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Pragas da parte aérea do feijoeiro

Autor(es):  Eliane Dias Quintela

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PRAGAS DAS FOLHAS

VAQUINHAS
Diabrotica speciosa, Cerotoma arcuata (Coleoptera: Chrysomelidae)

O adulto de C. arcuata é um besouro de coloração castanha, com manchas escuras no dorso e mede 5-6 mm de comprimento. A fêmea põe, em média, 1200 ovos no solo e as larvas branco-leitosas, com a cabeça e o último segmento abdominal escuros, passam por três estágios no solo em aproximadamente 9 dias.


Vaquinha (Cerotoma arcuata)
Foto: Eliane Dias Quintela
Embrapa Arroz e Feijão

O adulto de D. speciosa, vive em média, 50 a 60 dias, apresenta coloração verde com três manchas amarelas no dorso e mede cerca de 6 mm de comprimento. A fêmea põe cerca de 420 ovos, que se desenvolvem em 6 a 8 dias, e as larvas, semelhantes às de C. arcuata, também apresentam três estágios em 9 a 14 dias. A pupa de coloração branco-leitosa desenvolve-se no solo em 6 a 8 dias.

Os adultos das vaquinhas causam desfolha durante todo o ciclo da cultura, reduzindo a área fotossintética. Os danos mais significativos ocorrem no estágio de plantas recém-emergidas, pois podem consumir as folhas novas, se ocorrer altas populações de insetos e não houver área foliar disponível, causando a morte da planta. Em outros estágios, o dano é menor pois vários estudos têm indicado que o feijoeiro pode tolerar níveis consideráveis de desfolha (20-66%) sem que ocorra perda na produção.


Vaquinha (Diabrotica speciosa)
Foto: Eliane Dias Quintela
Embrapa Arroz e Feijão

Os adultos podem alimentar-se de flores e vagens, quando a incidência de adultos for alta na fase reprodutiva da planta. As larvas alimentam-se das raízes, nódulos e sementes em germinação, fazendo perfurações no local de alimentação. Quando as larvas alimentam-se das sementes, as primeiras folhas podem apresentar perfurações semelhantes às causadas pelos adultos. Se o dano na raiz for severo, as plantas atrofiam e ocorre um amarelecimento das folhas basais.

MINADORA
Liriomyza spp. (Diptera: Agromyzidae)

Os adultos medem cerca de 1-1,5 mm, sendo o macho menor e vivem por aproximadamente 6 dias. A fêmea pode colocar os ovos isoladamente, dentro do tecido foliar, entre 500 a 700 ovos, preferencialmente no período da manhã e nos primeiros dias de vida. Cada fêmea coloca, em média, 35 ovos diariamente. Após 2-3 dias nascem as larvas de coloração branca transparente e, após a primeira troca de pele, tornam-se amareladas. O estágio larval dura de 4 a 7 dias, passando por 3 estágios de desenvolvimento. A pupa, de cor marrom clara a escura, desenvolve-se em 5 a 7 dias.


Minadora (Liriomyza huidobrensis)
Foto: Eliane Dias Quintela
Embrapa Arroz e Feijão

Dano causado pela larva minadora
Foto: Eliane Dias Quintela
Embrapa Arroz e Feijão

Os adultos alimentam-se do líquido das folhas, através do furo realizado pelas fêmeas pela ovipositor (estrutura em que colocam os ovos). As larvas abrem galerias serpenteadas entre a epiderme superior e inferior das folhas, formando lesões esbranquiçadas, podendo penetrar nas nervuras. Quando a população de larvas na folha é alta, ocorre redução significativa da área fotossintética, podendo causar murcha e queda prematura das folhas.

LAGARTAS DAS FOLHAS
Omiodes indicata (Lepidoptera: Pyralidae) e Urbanus proteus (Lepidoptera: Hesperiidae).

Podem causar prejuízo ao feijoeiro esporadicamente. Os adultos da lagarta enroladeira das folhas, Omiodes indicata, tem asas amareladas com estrias transversais escuras, medindo 20 mm de envergadura, e podem viver por 6 dias. A mariposa coloca os ovos, durante o seu período de vida, em média, 330 ovos na face inferior das folhas. Após 4 dias, nasce a lagarta de coloração verde, que desenvolve em 11 dias. A pupa dura, em média, 5 dias. As lagartas raspam a superfície das folhas, rendilhando as folhas que se tornam secas. Enrolam as folhas atacadas com fios de seda, para se protegerem, onde podem ser observadas no seu interior as lagartas e as fezes.

