsuperfície, com presença ou não de cascalhos. Devido à grande diversidade de características que interferem no uso agrícola, além da ocorrência nos mais variados relevos, é difícil generalizar, para a classe como um todo, suas qualidades e limitações ao uso agrícola. De uma maneira geral, pode-se dizer que os Argissolos são muito susceptíveis à erosão, sobretudo quando o gradiente textural é mais acentuado, presença de cascalhos e relevo mais movimentado com fortes declives. Nesse caso, não são recomendáveis para agricultura, prestando-se para pastagem e reflorestamento ou preservação da flora e fauna. Quando localizados em áreas de relevo plano e suavemente ondulado, esses solos podem ser usados para diversas culturas, desde que sejam feitas correção da acidez principalmente quando se tratar de solos distróficos ou álicos e adubação.

Sistema de Cultivo Irrigado

Os Planossolos, Gleissolos, Chernossolos, Plintossolos, Vertissolos, Organossolos, Cambissolos, Espodossolos, Neossolos Flúvicos e Neossolos Quartzarênicos hidromórficos ocupam, em geral, áreas sedimentares baixas, de várzeas ou terraços, o que lhes confere condições mais ou menos apropriadas ao cultivo do arroz irrigado.

Planossolos

Essa classe apresenta como característica geral a presença de um tipo especial de horizonte B textural, com incremento de argila do A (ou E) para o B associado a cores acinzentadas ou escurecidas que refletem uma baixa permeabilidade. São solos de fertilidade baixa a alta, apresentando normalmente baixos teores de matéria orgânica e deficiência em fósforo.


Gleissolos

Caracterizam-se por apresentar um horizonte com cores cinzentas (horizonte glei), imediatamente abaixo do horizonte A, ou que começa dentro de 50 cm da superfície, indicativo de formação em ambiente de redução devido à saturação por água durante um longo período do ano. São de textura média ou argilosa em todos os horizontes, de fertilidade baixa a alta não apresentando horizonte B associado à mudança textural abrupta, o que os diferencia dos Planossolos.


Chernossolos

Chernossolos em áreas de várzea com drenagem imperfeita em relevo plano a suave ondulado, mal drenados são bastante aptos para o cultivo o arroz.

São solos que apresentam horizonte A chernozêmico seguido por horizonte B textural ou incipiente com argila de atividade alta e saturação por bases elevada (eutróficos) em todo o perfil. Apresentam, normalmente, fertilidade natural de moderada a alta, suportando, junto com alguns Vertissolos, os melhores solos cultivados com arroz irrigado, proporcionando altas produtividades.


Plintossolos

São solos geralmente profundos, imperfeitamente ou moderadamente drenados, formados sob condições de restrição à percolação de água. Apresentam um horizonte com mosqueados vermelhos e amarelos, macios quando úmidos, mas que endurecem irreversivelmente quando secam, formando nódulos duros, identificados como plintita. São em geral de fertilidade baixa.


Vertissolos

Em relação à utilização, esses solos são adequados do ponto de vista químico, porém não apresentam atributos físicos favoráveis ao manejo, sendo muito duros quando secos, formando torrões compactos, e muito plásticos e muito pegajosos quando molhados, aderindo aos implementos agrícolas. A maior parte desses solos é utilizada com pastagens naturais de boa qualidade e, em menor escala, com culturas anuais como trigo, milho e sorgo. Em áreas planas são cultivados com arroz irrigado.


Organossolos

Na sua maior parte, são fortemente ácidos, com baixa saturação por bases e frequentemente com altos teores de alumínio trocável. Quando drenados e cultivados, podem ficar sujeitos a uma acentuada subsidência (rebaixamento da superfície) e diminuição gradativa no teor de matéria orgânica.

A baixa fertilidade natural, a deficiência de aeração e os impedimentos à mecanização constituem importantes limitações ao uso desses solos.

Cambissolos

Os Cambissolos em áreas de várzea ocupam posições ligeiramente superiores e de melhor drenagem do que os Gleissolos. Suas partes mais planas são frequentemente sistematizadas e utilizadas com arroz irrigado. São muito variáveis quanto à textura e à fertilidade natural.


Espodossolos, Neossolos Flúvicos e Neossolos Quartzarênicos Hidromórficos

Apresentam uma aptidão muito restrita para o uso com arroz irrigado, pois são muito arenosos ou sujeitos a inundações muito frequentes. Ocupam áreas significativas de várzeas no rio Grande do Sul, Santa Catarina e Roraima.

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