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Solo

Autor(es):  Pedro Luiz Oliveira de Almeida Machado Humberto Gonçalves dos Santos Elaine Cristina Cardoso Fidalgo Beáta Emoke Madari

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O feijoeiro comum prefere que “tipo” de solo?

No aspecto químico, a lavoura deve ser instalada em solos com acidez fraca a média (pHágua 5,5 a 6.5) . Solos pobres em matéria orgânica (concentração abaixo de 8 g/kg solo textura arenosa e abaixo de 24 g/kg solo textura argilosa) normalmente não favorecem a boa produtividade do feijoeiro comum, pois o eficiente fornecimento de nutrientes para as raízes depende de boa quantidade de matéria orgânica no solo (concentração de 11 a 15 g/kg solo de textura arenosa e de 31 a 45 g/kg solo de textura argilosa). O solo, especialmente na profundidade de 0- 20 cm, deve apresentar teores adequados de cálcio, magnésio, potássio e fósforo para se obter boa produção. Entretanto, o solo deve favorecer o crescimento radicular em profundidade, pois raízes mais profundas oferecem à planta melhores condições para sobreviver a veranicos que normalmente ocorrem na época chuvosa no Cerrado e parte da região Sul do Brasil (bioma Mata Atlântica). Todavia, o crescimento radicular em profundidade pode ser impedido por uma barreira química, ou seja, abaixo de 20 cm de profundidade, onde a correção da acidez pela calagem é menos eficaz, pode haver altos teores de alumínio que geram problemas nutricionais ao feijoeiro (ex. alumínio impede a absorção de fósforo pela planta e dificulta a divisão celular das raízes). Neste caso, o condicionamento do solo pela gessagem é bastante recomendável.

Quanto ao aspecto físico, o feijoeiro comum deve ser instalado em solos livres de encharcamento e, embora tenha sistema radicular superficial (maior volume nos primeiros 20 cm de profundidade), solos bem estruturados e livres de camada compactada até 60 cm de profundidade são bem vindos, pois um menor volume de raiz pode crescer em profundidade.
Como a grande maioria dos solos brasileiros sofre bastante com a erosão causada pelas chuvas fortes no verão (Figura 1), é imprescindível o cultivo do feijoeiro e de outras culturas anuais adotando-se práticas de conservação do solo (ex. terraceamento em nível, adoção de plantio direto na palha com rotação envolvendo plantas de cobertura, nunca queimar restos culturais, trânsito de máquinas semeadoras e colhedoras em nível na lavoura).


Figura 1 - Erosão laminar após chuva de verão.
Foto: José Eloir Denardin - Embrapa Trigo

Deve-se ressaltar que a adoção e consolidação do sistema plantio direto não condiciona, em nenhuma situação, a retirada de terraços em nível anteriormente instalados na lavoura. Há relatos de áreas sob plantio direto sofrendo perdas de solo pela retirada de terraços em nível que impedem a perda de água pela superfície (enxurradas).

Os Solos do Brasil servem para o cultivo do feijoeiro comum?

Sim desde que haja manejo adequado da fertilidade e práticas de conservação do solo para evitar a erosão causada principalmente pelas chuvas.
O território brasileiro é caracterizado por uma grande diversidade de “tipos” de solos, condicionados pelas diferentes formas e tipos de relevo, clima, material de origem, vegetação e organismos associados. Esta diversidade pode ser observada na Figura 2, elaborada a partir do Mapa de Solos do Brasil atualizado com base no atual Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. Neste Mapa pode-se distinguir 13 principais classes de solos representativas das paisagens brasileiras, onde se observam a grande abrangência dos Latossolos e dos Argissolos.


 
Figura 2.. Atualização da legenda do mapa de solos do Brasil na escala 1:5.000.000 (Embrapa, 1981),
com base na 4ª aproximação do Sistema Brasileiro de Classificação de Solo (Embrapa, 1999).

A extensão de cada classe por região encontra-se na Tabela 1.

Tabela 1: Extensão e distribuição das classes de solos nas regiões do Brasil

Tipos” De Solos

Brasil

Relativa por regiões

Absoluto

Relativo

Norte

Nordeste

Centro-Oeste

Sudeste

Sul

km2

%

 

 

%

 

 

Alissolos

371.874,5

4,36

8,67

0,00

0,00

0,00

6,34

Argissolos

1.713.853,5

19,98

24,40

17,20

13,77

20,68

14,77

Cambissolos

232.139,2

2,73

1,06

2,09

1,59

8,64

9,28

Chernossolos

42.363,9

0,53

0,00

1,05

0,27

0,21

3,94

Espodossolos

133.204,9

1,58

3,12

0,39

0,26

0,37

0,00

Gleissolos

311445,3

3,66

6,41

0,78

2,85

0,5

0,4

Latossolos

3.317.590,3

38,73

33,86

31,01

52,81

56,30

24,96

Luvissolos

225.594,9

2,65

2,75

7,60

0,00

0,00

0,00

Neossolos

1.246.898,9

14,57

8,49

27,55

16,36

9,38

23,23

Nitossolos

119.731,3

1,41

0,28

0,05

1,22

2,56

11,48

Planossolos

155.152,1

1,84

0,16

6,61

1,73

0,16

3,00

Plintossolos

508.539,4

5,95

7,60

4,68

8,78

0,00

0,00

Vertissolos

169.015,3

2,01

3,20

0,99

0,36

1,20

2,60

Fonte: Coelho et al. (2002).

Pela Tabela 1 pode-se observar que os solos que predominam na Região Norte são profundos, altamente intemperizados, ácidos, de baixa fertilidade natural e saturados por alumínio, predominando os Latossolos e Argissolos. Recentemente a produção do feijoeiro comum em várzeas tropicais, especialmente no Estado de Tocantins, várzeas do vale do Rio Araguaia, predominando os Plintossolos e Gleissolos, tem se notabilizado pelos solos daquela região propiciarem a subirrigação (irrigação pelo manejo do lençol freático).

Na Região Nordeste, ocorrem solos de média a alta fertilidade natural, em geral pouco profundos em decorrência de seu baixo grau de intemperismo, caracterizados nas classes dos Latossolos e Neossolos.

A Região Centro-Oeste, é uma vasta superfície muito intemperizada pelos processos erosivos naturais, onde predominam os solos profundos, bem drenados, de baixa fertilidade natural, porém com características físicas favoráveis, na sua grande maioria pertencente à classe dos Latossolos.
Na Região Sudeste predominam os Latossolos e Argissolos, bem desenvolvidos e geralmente também de baixa fertilidade natural.

Finalmente, a Região Sul, cujos solos, muitos originados de rochas básicas e sedimentos diversos, possuem, em relação às outras regiões do Brasil, solos mais férteis, distribuídos nas classes dos Latossolos, Neossolos, Argissolos e Nitossolos. Entretanto, no Paraná, por exemplo, maior Estado produtor de feijoeiro comum, a cultura do feijão encontra-se quase que exclusivamente ligada a parâmetros desfavoráveis de solos como: declividade elevada, baixa profundidade efetiva do perfil e pedregosidade. Assim, o manejo destes solos deve priorizar movimentação mínima possível do solo visando preservar sua estrutura natural, proporcionando adequadas condições de armazenamento de água e, conseqüentemente, diminuindo riscos de erosão.

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