O adulto da lagarta cabeça de fósforo, Urbanus proteus, põe de 1 a 6 ovos/folha na face inferior. Os ovos eclodem em 6 dias, as larvas e pupas desenvolvem em 15 e 9 dias, respectivamente. As lagartas dobram as margens das folhas e alimentam-se e tornam-se pupas (estágio intermediários entre larva e adulto) dentro dessa dobra. Eventualmente, as lagartas saem dessa câmara para se alimentarem. As lagartas são reconhecidas pelas três linhas longitudinais no dorso e pela grande cápsula cabeça marrom-avermelhada.


Lagarta das folhas (Omiodes indicata)
Foto: Eliane Dias Quintela
Embrapa Arroz e Feijão


Lagarta das folhas (Urbanus proteus)
Foto: Eliane Dias Quintela
Embrapa Arroz e Feijão

CIGARRINHA VERDE
Empoasca kraemeri (Homoptera: Cicadellidae)

Os adultos, de coloração verde, medem cerca de 3 mm e vivem, em média, 60 dias. As fêmeas colocam os ovos de 30 a 168 ovos, média de 107 ovos por fêmea. Os ovos são inseridos isoladamente nas folhas, hastes das folhas ou caule, com 50-82% dos ovos localizados nas hastes das folhas. Nas folhas, mais da metade dos ovos foram encontrados nas primeiras folhas. Os ovos eclodem em 8 a 9 dias e os cinco estágios ninfais (estágio entre ovo e adulto) são completados em 8-11 dias. As ninfas (estágio entre ovo e adulto) são de coloração esverdeada semelhantes aos adultos, não possuem asas e se locomovem lateralmente. Os adultos e ninfas (estágio entre ovo e adulto) localizam-se normalmente na face inferior das folhas. O dano é causado pelas ninfas e adultos que se alimentam do floema da planta, sugando a seiva, podendo provocar amarelecimento seguido de um secamento nas margens das folhas, e severamente reduz o rendimento. Os sintomas dos danos causados pela cigarrinha caracterizam-se pelo amarelecimento das bordas foliares e pela curvatura destas para baixo. O dano é mais severo quando altas populações da cigarrinha verde ocorrem no início do crescimento do feijão ou durante o florescimento. Nesses casos, o inseto pode acarretar perdas acima de 60% em feijão.


Cigarrinha Verde (Empoasca Kraemeri)
Foto: Eliane Dias Quintela
Embrapa Arroz e Feijão

MOSCA-BRANCA
Bemisia tabaci biótipo A e B (Homoptera: Aleyrodidae)

Os adultos possuem 2 pares de asas brancas e membranosas recobertas por uma substância cerosa. A fêmea e o macho medem, em média, 0,9 e 0,8 mm, respectivamente. A fêmea põe de 20 a 350 ovos durante seu tempo de vida. No feijoeiro, a maioria dos ovos eclodem após 8 dias. A ninfa (estágio entre ovo e adulto) de primeiro estágio é transparente e locomove-se por algumas horas ou dias até fixar-se na planta. Após estabelecida, a ninfa se mantém fixa em todos os outros estádios, até a emergência do adulto, que pode ocorrer em média em 23 dias.


Mosca-branca (Bemisia tabaci)
Foto: Eliane Dias Quintela
Embrapa Arroz e Feijão

O dano direto, pela sucção da seiva da planta, não causa dano às plantas do feijoeiro e o inseto torna-se importante em épocas e regiões onde ocorre a transmissão do vírus. Os danos indiretos são causados pela transmissão do vírus do mosaico dourado e são proporcionais à cultivar plantada, à porcentagem de infecção pelo vírus e ao estádio de desenvolvimento da planta na época da incidência da doença. Os danos indiretos podem atingir 100%, quando ocorrem altas populações da mosca branca no início de desenvolvimento da planta do feijão.

