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Controle de Carrapatos

Autor(es):  Antônio Cândido Cerqueira Leite Ribeiro John Furlong

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Uma das doenças mais importantes que afetam os rebanhos é a carrapatose. É doença que causa enormes prejuízos e grande desconforto para os animais, prejudicando o seu desenvolvimento e produção. Os carrapatos, além dos problemas que normalmente causam, transmitem agentes de doenças que afetam de forma drástica o animal. Estas doenças são a Babesiose e a Anaplasmose, componentes do complexo Tristeza Parasitária .

Um grande complicador no combate aos carrapatos é que não se pode eliminá-los do rebanho pois apesar de causarem diminuição do apetite, com todos os prejuízos advindos disso, além de transmitir os agentes da Tristeza Parasitária, é por meio deles que se mantêm os níveis de anticorpos, defesas, dos animais contra os agentes desta doença. Os carrapatos inoculam constantemente os agentes da Tristeza Parasitária nos bovinos e então estes estão sempre sendo estimulados a produzir anticorpos contra os agentes da doença. Entretanto, é imperativo que nossa vigilância esteja sendo levada com seriedade pois, com qualquer descuido, a população de carrapatos pode aumentar de tal forma que pode levar alguns animais à morte. É comum em propriedades descontroladas em relação ao carrapato que os animais estejam tão parasitados que, em função disso, começam a emagrecer, não têm o rendimento esperado, chegando em alguns casos extremos a morrer. Uma proposta de controle é o estratégico o qual consiste em banhar os animais de forma a não deixar o desenvolvimento de teleóginas, fêmeas ingurgitadas ou mamonas, por um período de 120 dias. Na Região do Brasil-Central este controle deve ser realizado na época de maior calor que coincide com a época das chuvas, quando aumenta também a umidade relativa. A partir de dezembro, começa um pico de crescimento do carrapato que deve ser combatido por banho carrapaticida. Estes banhos devem ser realizados a intervalos rígidos de no máximo 21 dias, com um total de cinco a seis banhos. Este combate deve cobrir um período de 120 dias sem que haja desenvolvimento de fêmeas ingurgitadas. Este banho pode ser dado por aspersão, imersão ou pour on, no fio do lombo. Se o carrapaticida utilizado for do tipo sistêmico, como por exemplo as avermectinas, com maior poder residual, estes banhos podem ser mais espaçados, com intervalos de 30 dias. O importante é combater os carrapatos de maneira que não se permita o desenvolvimento de fêmeas ingurgitadas.

As formas de dar banho podem variar com o produto. Em geral o banho por aspersão requer em torno de quatro a cinco litros de solução por animal adulto. O animal tem que ser molhado totalmente, desde a cauda até a ponta do focinho. Um dos grandes problemas encontrados nos banhos carrapaticidas é que as partes baixas e as reentrâncias da pele muitas vezes não ficam bem molhadas e os carrapatos que ali estão não sofrem os efeitos do veneno. Estes carrapatos vão se desenvolver e contaminarão as pastagens prejudicando de forma drástica o controle destes parasitas.

Quando formos banhar o rebanho, deve-se tratar todos os animais no menor espaço de tempo. Por exemplo, não é recomendado que se banhem os animais solteiros numa semana e os de leite na semana seguinte. Além de ter-se um controle muito trabalhoso de quem foi banhado, pode um destes animais trocar de lote e ser o contaminador daquele pasto. O ideal é que se banhe todo o rebanho no máximo em três dias.

Um agravante do controle estratégico proposto para o combate aos carrapatos é que é nesta época em que se tem a maior concentração de chuvas. Quando os animais tomam banho carrapaticida e logo após são atingidos por uma chuva, dependendo do produto utilizado, este é lavado e perde o efeito. Neste caso o controle é interrompido e não são alcançados os resultados esperados. Este é um dos grandes causadores de insucesso do combate estratégico dos carrapatos. Então, para que esse problema não ocorra, se no dia marcado para o banho estiver chovendo, é indicado que os animais após o banho permaneçam por um período mínimo de duas horas sob uma coberta, para dar tempo de intoxicação dos carrapatos. Outro fator para o qual se deve chamar a atenção, é a aplicação inadequada, tanto em quantidade quanto em qualidade, do produto carrapaticida, não atingindo todos os pontos do corpo do animal. Há uma variação enorme da quantidade gasta pelos proprietários para banhar seus rebanhos. Esta quantidade varia de meio litro até oito litros por animal. Como se há de convir, com meio litro de calda não é possível banhar todo um animal adulto. Ademais, oito litros para banhar um animal está se desperdiçando o produto.

Um dos grandes problemas que se encontra nas propriedades é a forma de se dar banho. Quando se faz uso de aspersores, os costais são o vilão da história. Com uma capacidade para 20 litros de calda, que daria para banhar entre quatro e cinco animais tem-se visto que nas propriedades com esta mesma quantidade de calda o funcionário banha até 40 animais. Conclui-se que este banho foi mal dado. Este problema vem da bomba que é pesada, o trabalho realizado pelo operador é pesado e, por este motivo, os três primeiros animais têm banhos melhores, nos outros vem o cansaço, o operador não agüenta mais e então não consegue trabalhar adequadamente.

É muito comum nestes casos as pessoas reclamarem do produto e muitas vezes há troca do produto sem que se preocupe com o princípio ativo que pode com freqüência ser o mesmo que o anterior. Às vezes, no segundo banho com o mesmo produto o operador consegue um melhor sucesso mas quando se busca entender o porquê, vê-se que simplesmente houve maior capricho no banho.

Outra forma de agir das pessoas é a troca constante e indiscriminada de base química sem critério. Isto ocorre sempre que não se tem sucesso com os tratamentos, e então troca-se por outra base carrapaticida mas o vilão continua sendo o banho mal realizado.

Todos estes cuidados devem ser observados na hora de planejar o controle estratégico. Qualquer erro em qualquer fase, pode comprometer seriamente o sucesso

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