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Carvão Vegetal

Autor(es): Leandro Penedo Manzoni ; Talita Delgrossi Barros
A produção de carvão vegetal a partir da biomassa proveniente da madeira proporciona que a lenha seja a quarta fonte primária de energia mais utilizada na matriz energética brasileira. Em 2005, 42,8% de uma produção de 136,6 milhões de m³ de lenha foram destinados à produção de carvão vegetal no Brasil, o que o condiciona a ser o maior produtor mundial, além de ser o maior consumidor. O destino do carvão vegetal produzido é o mercado interno, e o País é praticamente autossuficiente no produto, mesmo apresentando um resultado negativo em sua balança comercial com pouco volume de importação, pois as exportações são nulas desde 2007. Em 2008, 8,5% foi destinado ao setor residencial e quase 90% à indústria. 

A siderurgia brasileira impulsiona a produção de carvão vegetal por ser uma grande demandante, ao utilizá-lo como fonte de energia e agente redutor de minério de ferro em substituição ao coque de carvão mineral, principalmente na produção de ferro-gusa por empresas independentes denominadas guseiras, que só produzem este tipo de produto siderúrgico. Seu consumo corresponde a 95% do carvão vegetal utilizado pela indústria em 2008, e representa de 60% a 70% de todo o custo de produção de ferro-gusa. Por não possuir enxofre em sua composição química, o carvão vegetal proporciona uma qualidade melhor ao ferro-gusa e ao aço produzidos, o que leva a uma valorização dos produtos no mercado. Por isso, alguns analistas apontam que o carvão vegetal é uma realidade difícil de ser retirada na siderurgia brasileira, além de ser considerado ambientalmente sustentável, dependendo das formas de obtenção da matéria-prima e do seu processo produtivo.

No entanto, a escolha do agente redutor a ser utilizado na produção siderúrgica é realizada em função do preço, optando pelo que apresenta o menor custo. Por apresentar o preço mais baixo, o coque é o redutor mais difundido, principalmente entre as siderúrgicas integradas, ou seja, aquelas que produzem vários produtos siderúrgicos ao invés de se concentrarem em apenas um. O coque é 19% e 29,7% mais barato em relação ao carvão vegetal proveniente do manejo florestal de mata nativa e de projetos de reflorestamento, respectivamente. Além disso, o preço do carvão vegetal proveniente de desmatamento e extração ilegal de florestas nativas é entre 10% a 12% mais baixo em relação ao carvão vegetal oriundo de florestas plantadas.

A origem da madeira para a produção de carvão vegetal é preocupante do ponto de vista ambiental, pois atualmente o Brasil não é capaz de suprir essa demanda apenas com as florestas plantadas, a forma mais indicada ambientalmente de obtenção da matéria-prima. Historicamente, era suprida pela madeira proveniente de desmatamento impulsionado, inicialmente, pela expansão agropecuária. Em 1980, 85,9% da madeira era obtida dessa maneira, enquanto em 2006 se reduziu para 49%, graças à diminuição dessa  prática em 81,8% entre 1989 e 1997, como resultante dos projetos de reflorestamento para obtenção de matéria-prima em Minas Gerais, estado com maior produção e consumo de carvão vegetal no país. Porém, a partir de 1998 voltou a subir o desmatamento com o aumento da produção na região Norte, pressionando a Floresta Amazônica, além do Cerrado. E a pressão sobre as matas nativas tende a aumentar quando há uma expansão da indústria siderúrgica, pois aumenta a demanda por carvão vegetal para suas atividades.

Os projetos de reflorestamento são iniciativas de siderúrgicas, principalmente as guseiras, de obterem madeira para produção de carvão vegetal necessário ao seu funcionamento quando florestas nativas são desmatadas em suas proximidades. Mesmo assim, muitas siderúrgicas adquirem carvão vegetal de terceiros, que geralmente utilizam carvão vegetal a partir dos desmatamentos.

Outro problema ambiental inerente a produção de carvão vegetal está na tecnologia utilizada no seu processo produtivo. Localizadas próximas a florestas, as unidades produtivas obtêm o carvão a partir do processo de carbonização da lenha, e 60% do total produzido em 2007 eram provenientes de fornos de alvenaria denominados de rabo quente, cujo modo de funcionamento é primitivo, com pequeno controle operacional sobre o processo, além de não se praticar o controle qualitativo e quantitativo da produção, permitindo um aproveitamento de 40% da madeira em forma de carvão vegetal e o restante lançado na atmosfera em forma de gases. Já o aproveitamento de toda a madeira destinada para a produção de carvão vegetal no Brasil para a carbonização ficou em torno de 52% nos últimos anos.

Atualmente, existem métodos de carbonização com eficiência de 60% a 70% da madeira e com o aproveitamento dos subprodutos que detêm um valor econômico significativo e que são lançados sob a forma de gases na atmosfera pelos processos de carbonização mais rudimentares. Isso significa que pode conseguir mais carvão vegetal da madeira, além de produzir alcatrão (combustível), metanol (combustível e carburante) e ácido acético (matéria-prima para indústria química) – os subprodutos resultantes.

No entanto, o método de carbonização por meio de fornos de alvenaria ainda é disseminado pelo seu custo baixo de implantação, operação e manutenção, embora existam outros processos de carbonização mais barato e, também, mais rudimentares. Além disso, o carvão vegetal resultante é excepcional para o uso na siderurgia. Essas duas características são a explicação mais pertinente à continuação do uso desse processo. Ademais, a maioria das unidades produtivas de carvão vegetal é de pequeno porte e com recursos monetários insuficientes para o investimento em máquinas com maior eficiência e com aproveitamento de resíduos, diferentemente de empresas siderúrgicas integradas (a maioria pertencentes a grupos econômicos fortes) que já adotaram métodos modernos desde o início dos anos 1990.

O estabelecimento de um programa de desenvolvimento e melhoramento vegetal das espécies escolhidas para o reflorestamento é importante para se conseguir aumentar sua eficiência fotossintética e sua produtividade por hectare com o objetivo de obter uma qualidade superior e um maior volume em uma mesma área plantada de madeira. Dessa forma, poderá aumentar o rendimento dos plantadores e diminuir o preço do carvão vegetal a um nível menor ao do coque de carvão mineral, o qual será utilizado por siderúrgicas se punições forem aplicadas contra aquelas que usem o carvão vegetal de origem ilegal, se o seu preço continuar 29% menor que o carvão vegetal de origem de projetos de reflorestamento.  Por fim, devem-se estabelecer, também, políticas que incentivem a adoção de programas de pesquisa, desenvolvimento e inovação (P,D&I), aliado a concessões fiscais e à disponibilidade de financiamento, para as empresas envolvidas no setor desenvolverem novos métodos de carbonização de madeira e aproveitamento de subprodutos, eliminando os aspectos ambientalmente negativos do processo produtivo do carvão vegetal e aumentando sua eficiência.

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