Os sintomas do mosaico dourado podem variar dependendo da cultivar e do estádio de desenvolvimento das plantas na ocasião da infecção. Em condições de campo, os primeiros sintomas nas folhas aparecem dos 14 aos 17 dias do plantio. Contudo, os sintomas nítidos da doença são observados quando as plantas têm 3 a 4 folhas trifoliadas (25-30 dias). As folhas do feijoeiro ficam com uma aparência amarelo-intensa, tipo de mosaico dourado-brilhante. Os sintomas iniciam-se nas folhas mais novas com um salpicamento amarelo vivo, atingindo posteriormente toda a planta. As folhas jovens podem enrolar-se ligeiramente ou apresentar rugosidade bem definida e, em geral, há pouca redução no tamanho das folhas. As plantas infectadas precocemente (até os 20 dias de idade) podem mostrar grande redução no porte, vagens deformadas, sementes descoloridas, deformadas e de massa reduzida.

TRIPES
Thrips palmi, Caliothrips brasiliensis, Thrips tabaci (Thysanoptera: Thripidae)

Os adultos de Thrips palmi com 1-1,2 mm de comprimento, apresentam coloração amarela-clara e dourada, sendo a fêmea maior que o macho. Os ovos, branco-amarelado, são colocados separadamente nas folhas e flores, através de uma incisão feita pela estrutura em que a fêmea coloca os ovos. Os dois estágios ninfais (fase entre o ovo e adulto) são amarelo-claros e alimentam-se das flores e folhas do feijoeiro. Quando maduras, as ninfas do 2º estágio jogam-se ao solo, onde transformam-se em pré-pupa e, em seguida, em pupa. Os dois estágios pupais (estágio entre larva e adulro)(pré-pupa e pupa) também apresentam coloração amarelada, sendo a pupa imóvel e a pré-pupa com pouca mobilidade. O estágio de ovo, ninfa e pupa dura, em média, 6,3, 4,8 e 14 dias, respectivamente.

O adulto de Caliothrips brasiliensis vive por aproximadamente 15 dias e mede cerca de 1,0 mm de comprimento. Apresenta coloração preta com duas faixas brancas nas asas franjadas e as pernas são pretas com as extremidades das tíbias de coloração amarelada. As fêmeas inserem os ovos nas folhas, haste da folha e caule e os ovos eclodem em 5-6 dias. Larvas do 1º estágio desenvolvem-se em 1-2 dias e o 2º estágio dura de 4-5 dias. As ninfas tornam-se pupas (estágio entre larva e pupa) no solo durante 2-3 dias.


Thripes (Thrips palmi, Caliothrips
brasiliensis, Thrips tabaci
)
Foto: José Geraldo Di Stefano
Embrapa Arroz e Feijão

O adulto de Thrips tabaci possui cerca de 1,0 mm de comprimento e coloração desde amarelo-palha a marrom-clara. Cada fêmea coloca de 20 a 100 ovos e o período de incubação dos ovos é de 5 dias. As ninfas (estágio entre ovo e adulto) tem coloração branca ou levemente amarelada e duram 5 dias. O período pupal (estágio entre larva e adulto) é de 4 dias. Os danos por espécies de tripes são decorrentes da alimentação das ninfas (estágio entre ovo e adulto) e adultos nas folhas e flores. As folhas inicialmente apresentam pontos brancos na face superior. Pontos prateados surgem na superfície inferior das folhas, resultantes da entrada de ar nos tecidos dos quais os tripes se alimentaram. Com o tempo, os tecidos mortos necrosam, ficam bronzeados ou ressecam e tornam-se quebradiços. Brotos foliares e botões florais, quando atacados, tendem a atrofiar. Pode também ocorrer uma queda prematura dos botões florais e vagens se a população de tripes for alta.

ÁCARO BRANCO
Polyphagotarsonemus latus (Acarina: Tarsonemidae) e Tetranhychus urticae (Acarina: Tetranychidae).

