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Gênese e evolução da voçoroca Chitolina

Autor(es): Marco Antonio Ferreira Gomes ; Heloisa Ferreira Filizola ; René Boulet

Na área onde hoje se encontra a voçoroca Chitolina, a cultura da soja começou em 1981 com a utilização de curvas de contenção destinadas a eliminar o escoamento superficial e a erosão. A vegetação inicial era o cerrado, com predominância de gramíneas e, no período de introdução da agropecuária, houve relativamente poucas mudanças no ecossistema, particularmente no que se refere à pastagem, já que o cerrado era utilizado como pasto. A maior alteração foi provocada pelas trilhas de gado, caminhos e estradas que concentram as águas de escoamento superficial e provocam ravinamento (formação de barrancos). Mas, como a Chitolina não começou por uma ravina (barranco), pode-se eliminar os fatores acima como causa da formação desta voçoroca. 

As fotos aéreas de 1964 e 1977 mostram que, próximo da extremidade jusante onde é hoje a voçoroca, havia um talvegue (canal mais profundo do leito de um curso de água)por onde corriam as águas pluviais. Estas fotos mostram também que a vegetação predominante era de campo limpo, entremeada com áreas de campo sujo e capões de mato.

Segundo as declarações do ex-proprietário da área onde se encontra a voçoroca, “a Chitolina, iniciou-se, da noite para o dia, em decorrência de uma chuva muito intensa. A utilização da área, para o plantio de soja, tinha sido iniciada dois anos antes. Nos anos de 1981 e 1982, as chuvas foram menos intensas e as curvas de nível baixas e com 2% de declividade suportaram bem as chuvas. Com as chuvas mais intensas do ano seguinte, as curvas foram levadas pelas águas e a voçoroca iniciou-se em dezembro de 1983 com aproximadamente 150m de extensão X 6m de profundidade e 8m de largura. No verão seguinte (1984/85) a voçoroca atingiu 300m de comprimento X 8m de profundidade e 10m de largura.”

O acompanhamento das imagens Landsat, de 1984 a 1999, mostra que a Chitolina só é visível na escala 1:100.000, em 1988; fica bem claro nesta imagem, e nas que a sucedem, que a voçoroca é marcada pelo córrego que passa a existir em seu fundo. O mapa planialtimétrico da área, assim como as fotos tomadas do avião, mostram que a Chitolina comporta mais de uma direção, chegando a apresentar uma forma meandrante em sua metade inicial.

Comparando uma fita de vídeo de um vôo do ano de 1995, com as fotos aéreas tiradas em 2000, pode-se constatar que a voçoroca cresceu muito pouco longitudinalmente desde 1995 ou mesmo antes. Somente dois divertículos existentes em 1995 cresceram com um estreito, mas profundo entalhe. Um destes atinge o pé da curva de nível e se formou depois da construção desta. Considerando que as curvas de contenção altas foram estabelecidas em 1997, o papel destas curvas de contenção na quase parada do crescimento longitudinal da voçoroca permanece duvidoso. Um outro fator que pode ter diminuído o crescimento da voçoroca é que esta atingiu o material argilo-arenoso (25-40% de argila). Com efeito, os dois divertículos que cresceram estão do lado arenoso. A textura arenosa pode favorecer o voçorocamento, mas não parece ser determinante, como visto na voçoroca Olho d’Água.

Vista longitudinal da voçoroca Chitolina.

Foto: René Boulet 

No caso da voçoroca Chitolina, é provável que durante as chuvas excepcionais do verão 1983-84, a sobrealimentação do lençol tenha provocado a fluidificação do armazém do lençol no eixo de drenagem pluvial, provocando a corrida de lama e ocorrendo o primeiro estágio de abertura. A voçoroca Chitolina começou, então, por um processo cataclísmico que se repetiu no verão de 1984-85. Isso é um fenômeno raro e dificilmente previsível que aconteceu também com a voçoroca Olho d’Água.

Atribui-se as duas corridas de lama, que abriram a Chitolina, à sobrecarga do lençol devido aos altos índices pluviométricos e às curvas de contenção que aumentaram a infiltração, deixando claro que isso não significa que estas curvas não permaneçam indispensáveis para impedir o ravinamento.

Foi constatado que o crescimento longitudinal da Chitolina quase parou entre 1995 (ou possivelmente antes) e 2000 o que mostra que as curvas de nível altas construídas em 1997, à montante da cabeceira, não tiveram um papel importante nesta parada.

A importância relativa dos dois mecanismos de evolução da voçoroca (ação do lençol freático e ação das águas superficiais) permanece desconhecida. A determinação é difícil, mas tem uma grande importância para a concepção de obras de contenção.

As evidências de processos de erosão interna no solo (piping), relacionados à ocorrência freqüente de voçorocas em cabeceiras de drenagem e junto a fundo de vales, mostram a necessidade de pesquisas que subsidiem a compreensão das condições de seu desenvolvimento, especialmente aquelas relacionadas ao comportamento hídrico das vertentes. São praticamente ausentes na literatura especializada trabalhos que procuram identificar o comportamento diferenciado das águas superficiais e subsuperficiais em vertentes. Neste sentido, tendo em vista que a frequência das precipitações e os totais pluviométricos interferem nas oscilações do lençol freático e, portanto, no surgimento e desaparecimento de pipping nas erosões lineares, e como potencialmente o nível do lençol está mais alto nos períodos chuvosos, são estes os períodos mais indicados para análise da dinâmica erosiva associada aos processos de pipping.

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