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O feijoeiro comum prefere que “tipo” de solo? No aspecto químico, a lavoura deve ser instalada em solos com acidez fraca a média (pHágua 5,5 a 6.5) . Solos pobres em matéria orgânica (concentração abaixo de 8 g/kg solo textura arenosa e abaixo de 24 g/kg solo textura argilosa) normalmente não favorecem a boa produtividade do feijoeiro comum, pois o eficiente fornecimento de nutrientes para as raízes depende de boa quantidade de matéria orgânica no solo (concentração de 11 a 15 g/kg solo de textura arenosa e de 31 a 45 g/kg solo de textura argilosa). O solo, especialmente na profundidade de 0- 20 cm, deve apresentar teores adequados de cálcio, magnésio, potássio e fósforo para se obter boa produção. Entretanto, o solo deve favorecer o crescimento radicular em profundidade, pois raízes mais profundas oferecem à planta melhores condições para sobreviver a veranicos que normalmente ocorrem na época chuvosa no Cerrado e parte da região Sul do Brasil (bioma Mata Atlântica). Todavia, o crescimento radicular em profundidade pode ser impedido por uma barreira química, ou seja, abaixo de 20 cm de profundidade, onde a correção da acidez pela calagem é menos eficaz, pode haver altos teores de alumínio que geram problemas nutricionais ao feijoeiro (ex. alumínio impede a absorção de fósforo pela planta e dificulta a divisão celular das raízes). Neste caso, o condicionamento do solo pela gessagem é bastante recomendável.
Quanto ao aspecto físico, o feijoeiro comum deve ser instalado em solos livres de encharcamento e, embora tenha sistema radicular superficial (maior volume nos primeiros 20 cm de profundidade), solos bem estruturados e livres de camada compactada até 60 cm de profundidade são bem vindos, pois um menor volume de raiz pode crescer em profundidade. Como a grande maioria dos solos brasileiros sofre bastante com a erosão causada pelas chuvas fortes no verão (Figura 1), é imprescindível o cultivo do feijoeiro e de outras culturas anuais adotando-se práticas de conservação do solo (ex. terraceamento em nível, adoção de plantio direto na palha com rotação envolvendo plantas de cobertura, nunca queimar restos culturais, trânsito de máquinas semeadoras e colhedoras em nível na lavoura). |  Figura 1 - Erosão laminar após chuva de verão. Foto: José Eloir Denardin - Embrapa Trigo
| Deve-se ressaltar que a adoção e consolidação do sistema plantio direto não condiciona, em nenhuma situação, a retirada de terraços em nível anteriormente instalados na lavoura. Há relatos de áreas sob plantio direto sofrendo perdas de solo pela retirada de terraços em nível que impedem a perda de água pela superfície (enxurradas). Os Solos do Brasil servem para o cultivo do feijoeiro comum? Sim desde que haja manejo adequado da fertilidade e práticas de conservação do solo para evitar a erosão causada principalmente pelas chuvas. O território brasileiro é caracterizado por uma grande diversidade de “tipos” de solos, condicionados pelas diferentes formas e tipos de relevo, clima, material de origem, vegetação e organismos associados. Esta diversidade pode ser observada na Figura 2, elaborada a partir do Mapa de Solos do Brasil atualizado com base no atual Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. Neste Mapa pode-se distinguir 13 principais classes de solos representativas das paisagens brasileiras, onde se observam a grande abrangência dos Latossolos e dos Argissolos. | 
Figura 2.. Atualização da legenda do mapa de solos do Brasil na escala 1:5.000.000 (Embrapa, 1981), com base na 4ª aproximação do Sistema Brasileiro de Classificação de Solo (Embrapa, 1999).
| A extensão de cada classe por região encontra-se na Tabela 1. Tabela 1: Extensão e distribuição das classes de solos nas regiões do Brasil | “Tipos” De Solos | Brasil | Relativa por regiões | | Absoluto | Relativo | Norte | Nordeste | Centro-Oeste | Sudeste | Sul | | km2 | % | | | % | | | | Alissolos | 371.874,5 | 4,36 | 8,67 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 6,34 | | Argissolos | 1.713.853,5 | 19,98 | 24,40 | 17,20 | 13,77 | 20,68 | 14,77 | | Cambissolos | 232.139,2 | 2,73 | 1,06 | 2,09 | 1,59 | 8,64 | 9,28 | | Chernossolos | 42.363,9 | 0,53 | 0,00 | 1,05 | 0,27 | 0,21 | 3,94 | | Espodossolos | 133.204,9 | 1,58 | 3,12 | 0,39 | 0,26 | 0,37 | 0,00 | | Gleissolos | 311445,3 | 3,66 | 6,41 | 0,78 | 2,85 | 0,5 | 0,4 | | Latossolos | 3.317.590,3 | 38,73 | 33,86 | 31,01 | 52,81 | 56,30 | 24,96 | | Luvissolos | 225.594,9 | 2,65 | 2,75 | 7,60 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | | Neossolos | 1.246.898,9 | 14,57 | 8,49 | 27,55 | 16,36 | 9,38 | 23,23 | | Nitossolos | 119.731,3 | 1,41 | 0,28 | 0,05 | 1,22 | 2,56 | 11,48 | | Planossolos | 155.152,1 | 1,84 | 0,16 | 6,61 | 1,73 | 0,16 | 3,00 | | Plintossolos | 508.539,4 | 5,95 | 7,60 | 4,68 | 8,78 | 0,00 | 0,00 | | Vertissolos | 169.015,3 | 2,01 | 3,20 | 0,99 | 0,36 | 1,20 | 2,60 | Fonte: Coelho et al. (2002). Pela Tabela 1 pode-se observar que os solos que predominam na Região Norte são profundos, altamente intemperizados, ácidos, de baixa fertilidade natural e saturados por alumínio, predominando os Latossolos e Argissolos. Recentemente a produção do feijoeiro comum em várzeas tropicais, especialmente no Estado de Tocantins, várzeas do vale do Rio Araguaia, predominando os Plintossolos e Gleissolos, tem se notabilizado pelos solos daquela região propiciarem a subirrigação (irrigação pelo manejo do lençol freático).
Na Região Nordeste, ocorrem solos de média a alta fertilidade natural, em geral pouco profundos em decorrência de seu baixo grau de intemperismo, caracterizados nas classes dos Latossolos e Neossolos.
A Região Centro-Oeste, é uma vasta superfície muito intemperizada pelos processos erosivos naturais, onde predominam os solos profundos, bem drenados, de baixa fertilidade natural, porém com características físicas favoráveis, na sua grande maioria pertencente à classe dos Latossolos. Na Região Sudeste predominam os Latossolos e Argissolos, bem desenvolvidos e geralmente também de baixa fertilidade natural.
Finalmente, a Região Sul, cujos solos, muitos originados de rochas básicas e sedimentos diversos, possuem, em relação às outras regiões do Brasil, solos mais férteis, distribuídos nas classes dos Latossolos, Neossolos, Argissolos e Nitossolos. Entretanto, no Paraná, por exemplo, maior Estado produtor de feijoeiro comum, a cultura do feijão encontra-se quase que exclusivamente ligada a parâmetros desfavoráveis de solos como: declividade elevada, baixa profundidade efetiva do perfil e pedregosidade. Assim, o manejo destes solos deve priorizar movimentação mínima possível do solo visando preservar sua estrutura natural, proporcionando adequadas condições de armazenamento de água e, conseqüentemente, diminuindo riscos de erosão.
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