O ácaro branco, Polyphagotarsonemus latus, encontra-se na face inferior das folhas e é praticamente invisível a olho nu. A coloração varia de branca, âmbar ou verde claro, com o corpo brilhante. O ciclo de vida é curto, podendo passar pelo estágio de ovo, larva, falsa pupa e adulto em 6-7 dias. As fêmeas são maiores que os machos e vivem por aproximadamente 15 dias. A fêmea coloca, em média, 48 ovos na face inferior das folhas do feijoeiro. Inicialmente o ataque é localizado e é visível nas folhas da parte superior da planta que ficam com as bordas das folhas enroladas para cima de coloração verde escura brilhante. Posteriormente, a face inferior do folha torna-se bronzeada, pela morte dos tecidos e as folhas ficam ressecadas e quebradiças. Em altas infestações, o ácaro branco ataca as vagens que ficam prateadas e, posteriormente, bronzeadas e retorcidas.


Folha bronzeada devido ao ataque
do ácaro branco
Foto: Eliane Dias Quintela
Embrapa Arroz e Feijão

PRAGAS DAS HASTES E AXILAS
BROCA DAS AXILAS
Epinotia aporema (lepidoptera: Olethreutidae)

A broca das axilas, Epinotia aporema, ocorre esporadicamente no feijoeiro. Os adultos são ativos durante a noite e vivem por 15-22 dias. As fêmeas colocam uma média de 100 ovos. O estágio de ovo dura 4-7 dias e existem cinco estágios larvais que são completados em 14-22 dias. Inicialmente as larvas são branco-esverdeadas, com a cabeça escura, tornando-se amareladas, e posteriormente róseas quando próximo à fase de pupa. As larvas tornam-se pupas nas folhas ou no solo. O ataque geralmente inicia-se pelas folhas da parte superior da planta. As larvas penetram no caule através das axilas dos brotos terminais do feijoeiro, forma uma galeria descendente, onde fica abrigada. Une as folhas com uma teia e pode alimentar-se do caule ou dos ramos da planta, podendo causar sua quebra e favorecer a entrada de doenças. No broto atacado, a larva pode alimentar-se do tecido foliar, causando o desenvolvimento anormal ou a sua morte. O inseto também pode alimentar-se de flores e vagens do feijoeiro.


Broca das Axilas (Epinotia aporema)
Pupas e adultos
Foto: Eliane Dias Quintela
Embrapa Arroz e Feijão

TAMANDUÁ DA SOJA OU BICUDO DA SOJA
Sternechus subsignatus (Coleoptera: Curculionidae)

Esse inseto tem como hospedeiro preferencial as leguminosas como a soja, feijoeiro, lab-lab e o guandu. No feijoeiro tem causado dano nas regiões de Barreiras, BA, Unaí, MG, no estado do Mato Grasso do Sul e região Sul do Brasil. Os aspectos biológicos e danos desse inseto no feijoeiro são semelhantes aos causados à soja. Os adultos são besouros que medem aproximadamente 8 mm de comprimento, de coloração preta e faixas amareladas no dorso do tórax, na proximidade da cabeça e nas asas, formadas por pequenas escamas.

As fêmeas normalmente vivem mais tempo que o macho, variando em média 109-119 dias para as fêmeas e 63-109 dias para os machos. As fêmeas colocam em média 212–291 ovos, nas hastes das plantas, onde cortam a epiderme e provocam um anelamento para depositarem os ovos que são de coloração amarelada. Os ovos ficam protegidos por fibras do tecido cortado, por ocasião do anel. O período de incubação dos ovos é, em média, de 5 dias. As larvas ápodas (sem pernas) tem o corpo cilíndrico levemente curvado, de coloração branco-amarelada e com a cabeça castanho-escura. Após a eclosão, penetram na haste da planta onde se alimentam e formam-se galhas no caule que aumentam de tamanho com o crescimento das larvas. Normalmente é encontrada somente uma larva por galha devido ao canibalismo que ocorre entre as larvas. Após passarem por 5 estágios, que duram aproximadamente 44 dias, na planta, as larvas descem ao solo, ainda no 5o estágio, para hibernar em câmaras que são construídas a profundidades de até 20 cm. Ficam em hibernação até a safra seguinte por mais ou menos 150 dias, quando se transformam em pupa (estágio entre larva e adulto) e após 14-17 dias em média transformam-se em adultos, que sobem a superfície do solo e infestam novas plantas. Sternechus apresenta somente uma geração ao longo do ano na cultura. A emergência dos adultos ocorre entre os meses de setembro a dezembro, correspondendo ao período de emergência de plantas de soja ou feijão. A postura é realizada em soja e feijão no período de novembro a janeiro. A hibernação das larvas inicia-se a partir de janeiro-fevereiro.

 
Galha caulinar causada pela larva do
tamanduá ou bicudo da soja
(Sternechus subsignatus)
Foto: Eliane Dias Quintela
Embrapa Arroz e Feijão

Os adultos atacam as hastes das folhas e a haste principal, desfiando os tecidos ao redor da haste. As larvas desenvolvem-se no interior das hastes, abrindo galerias em seu interior, que podem provocar a quebra e muitas vezes a morte das plantas. Se o ataque ocorrer no início do estágio vegetativo, ocorre a morte da planta e diminuição da população de plantas, podendo acarretar perda total da área infestada. Em plantas mais desenvolvidas, se o desenvolvimento da galha ocorrer na haste principal, a planta pode se quebrar pela ação do vento ou das chuvas.

PRAGAS DAS VAGENS
PERCEVEJOS DOS GRÃOS

Neomegalotomus parvus (Hemiptera: Alydidae), Nezara viridula, Piezodorus guildini e Euschistus heros (Hemiptera: Pentatomidae)

A espécie Neomegalotomus parvus tem aumentado significativamente em lavouras de feijão, com ocorrência em São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Infestações de percevejos comuns à lavoura de soja, como o Nezara viridula, Piezodorus guildini e Euschistus heros vêm aumentando de intensidade a cada ano na cultura do feijão. O adulto de N. parvus apresenta coloração marrom clara e mede 10-11mm. As fêmeas colocam os ovos separadamente nas folhas e vagens do feijoeiro. As ninfas (estágio entre ovo e adulto) são semelhantes a formigas e causam maiores danos aos grãos a partir do 4º estágio.


Percevejo dos grãos (macho de N. parvus)
Foto: Eliane Dias Quintela
Embrapa Arroz e Feijão

O adulto de Nezara viridula é verde, mede entre 12 e 15 mm e vive por até 70 dias. As fêmeas colocam os ovos amarelos, normalmente na face inferior das folhas, em massas de 50-100 ovos. Somente a partir do 3º estágio, as ninfas (estágio entre ovo e adulto) alimentam-se dos grãos, com intensidade crescente até o 5º estágio. O período de ninfa dura entre 20-25 dias. Euschistus heros é um percevejo marrom-escuro, com dois prolongamentos laterais da asa em forma de espinho. Os ovos, em 5-8 por massa, são colocados nas vagens e folhas do feijoeiro. O adulto de Piezodorus guildini é um percevejo pequeno de aproximadamente 10 mm, coloração verde, com uma listra transversal marrom avermelhada na parte dorsal do tórax, próxima da cabeça. A fêmea coloca os ovos pretos normalmente nas vagens, em número de 10 a 20 por postura. As ninfas(estágio entre ovo e adulto) do 3º ao 5º estágios causam maiores danos aos grãos.

Os percevejos possuem alta capacidade de causar danos e, mesmo em baixas populações, causam danos significativos às vagens, alimentando-se diretamente dos grãos desde o início de formação de vagens. Os grãos atacados ficam menores, enrugados, chochos e mais escuros. Além dos danos diretos no produto final, os percevejos prejudicam também a qualidade das sementes, reduzindo o poder germinativo e transmitindo a mancha de levedura provocada pelo fungo Nematospora corylli, o que causa depreciação acentuada quanto à classificação comercial do produto. No Rio Grande do Sul, as perdas causadas a produção por infestações naturais de Nezara viridula foram avaliadas em cerca de 30% e, ainda, reduziu o poder germinativo das sementes. As perdas causadas por Piezodorus guildini são inferiores, atingindo 8,5 a 16% para populações de 2 e 4 percevejos por três plantas, respectivamente.

LAGARTA DAS VAGENS
Maruca vitrata (Lepidoptera: Pyraustidae), Etiella zinchenella (Lepidoptera: Phycitidae), Thecla jebus (Lepidóptera: Gelechidae)

As lagartas das vagens eram consideradas pragas secundárias no feijoeiro, por não apresentarem ataques freqüentes em todos os anos. Entretanto, a ocorrência destas lagartas tem aumentado nas lavouras de feijão nas regiões do Sul e Centro-Oeste do Brasil. O adulto da Maruca vitrata é uma mariposa, com aproximadamente 2 cm de envergadura e de coloração marrom clara, que apresenta nas asas áreas transparentes por falta de escamas. Vive cerca de uma semana e a fêmea coloca cerca de 150 ovos nas gemas de folhas e flores. O período de incubação dos ovos é de 5 dias e as lagartas com 5 estágios alimentam-se de pedúnculos, flores e vagens.

A penetração das larvas na vagem ocorre principalmente onde esta se encontra em contato com folhas, ramos ou com outra vagem e é característico o aparecimento de excrementos. Normalmente, tornam-se pupas (estágio entre larva e adulto) no solo e algumas vezes, nas vagens.


Larva da Etiella zinchenella
Foto: Eliane Dias Quintela
Embrapa Arroz e Feijão

A Etiella zinchenella é uma mariposa, com cerca de 2 cm de envergadura, de asas anteriores cinza-escuras e posteriores cinza-claras. A postura varia de 2 a 70 ovos e é feita no cálice das flores ou nas vagens. As lagartas inicialmente são de coloração branca e cabeça escura, tornando-se verdes e, quando próximo a empupar (estágio entre larva e adulto), rosadas, atingindo cerca de 20 mm. As lagartas penetram nas vagens, danificando as sementes e deixam excremento nos orifícios de penetração.

As lagartas de Thecla jebus apresentam coloração variável, sendo o verde a cor predominante e são semelhantes às lesmas. Sua presença pode ser notada pelo orifício irregular na vagem, diferindo das demais lagartas, em que os orifícios de penetração são mais ou menos circulares.


Informações Complementares:

Adicionar à Pasta Manejo integrado de pragas do feijoeiro São apresentadas informações sobre metodologia de monitoramento das pragas e seus inimigos naturais na lavoura, e os níveis de controle para cada praga, para facilitar a utilização da tecnologia do manejo integrado de pragas do feijoeiro (MIP-Feijão). Mais Detalhes

Adicionar à Pasta Efeito de extratos de plantas sobre a mortalidade de ninfas de Bemisia tabaci (Genn.) biótipo B (Hemiptera: Aleyrodidae) em feijoeiro (Phaseolus vulgaris L.) A mosca-branca, Bemisia tabaci biótipo B, é uma das principais pragas no cultivo do feijoeiro comum, responsável pela transmissão do vírus do mosaico dourado-do-Feijoeiro, agente causal do mosaico dourado. Neste trabalho, avaliou-se o efeito do nim indiano, fumo, arruda e açafrão sobre a mortalidade de ninfas de B. tabaci biótipo B, em casa de vegetação. Mais Detalhes

Adicionar à Pasta Efeitos de extratos botânicos sobre a oviposição de Bemisia tabaci (Genn.) biótipo B (Hemiptera: Aleyrodidae) em feijoeiro (Phaseolus vulgaris L.) Como existem poucas informações sobre a eficiência do uso de extratos botânicos para o manejo de Bemisia tabaci biótipo B em feijoeiro, objetivou-se com este trabalho avaliar o efeito do nim indiano (Azadirachta indica), fumo (Nicotiana tabacum L.) e arruda (Ruta sp. L.) sobre a oviposição deste inseto. Determinou-se também a persistência do óleo de nim nas folhas de feijoeiro em casa Mais Detalhes

Adicionar à Pasta Manual de identificação dos insetos e outros invertebrados pragas do feijoeiro Introdução; Aspectos bioecológicos das principais pragas; Pragas das sementes, plântulas e raízes; Pragas das folhas; Pragas das hastes e axilas; Pragas das vagens; Pragas dos grãos armazenados; Referências bibliográficas. Mais Detalhes

Adicionar à Pasta Opções de controle químico da lagarta enroladeira, Omiodes indicata no feijoeiro comum O objetivo deste trabalho foi avaliar a eficiência de inseticidas químicos no controle da lagarta Omiodes indicata, que estão protegidas nas folhas enroladas. Mais Detalhes
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